quarta-feira, 5 de maio de 2010

A chegada da cegonha


Olá amigos leitores, no próximo domingo todos nós vamos comemorar o dia das mães. Analisando com calma, descobri que o tema "MÃE" é sucesso seja com humanos ou com cavalos. Aliás, com puro-sangue inglês é fundamental, pois uma boa linhagem depende, em grande parte, da genética da égua.

Escrevo isso porque vi no Twitter, na terça-feira, a felicidade da atriz Juliana Paes (aquela que fez o papel de indiana-mocinha da TV Globo) ao descobrir que estava grávida.

Sendo que mais animada que a atriz global estava a égua Tanta Honra, que conversou comigo no mesmo dia, através do Skype, informando que também estava grávida e, o melhor de tudo, de malas prontas para retornar ao Brasil.

"Felicidade tremenda. Já sinto que o meu filho é uma pequena parte minha. É uma experiência sensacional e única. Não vejo a hora de olhar meu bebê nos olhos", explode de alegria Tanta Honra.

A égua do Stud São Francisco da Serra está em Newmarket desde novembro de 2009, quando ela saiu do Brasil com destino aos Emirados Árabes, mas precisou fazer aclimatação na Inglaterra.

"Sai do Rio de Janeiro no início do verão carioca, cheguei na Europa e peguei os termômetros abaixo de zero. Gripei na hora. Quase uma pneumonia. Então meu doce proprietário (Toni Pinto) decidiu encerrar minha campanha", relembrou o fato a égua.

Quis saber da mesma se ficou muito chateada por não ter participado do Carnival da Dubai World Cup no começo deste ano.

"Antes de ficar gripada, estava me sentindo em excelente estado físico, portanto sabia que tinha chances de surpreender as éguas que estavam em Dubai. Fiquei mais triste ainda por não ter conhecido os Emirados Árabes, mas acompanhei a trajetória dos brasileiros e vibrei muito com a grande vitória de Gloria de Campeão na Dubai World Cup (G1-2000mA).

Sendo que se por um lado eu não conheci Dubai, por outro, o destino me levou ao encontro do lindo Byron, do Darley Stud. Tivemos um excelente entrosamento e o resultado é a minha gravidez"
, sorri descontraida.

Tentei buscar mais detalhes sobre o romance de Tanta Honra e Byron, e a castanha, com muita sutileza, respondeu.

"Posso dizer apenas que tivemos ótimos momentos de prazer. Sendo que para um bom entendedor, já basta né?", relincha descontraidamente.

Para encerrar nosso bate papo, Tanta Honra falou sobre as saudades do Brasil.

"Não penso em outra coisa a não ser voltar ao Brasil. Meu doce proprietário (Toni) entendeu meus pedidos e concordou com meu retorno. Isso duplicou a minha alegria, pois além de ser mãe e poder parir no Brasil, estarei ao lado dos meus pais, Crimson Tide e Tana-Am, no Haras Bagé do Sul.

Ou seja, meu filho nascerá na presença dos avós e no excelente clima brasileiro. É ou não é para explodir de alegria? Acredito que no máximo em agosto eu esteja pousando no Rio Grande do Sul e espero a sua visita, pois papai Crimson Tide me avisou que você esteve por lá em novembro de 2009. Quero repeteco!"
, exigiu, com enorme carinho, Tanta Honra.

Confirmei que irei visita-la e ainda levarei umas cenouras para o bebê. E para Tanta Honra, para Juliana Paes, para Dona Rosa (minha mãe) e todas as mães do mundo, desejo uma excelente semana e um domingão daqueles.

100 POSTAGENS

Sim pessoal, a mais pura verdade, apesar de algumas semanas sem aparecer por aqui, conseguimos chegar ao número de 100 postagens.

Espero que os novos e antigos leitores sigam firme para mais 100, ok... Conto sempre com vocês.

sábado, 10 de abril de 2010

Cavalos parabenizam aprendizes no Rio de Janeiro



Olá leitores, desculpem a demora na atualização, mas estou em Natal, curtindo um solzinho, depois dos temporais que castigaram o Rio de Janeiro e amendrotaram, inclusive, os nossos valentes cavalos de corrida.

Na segunda-feira, quando começou o sofrimento dos cariocas com as chuvas, na raia do Hipódromo da Gávea ocorriam as corridas normalmente. Sendo que quem dava o show na raia eram os aprendizes, feito que encheu de orgulho os cavalos de corrida, cujo os mesmos, conversando comigo na mesma noturna, enalteceram o serviço dos "meninos" da Escola de Aprendizes do Jockey Club Brasileiro.

"Disputei um bonito páreo com Demi Cindy, que estava sendo conduzida por V. Borges (Ap. 3). Sendo que A. F. Matos estava mais seguro e conseguimos livrar cabeça no disco final. Se logo no início da noturna, dois aprendizes já proporcionaram uma disputa acirrada e limpa, com certeza mais coisas boas iriam acontecer", explicou a vencedora Redigida, uma filha de Redattore e Unity (Ringaro), que foi conduzida por A. F Matos (Ap. 3) e abriu a programação do Hipódromo da Gávea.

Mas se V. Borges (Ap.3) perdeu com Demi Cindy na abertura da reunião, no 3° páreo o garoto não deu chance ao azar. Sobre o dorso da favorita La Judoca, garantiu uma fácil conquista.

"Impressionante a vontade de vencer do garoto. Parecia que montava há anos. Deixou que eu corresse do meu jeito, sem me forçar a nada. Sentiu quando as adversárias poderiam perturbar e me trouxe com extrema facilidade ao disco final. Agradeço ao V. Borges pela minha vitória", falou La Judoca, uma defensora do Stud Big Winner's.

Na 6ª prova da reunião, V. Borges (Ap.3) surpreendeu mais uma vez conduzindo o grande azar Primeiro Comando.

"Todos achavam que eu não tinha chance alguma na corrida, sendo que a pista de areia estava do jeito que eu gosto, bem encharcada, e tinha sobre o meu dorso o aprendiz V. Borges, que não desiste de uma boa briga. Tomamos a ponta e senti a aproximação forte de Martelete D'Oro. Faltando uns 80 metros para o disco, vi que o rival tinha me ultrapasado. Estava disposto a entregar as pontas, foi quando senti o garoto se mexer sobre o meu dorso, exigindo na medida certa uma reviravolta.

A atitude dele mexeu comigo, então não quis desistir. Corri com todas as forças que me restavam e fomos recompensados, pois livrei cabeça de vantagem ao cruzar o disco. Volto a afirmar que o êxito é tão meu quanto do jovem aprendiz", discursou emocionado Primeiro Comando.

Sendo que mal voltamos a respirar após o final emocionante entre Primeiro Comando e Martelete D'Oro, na prova seguinte, a 7ª do programa, novamente os aprendizes surpreenderam com a mesma intensidade das chuvas.

C. Henrique (Ap.3) e H. Fernandes (Ap.2) fizeram um mano a mano perfeito conduzindo, respectivamente, Dá-lhe Mossoró e Al-Majd. O primeiro levou a melhor.

"Gostei muito da coragem de C. Henrique (Ap.3) sobre o meu dorso. Não desistiu da corrida em momento algum e também não permitiu que eu fizesse isso. Espero contar com o jovem em outras oportunidades", derrete-se Dá-lhe Mossoró.

Leitores, até parece que o C. Henrique (Ap.3) escutou o meu papo com Dá-lhe Mossoró, pois na corrida seguinte, o garoto tratou de desbancar os adversários conduzindo a égua Kate-Five. A filha de Astor Place e Kate Vanilla (Choctaw Ridge), criada no Haras San Francesco, não economizou nos elogios ao aprendiz.

"Se todos os jóqueis conduzissem com a vontade e a determinação do C. Henrique (Ap.3), facilitariam a vida de nós, corredores. O momento da corrida depende do desempenho de nós, cavalos, e deles, jóqueis. Muitos desistem antes de alcançar o disco, fazendo com que nós também. Mas não entendem que sentimos a vibração de quem realmente quer ganhar. Foi essa sensação do C. Henrique que me fez superar toda e qualquer dificuldade de atuar na chuva para vencer o 8° páreo carioca", disse Kate-Five.

E para encerrar a reunião dos aprendizes, nada mais justo que um deles ganhar o último páreo. Foi o que fez H. Fernandes (Ap.2) sobre o dorso de Abaixo do Par.

"Ele tem melhorado cada vez mais. Nas cocheiras, conversamos sobre os profissionais que atuam e o nome de H. Fernandes sempre é lembrado. Principalmente porque o garoto, diferente de outros jóqueis, não nasceu sobre o dorso de um cavalo. Ele gostava de nós e tratou de aprender com empenho cada detalhe nosso.

Está com muitas conquistas justamente por este trabalho de não desistir de aprender sobre como nós, cavalos, funcionamos. Fechamos a reunião de segunda-feira com a certeza de que bons jóqueis estão sendo formados na Escola de Aprendizes do Jockey Club Brasileiro", discursou Abaixo do Par, um pensionista de Marcos Ferreira.

Bem, como o próprio Abaixo do Par frisou, uma ótima safra de aprendizes está saindo da Escola de Aprendizes do JCB, o que será bom para o espetáculo das corridas de cavalo.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

O glorioso pedido de um campeão



No último sábado, dia 27 de março, por volta das 15h, horário de Brasília, estava chegando no Hipódromo da Gávea e liguei do meu celular para Dalva de Oliveira. O motivo: dar os parabéns pela conquista de Glória de Campeão na Dubai World Cup 2010 (G1-2000mA), fato que engrandeceu todos os verdadeiros amantes dos cavalos de corrida e também a nossa criação nacional.

Fui surpreendida ao ser atendida com um relincho. Não leitores, não era a titular do Stud Estrela Energia que estava relinchando e sim o próprio Glória de Campeão quem me atendeu.

"Karol Loureiro, estava mesmo querendo falar com você já tem um tempo. Precisei vencer a Dubai World Cup para conseguir tal feito?", ele me indagou.

Num primeiro momento, fiquei sem palavras, pois há tempos que não conversava com um puro-sangue inglês e, Glória de Campeão, é desses cavalos que tenho como ídolo, por sua categoria e raça em qualquer raia do mundo.

Então dei os parabéns ao filho de Impression e Audacity (Clackson), criado no Haras Santarém, por mais uma excepcional conquista, relatando o quanto eu e diversos outros brasileiros estavamos felizes pela vitória internacional milionária. No que Glória de Campeão me respondeu.

"Agradeço as palavras e sei que são verdadeiras, mas penso que você gostaria de saber o por quê que eu estava lhe procurando para falar?", me perguntou novamente. Não tendo muita escapatória, concordei e quis saber do cavalo de 6 anos o que queria comigo, no que fui prontamente atendida.

"Estou chateado com você. Afinal de contas, ler o CERCA MÓVEL é a minha diversão aqui no exterior, pois fico sabendo de tudo o que anda rolando entre os cavalos e éguas que estão no Brasil. De repente, do nada, não vejo mais atualizações. O que aconteceu? Deixar de nos ouvir não é, pois estás falando comigo agora. Então é bom que tenhas uma boa desculpa, pois nos proporcionar uma leitura agradável e descontraída durante bom tempo e depois cortar sem mais nem menos não é legal. Ou você me dá uma boa explicação ou nunca mais lhe concedo uma entrevista exclusiva", bufou Glória de Campeão.

Leitores, fiquei uns 30 segundos sem falar nada. Apenas compreendendo o que acabava de ouvir do nosso campeão internacional. Então percebi que devo desculpas a ele e a todos vocês que visitam este espaço semanalmente, além de um esclarecimento de tudo o que realmente aconteceu.

Infelizmente passei por uma turbulência na minha vida pessoal, no meu relacionamento mais íntimo, digamos assim, e isso influenciou a minha forma de pensar e agir. Escrever o CERCA MÓVEL é um prazer imenso, que faço com um grande gosto e sempre muito feliz. Sendo que eu não estava feliz para escrever. As palavras não vinham, as ideias, as entrevistas, nada surgia, porque estava mal por dentro.

A dor no peito não permitia que eu transbordasse alegria para escrever nesse espaço. Precisava curar. Dizer que estou completamente curada seria uma mentira, mas a alegria proporcionada pelo Glória de Campeão em Dubai, o que demonstrou a força dos nossos corredores em qualquer lugar do mundo, fez com que eu voltasse a sentar em frente ao computador e digitasse todo o texto que vocês estão lendo agora.

Lógico que também não poderia perder a exclusividade em conversar com o nosso glorioso campeão, nem com todos os outros cavalos que atuam dentro e fora do Brasil, pois tudo de bom que construi na minha vida, foi graças a eles. Assim como eu, diversas pessoas dependem de suas patas, de sua coragem, de seu desempenho, e, acima de tudo, de sua fidelidade.

Todo cavalo de corrida é fiel ao seu dono, ao seu treinador, ao seu jóquei, ao seu cavalariço, ao seu torcedor, enfim, a todos que o cercam. Obrigada Glória de Campeão por trazer de volta a minha alegria em escrever este CERCA MÓVEL!

sábado, 12 de dezembro de 2009

Cerca Móvel, o retorno

Aos meus fiéis leitores do CERCA MÓVEL, sei que devo uma explicação para lá de satisfatória pela longa ausência em atualizar este blog. Primeiramente, quero deixar claro que não perdi o meu “dom” de entender o que os cavalos falam, pensam, enfim, como eles interagem conosco, humanos. O grande problema é que criei, se assim posso chamar, um novo projeto e me aprofundei ainda mais no universo dos cavalos de corrida, mas o tempo começou a ficar escasso e, por tudo isso, não consegui dar conta de deixar vocês sempre atualizados com o meu novo universo.

Passei a fazer catálogos de criação e, visitando os haras, conheci alguns garanhões que dão o que falar, cada um com cada estória de romance imperdível; conversei com reprodutoras campeãs que relembraram algumas aventuras dentro e fora da pista; isso sem falar dos potros e potrancas ao pé, que mesmo sem largarem as 'tetas' das mães, já demonstram que nasceram para brilhar.

Sim, também tive de tentar aperfeiçoar o meu 'sofrível' inglês, para me comunicar com algumas potrancas americanas que estão sendo recriadas no Brasil e, se assim posso dizer, pegando a ginga nacional. Algumas, belíssimas, diga-se de passagem.

Enfim, no meio disso tudo, e das incontáveis viagens, conversei com Goecochea, o potro que derrotou meu amigo e grande incentivador desse blog, Starman, no GP Bento Gonçalves (G1-2400mA), em novembro, no Hipódromo do Cristal. Inclusive, no dia da festa máxima gaúcha, fui testemunha ocular do namoro engatado entre dois corredores do Stud Duplo Ouro.

Passei por São Paulo e conferi o vôo de Tenarin, surpreendendo a tudo e a todos no importante GP Derby Paulista (G1-2400mG), no Hipódromo de Cidade Jardim. Na mesma tarde, Mr.Nedawi alcançou a preparação perfeita rumo à sua principal conquista da campanha, na última semana, no Hipódromo do Tarumã, quando ganhou, com todos os méritos e de maneiro sensacional, o Grande Prêmio Paraná (G1-2400mA).

Aliás, para falar do Paraná, eu teria de informar a todos que os proprietários, criadores, imprensa, enfim, turfistas em geral, quase “roubaram” a festa, tamanha disposição que se apresentaram seja na festa do páreo Balada, na madrugada de sexta para sábado, ou no domingo, dia da grande festa paranaense.

Como vocês podem perceber, muita coisa rolou e participei de tudo ativamente, tanto que consegui ganhar uma gripe, um jantar e o hexacampeonato brasileiro com o meu MENGÃO. Aliás, as cores rubro-negras fazem bem a muita gente e a muitos cavalos de corrida.

Portanto, para a coluna não ficar demasiadamente longa, vou deixar aqui as frases principais ditas por alguns dos personagens citados anteriormente.

“Sou guri, mas corro muito. Que venha o Ramirez!”, Goecochea, emocionado.

“Ganhei esta para você, agora quero o meu prêmio prometido”, relinchou Ladrilheiro para First Julia, após ganhar o páreo velocidade. Em seguida, após receber a sua recompensa, que não posso divulgar nesse espaço, foi retribuido novamente por First Julia, que levou com facilidade o páreo das éguas na mesma tarde. Eles formam um casal campeão, ninguém pode negar.

“Peguei carona com o sucesso do meu proprietário e criador e tratei de 'avoar' também. Quem sabe, numa dessas, eu viro um astro do cinema”, brincou Tenarin com relação a João Daniel Thikomiroff.

“Estamos longe de tudo, mas bem próximo das éguas mais cobiçadas do Brasil”, Dodge, garanhão do Haras Anderson, falando da sua profissão, em Bagé.

“Na raia, a vida era mais agitada, sem dúvida, e as coisas mais difíceis, mesmo tendo um contato maior com os humanos. Mas aqui, reencontrei a minha natureza animal e não penso em outra coisa a não ser em ver o meu herdeiro nascer”, Furia Olímpica, morando no Haras São Quirino, em Campinas, e cheia de seu primeiro produto.

“É muita emoção ganhar o primeiro Grupo 1. Acreditava que seria capaz, mas sabia das dificuldades. Fico feliz que tudo tenha saido bem e pretendo descansar para, em 2010, tentar novo Grupo 1 na campanha. Quem sabe, na raia de grama?”, Mr. Nedawi voltando da raia, mas sem querer ir para a foto da vitória. “Sou timido. Prefiro comemorar com a turma da cocheira”, admitiu.

Bem leitores, espero que vocês tenham gostado desse pequeno resumo do que aconteceu. Logo mais estarei chegando na Argentina e pretendo entrevistar o vencedor do GP Internacional Carlos Pellegrini (G1-2400mG), porém a matéria sairá apenas na próxima edição do sempre nosso CERCA MÓVEL.