quinta-feira, 1 de abril de 2010

O glorioso pedido de um campeão



No último sábado, dia 27 de março, por volta das 15h, horário de Brasília, estava chegando no Hipódromo da Gávea e liguei do meu celular para Dalva de Oliveira. O motivo: dar os parabéns pela conquista de Glória de Campeão na Dubai World Cup 2010 (G1-2000mA), fato que engrandeceu todos os verdadeiros amantes dos cavalos de corrida e também a nossa criação nacional.

Fui surpreendida ao ser atendida com um relincho. Não leitores, não era a titular do Stud Estrela Energia que estava relinchando e sim o próprio Glória de Campeão quem me atendeu.

"Karol Loureiro, estava mesmo querendo falar com você já tem um tempo. Precisei vencer a Dubai World Cup para conseguir tal feito?", ele me indagou.

Num primeiro momento, fiquei sem palavras, pois há tempos que não conversava com um puro-sangue inglês e, Glória de Campeão, é desses cavalos que tenho como ídolo, por sua categoria e raça em qualquer raia do mundo.

Então dei os parabéns ao filho de Impression e Audacity (Clackson), criado no Haras Santarém, por mais uma excepcional conquista, relatando o quanto eu e diversos outros brasileiros estavamos felizes pela vitória internacional milionária. No que Glória de Campeão me respondeu.

"Agradeço as palavras e sei que são verdadeiras, mas penso que você gostaria de saber o por quê que eu estava lhe procurando para falar?", me perguntou novamente. Não tendo muita escapatória, concordei e quis saber do cavalo de 6 anos o que queria comigo, no que fui prontamente atendida.

"Estou chateado com você. Afinal de contas, ler o CERCA MÓVEL é a minha diversão aqui no exterior, pois fico sabendo de tudo o que anda rolando entre os cavalos e éguas que estão no Brasil. De repente, do nada, não vejo mais atualizações. O que aconteceu? Deixar de nos ouvir não é, pois estás falando comigo agora. Então é bom que tenhas uma boa desculpa, pois nos proporcionar uma leitura agradável e descontraída durante bom tempo e depois cortar sem mais nem menos não é legal. Ou você me dá uma boa explicação ou nunca mais lhe concedo uma entrevista exclusiva", bufou Glória de Campeão.

Leitores, fiquei uns 30 segundos sem falar nada. Apenas compreendendo o que acabava de ouvir do nosso campeão internacional. Então percebi que devo desculpas a ele e a todos vocês que visitam este espaço semanalmente, além de um esclarecimento de tudo o que realmente aconteceu.

Infelizmente passei por uma turbulência na minha vida pessoal, no meu relacionamento mais íntimo, digamos assim, e isso influenciou a minha forma de pensar e agir. Escrever o CERCA MÓVEL é um prazer imenso, que faço com um grande gosto e sempre muito feliz. Sendo que eu não estava feliz para escrever. As palavras não vinham, as ideias, as entrevistas, nada surgia, porque estava mal por dentro.

A dor no peito não permitia que eu transbordasse alegria para escrever nesse espaço. Precisava curar. Dizer que estou completamente curada seria uma mentira, mas a alegria proporcionada pelo Glória de Campeão em Dubai, o que demonstrou a força dos nossos corredores em qualquer lugar do mundo, fez com que eu voltasse a sentar em frente ao computador e digitasse todo o texto que vocês estão lendo agora.

Lógico que também não poderia perder a exclusividade em conversar com o nosso glorioso campeão, nem com todos os outros cavalos que atuam dentro e fora do Brasil, pois tudo de bom que construi na minha vida, foi graças a eles. Assim como eu, diversas pessoas dependem de suas patas, de sua coragem, de seu desempenho, e, acima de tudo, de sua fidelidade.

Todo cavalo de corrida é fiel ao seu dono, ao seu treinador, ao seu jóquei, ao seu cavalariço, ao seu torcedor, enfim, a todos que o cercam. Obrigada Glória de Campeão por trazer de volta a minha alegria em escrever este CERCA MÓVEL!

sábado, 12 de dezembro de 2009

Cerca Móvel, o retorno

Aos meus fiéis leitores do CERCA MÓVEL, sei que devo uma explicação para lá de satisfatória pela longa ausência em atualizar este blog. Primeiramente, quero deixar claro que não perdi o meu “dom” de entender o que os cavalos falam, pensam, enfim, como eles interagem conosco, humanos. O grande problema é que criei, se assim posso chamar, um novo projeto e me aprofundei ainda mais no universo dos cavalos de corrida, mas o tempo começou a ficar escasso e, por tudo isso, não consegui dar conta de deixar vocês sempre atualizados com o meu novo universo.

Passei a fazer catálogos de criação e, visitando os haras, conheci alguns garanhões que dão o que falar, cada um com cada estória de romance imperdível; conversei com reprodutoras campeãs que relembraram algumas aventuras dentro e fora da pista; isso sem falar dos potros e potrancas ao pé, que mesmo sem largarem as 'tetas' das mães, já demonstram que nasceram para brilhar.

Sim, também tive de tentar aperfeiçoar o meu 'sofrível' inglês, para me comunicar com algumas potrancas americanas que estão sendo recriadas no Brasil e, se assim posso dizer, pegando a ginga nacional. Algumas, belíssimas, diga-se de passagem.

Enfim, no meio disso tudo, e das incontáveis viagens, conversei com Goecochea, o potro que derrotou meu amigo e grande incentivador desse blog, Starman, no GP Bento Gonçalves (G1-2400mA), em novembro, no Hipódromo do Cristal. Inclusive, no dia da festa máxima gaúcha, fui testemunha ocular do namoro engatado entre dois corredores do Stud Duplo Ouro.

Passei por São Paulo e conferi o vôo de Tenarin, surpreendendo a tudo e a todos no importante GP Derby Paulista (G1-2400mG), no Hipódromo de Cidade Jardim. Na mesma tarde, Mr.Nedawi alcançou a preparação perfeita rumo à sua principal conquista da campanha, na última semana, no Hipódromo do Tarumã, quando ganhou, com todos os méritos e de maneiro sensacional, o Grande Prêmio Paraná (G1-2400mA).

Aliás, para falar do Paraná, eu teria de informar a todos que os proprietários, criadores, imprensa, enfim, turfistas em geral, quase “roubaram” a festa, tamanha disposição que se apresentaram seja na festa do páreo Balada, na madrugada de sexta para sábado, ou no domingo, dia da grande festa paranaense.

Como vocês podem perceber, muita coisa rolou e participei de tudo ativamente, tanto que consegui ganhar uma gripe, um jantar e o hexacampeonato brasileiro com o meu MENGÃO. Aliás, as cores rubro-negras fazem bem a muita gente e a muitos cavalos de corrida.

Portanto, para a coluna não ficar demasiadamente longa, vou deixar aqui as frases principais ditas por alguns dos personagens citados anteriormente.

“Sou guri, mas corro muito. Que venha o Ramirez!”, Goecochea, emocionado.

“Ganhei esta para você, agora quero o meu prêmio prometido”, relinchou Ladrilheiro para First Julia, após ganhar o páreo velocidade. Em seguida, após receber a sua recompensa, que não posso divulgar nesse espaço, foi retribuido novamente por First Julia, que levou com facilidade o páreo das éguas na mesma tarde. Eles formam um casal campeão, ninguém pode negar.

“Peguei carona com o sucesso do meu proprietário e criador e tratei de 'avoar' também. Quem sabe, numa dessas, eu viro um astro do cinema”, brincou Tenarin com relação a João Daniel Thikomiroff.

“Estamos longe de tudo, mas bem próximo das éguas mais cobiçadas do Brasil”, Dodge, garanhão do Haras Anderson, falando da sua profissão, em Bagé.

“Na raia, a vida era mais agitada, sem dúvida, e as coisas mais difíceis, mesmo tendo um contato maior com os humanos. Mas aqui, reencontrei a minha natureza animal e não penso em outra coisa a não ser em ver o meu herdeiro nascer”, Furia Olímpica, morando no Haras São Quirino, em Campinas, e cheia de seu primeiro produto.

“É muita emoção ganhar o primeiro Grupo 1. Acreditava que seria capaz, mas sabia das dificuldades. Fico feliz que tudo tenha saido bem e pretendo descansar para, em 2010, tentar novo Grupo 1 na campanha. Quem sabe, na raia de grama?”, Mr. Nedawi voltando da raia, mas sem querer ir para a foto da vitória. “Sou timido. Prefiro comemorar com a turma da cocheira”, admitiu.

Bem leitores, espero que vocês tenham gostado desse pequeno resumo do que aconteceu. Logo mais estarei chegando na Argentina e pretendo entrevistar o vencedor do GP Internacional Carlos Pellegrini (G1-2400mG), porém a matéria sairá apenas na próxima edição do sempre nosso CERCA MÓVEL.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Pequeno recesso

Aos meus fiéis leitores, por conta de projetos e diversas viagens, não tenho tido tempo para atualizar o nosso CERCA MÓVEL...

Mas em breve voltaremos com força total...

Conto com vcs

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Trabalho em equipe resulta em vitória

Os corredores da Coudelaria Jéssica, sob a responsabilidade do treinador Leandro Guignoni desde que se transferiram para São Paulo, estão apreciando o novo ambiente paulista. Também estão se entendendo muito bem e trabalhando em equipe, como pudemos observar no último sábado, durante a realização do GP Presidente Silvio Álvares Penteado – Copa dos Criadores (G3-2000mG), quando Hold Me Tight e Hilaris atuaram na prova.


Não estive em São Paulo no dia, mas assisti tudo pela televisão, e vi o quanto elas atuaram em parceria.


“Calminha ai Queen Shu, vamos respeitar as mais velhas. Esse train de corrida quem faz sou eu”, saiu gritando Hilaris, ao abrir os boxes e assumindo a primeira posição poucos metros depois. Queen Shu, do Haras São Pedro do Alto, nem reclamou, ficou na dela, atuando junto aos paus e mantendo seu próprio ritmo.


Hold Me Tight corria mais atrás, tendo o cuidado de não sofrer nenhum grande percalço. “Desculpe; calma; licença”, eram as palavras proferidas pela potranca enquanto atuava misturada com as demais competidoras, mais atrás, revezando entre as 5ª e 7ª posições.


Hilaris continuava ponteando com José Aparecido sobre o dorso, mas não descuidava do ritmo, pois sabia que tinha Queen Shu sempre por perto.


Quando abordaram a reta final, Hilaris deu um primeiro relincho, que não consegui entender, e continuou ponteando. Mas olhando atentamente para a televisão, pude conferir que quase automaticamente Hold Me Tight saia de junto dos paus e buscava uma linha mais aberta e com espaço vazio pela frente. Ali entendi que o relincho de Hilaris nada mais era que um sinal para a companheira de cocheira começar a avançar.


Hilaris ainda se manteve na frente até os últimos 200 metros. Quando começou a esmorecer, Hold me Tight emparelhou e falou. “Agora é comigo minha amiga, obrigada pela ajuda”, e como uma flecha, foi logo buscar a vitória.


Queen Shu não entendeu muita coisa, mas nem teve tempo de procurar entender, pois Donna Greta, que nada tinha a ver com a situação, surgiu do nada e ameaçava a sua 2ª posição.


Voltando a se concentrar, Queen Shu conseguiu formar a dupla. Donna Greta foi a 3ª e Hilaris a 4ª colocada.


Hold Me Tight ganhou a corrida e aguardou a chegada de Hilaris para sairem juntas da raia. Nesse momento a televisão cortou a cena para o Rio de Janeiro e precisei apelar para o velho e bom telefone, pois precisava falar com as ‘meninas do Jéssica’.


Após algumas tentativas, enfim Hilaris me atendeu, com a voz ofegante, mas eufórica. “Olá, é sempre um prazer falar com o CERCA MÓVEL.Dessa vez não fui a vencedora, mas sei que tive papel fundamental em mais uma conquista da Coudelaria Jéssica. Saiba que tanto eu quanto Hold Me Tight apenas seguimos o exemplo de nossas donas (Jéssica e Victória), provando que a união faz a força”, falou, mas eu não entendi nada sobre a comparação, foi quando Hold Me Tight me explicou.


“Você tem se preocupado tanto com o universo dos cavalos que tem esquecido dos humanos! Jéssica e Victoria Dannemann estão juntas num projeto teatral de sucesso, ai no Rio de Janeiro. A mais velha (Jéssica) atua na peça, enquanto a mais nova (Victoria), tem a responsabilidade de fazer com que tudo dê certo.


Foi mais ou menos o que eu e a Hilaris fizemos. A mais velha (Hilaris), atuou na frente durante a corrida, chamando a atenção para ela e no momento crucial, deu a deixa (o relincho) para que eu pudesse concluir a nossa estratégia de corrida. No final, tudo deu certo”, encerrou Hold Me Tight, que é uma filha de Roi Normand e Indian Blossom (Fred Astaire), criada pelo Haras Santa Ana do Rio Grande.


Após as declarações de Hilaris e Hold Me Tight tratei de descobrir o que rolava nos teatros cariocas, então me dei conta do musical “Por uma Noite – Um sonho nos bastidores das Broadway”, onde Jéssica Dannemann é uma das atrizes e Victória Dannemann assina a produção geral. Assisti no Teatro das Artes, no Shopping da Gávea, na noite de quarta-feira (ontem) e recomendo aos leitores do CERCA MÓVEL, que estiverem pelo Rio de Janeiro e gostem de musicais, que dêem uma passadinha por lá. Vale a pena!


Sim, não posso encerrar esse blog sem lembrar que sábado temos um compromisso importante: Derby Paulista 2010 (G1-2400mG). O campo promete muitas emoções e eu não fico fora dessa.