segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Top Hat comemora o Brasil 2008

Muito sorridente e não dando nenhum sinal de cansaço, o alazão Top Hat cumpriu o prometido e falou com exclusividade com o CERCA MÓVEL após conquistar o Grande Prêmio Brasil 2008 (G1-2400mG), realizado no 7º páreo de ontem (domingo), no Jockey Club Brasileiro.

Apenas ofegante, o filho de Royal Academy e Tavira (Effervescing) preferiu começar a reportagem falando sobre os seus familiares.

“Sou irmão materno da Tale e Quale, égua que no ano 2000 venceu o GP Organização Sulamericana de Fomento ao Puro-Sangue de Corrida (G1-2000mG), hoje chamado de Roberto e Nelson Grimaldi Seabra. Na mesma semana internacional carioca, Straight Flush, que assim como eu tem como avô materno Effervescing, vencia o primeiro GP Brasil para o Haras São José da Serra e tinha 5 anos. Fico extremamente satisfeito em manter a qualidade dos produtos lá nascido ao ganhar a importante carreira aos 6 anos”, reconhece.

Sobre o jóquei, o alazão não precisou se estender muito. “Eu e o Altair Domingos formamos uma parceria que funciona. Consegui o bi no GP ABCPCC – Matias Machline (G1-2000mG), em junho deste ano, em São Paulo, com ele sobre o dorso. Só corri o GP Brasil deste ano porquê Altair confirmou que me conduziria. Caso contrário, preferia nem viajar para o Rio de Janeiro.”

Na prova máxima carioca, Top Hat não deu confiança nem ao companheiro de cocheira Quick Road, muito menos aos outros competidores.

“Cheguei a pensar que teria alguém no meu pé, mas ninguém veio me pertubar, o que tornou ainda mais fácil a minha conquista. A baliza 1 foi presente dos deuses dos cavalos, pois fui sem problemas para a ponta e em momento algum me senti ameaçado. No final da reta oposta, queria iniciar a atropelada e ainda tentei virar o pescoço para ver se alguém estava se aproximando, mas como senti o Domingos tranqüilo sobre mim, continuei galopando confiante.

Chegou na reta final, faltando apenas 300 metros para o disco, foi quando meu jóquei se mexeu. Sendo assim, que me desculpe o Quick Road, companheiro no Stud JCM, que vinha treinando muito para esta prova, mas não tive como não vencer o páreo. Só se eu parasse e aguardasse ele passar”, brinca, sob o olhar reprovador de Quick Road, que estava ao seu lado, acompanhando de perto o bate-papo.

Sendo que Top Hat aproveita para deixar um recado. “Só teve uma coisa que não gostei. Meus adversários, que não ficaram na raia porque perderam, não tiveram o susto que tomei com aquela chuva de papel picado. Fala sério, queriam me matar do coração? Espero que não me deixe um trauma àquele momento.”

Nesse instante, o cavalariço Reginaldo trás água para o alazão, que bebe o balde em poucos instantes para poder retomar a entrevista.

“É por isso que fico muito mais feliz em vencer uma prova importante como o GP Brasil. Pelos profissionais que cuidam de nós como se fôssemos seus filhos. O Reginaldo comigo e o Leandrão, com Quick Road, fazem-nos muitos mimos, isso sem falar do nosso treinador João Macedo. Ele viaja conosco no caminhão, ao invés de ir de avião como outros treinadores fariam. Sem falar que está aqui conosco, e não no pódio recebendo o troféu, pois o mais importante para ele não é aparecer e sim nós (os cavalos) sermos reconhecidos.

Também não posso esquecer do Julio Cesar Mesquita, que nos adquiriu e nos deixou sob os cuidados do Macedo. Sei muito bem que poderia ter sido negociado para o exterior e ter um futuro incerto. Sim, porquê já soube de casos que produtos brasileiros, acostumados com alguns mimos de seus cavalariços no país, chegam nos Estados Unidos, ou nos Emirados Árabes, e precisam, além de se ambientar com o clima, agüentar treinamentos inadequados, pondo fim a uma campanha que poderia ser gloriosa.

Vejam meu caso. Tenho 6 anos e me sinto com 4, que foi quando corri pela primeira vez o GP Brasil. Na época, fiz parelha com o Tchintchulino e ambos fomos prejudicados, mas ainda cheguei na 6ª posição. No ano seguinte, comecei a fazer parelha com o Quick Road e me sinto honrado em ter cumprido meu papel de faixa no GP São Paulo (G1-2400mG). Cheguei longe, mas ele ganhou a prova.

No Brasil do mesmo ano, foi a vez dele sofrer prejuízos ferrenhos e amargar um 9º lugar. Eu, por minha vez, fui 4º colocado. Agora, em 2008, queria muito que o Quick Road ficasse com a vitória, mas vencer é muito bom sempre. Por eu ter permanecido na equipe, consigo colocar em minha campanha essa prova máxima carioca”
, empolga-se nas palavras Top Hat.

Quis saber o que o alazão pretende para o futuro, no que fui prontamente respondida.

“Hoje (domingo) quero curtir esta vitória, voltar para a minha cocheira no Centro de Treinamento Porto Feliz e comer muito. Depois eu devo descansar alguns dias até voltar a trabalhar forte. Quero muito encerrar minha campanha no GP Latino Americano 2009 (G1-2000mG), que na próxima edição será realizado no Hipódromo de Cidade Jardim, raia que muito conheço e na distância que tenho preferência.

Todos sabem que passei a ser muito mais visado pela crônica turfística após vencer o GP ABCPCC - Matias Machline (G1) de 2006, pois além de ter sido meu primeiro Grupo 1, também obtive o recorde dos dois quilômetros paulista, que, modéstia parte, acho difícil alguém abaixar de 1’56”294.

Ganhar o Latino Americano garantiria meu quarto Grupo 1 na campanha e assim poderia ir tranqüilo atuar no haras como garanhão, escolhendo as melhores éguas para cobrir”
, sonha alto.

Indaguei sob a possibilidade do mesmo correr o internacional GP Carlos Pellegrini (G1-2400mG), final do ano, na Argentina.

“A resposta anterior casa-se perfeitamente com a sua pergunta. Entre correr 2.400 metros ou 2.000 metros, prefiro o último caso. Se tiver de ir, tudo bem, mas prefiro que Quick Road represente a equipe do JCM. Deixa o velhinho aqui descansar para encarar o Latino Americano!”, sorri o vencedor de 11 corridas, sendo sete clássicas (quatro de Grupo 1) e seis colocações, dando por fim a entrevista exclusiva prometida.

Foto: Karol Loureiro

Um comentário:

Marco Aurélio Ribeiro disse...

Kaká,

Lembro que quando vc falou sobre a idéia do Cerca Móvel, tanto eu quanto um jornalista conhecido nosso, vibramos com a idéia. Com o tempo, você aprimorou as conversas com os "bichos" e hoje seu blog é leitura obrigatória. Mais uma vez, parabéns. Quanto à foto de abertura do meu blog, não foi coisa de amigo e sim da qualidade do seu trabalhos.

Bjs

Marco