Suaposta

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Desabafo de fim de ano


Olá leitores, espero que todos tenham tido um ótimo Natal. Nesse meio de semana, que antecede mais um ano que está por vir, recebi uma queixa e preciso relatar a vocês. Quem enviou o foi o 4 anos Feliz Natal. O filho de Notation e Highland Daisy (Ghadeer) tem apenas uma vitória, em 11 saídas e explicou o motivo para o Cerca Móvel.

“Amiga, encontrei um local para soltar o verbo. Fui brindado com um nome festivo, tudo indicava que seria um craque, pois basta ver de quem sou neto. Porém, nada foi como os meus criadores e proprietários queriam.

Tentei correr o melhor possível sempre, mas não conseguia. Até que chegou meu primeiro Natal já em campanha, ou seja, no ano anterior. Trazia dois segundos lugares e, mesmo assim, não me deram folga nem no meu dia e muito menos na virada do ano. Não me chateei com isso, pois acreditava que todos os atletas trabalhassem tanto quanto eu, até que me surpreendi ao observar os noticiários.

Os nadadores, jogadores de vôlei e, principalmente, os jogadores de futebol, que ganham uma baba, tiram férias nesses dias. E quanto a nós eqüinos? O tempo nunca pára.

Não estou querendo entrar em greve, nem muito menos iniciar um movimento sindical para os Puros-Sangues Inglês, de forma alguma, pois adoro correr e os meus colegas também. Mas bem que merecemos melhores raias e uns prêmios mais justos para os nossos proprietários, possibilitando, ao menos, ceias de final de ano mais fartas.

Sim, não posso esquecer dos jóqueis, que às vezes exageram no chicote. Eles têm de entender que também temos os dias que não estamos muito a fim de correr, ora bolas. Ficar batendo na gente não vai adiantar de nada. Só vai fazer com que apareçam hematomas em nosso corpo.

Queria muito que o Papai Noel dos PSI pudesse ler este meu desabafo, para no próximo ano, quem sabe, os meus desejos e dos meus colegas eqüinos serem realizados. Deixar de correr, nem eu, nem meus amigos queremos, mas desejamos melhores condições de trabalho.

Não nego que fiquei com inveja depois de ter acompanhado a festa do Pellegrini dos nossos vizinhos argentinos. Por que eles podem e nós não? Está certo que a raia de grama de lá não é grandes coisas, mas a presença do público empolga qualquer atleta a querer sempre mostrar algo mais. Aliás, por que vocês acham que o Latency ganhou a prova portenha? Muito simples meus caros, por ele ser argentino e ter escutado os gritos de sua torcida.

Pois bem, tenho certeza que meus colegas eqüinos pensam como eu. Quero propor o seguinte: abrimos mãos das férias de final de ano com prazer, desde que tragam aos Jockeys Clubs mais crianças e adolescentes, que com certeza irão ficar impressionados com a nossa beleza e poderio locomotor.

Enfim, que 2008, um ano de eleições importantes nos dois maiores Jockeys Clubs do país, seja pródigo em renovação para os cavalos de corrida, afinal de contas, merecemos sempre o melhor, pois sabemos a quantidade de empregos (diretos e indiretos) proporcionamos pelo país afora.

Desde já, um grande abraço. Feliz Natal!”

Como vocês puderam observar, os nossos cavalos estão meio de saco cheio das coisas erradas que os cercam. Tomara que tudo melhore para eles e para nós em 2008. Um Feliz Ano Novo!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Brasileira faz ataque nuclear na Argentina




A programação do Gran Premio Carlos Pellegrini (G1-2400mG), realizada no último sábado, no Hipódromo de San Isidro, foi sem dúvida espetacular! Como jornalista, fotógrafa e fiel ouvinte dos cavalos de corrida, fiquei em êxtase, principalmente com a atuação de Eletro Nuclear (foto1) no quilômetro do GP Félix de Alzaga Unzué, quando formou a dupla para Misty Lady no Grupo 1.

Dias anteriores, como descrevi na última coluna, tinha ido assistir aos últimos galopes da potranca e dos dois potros brasileiros (Mr.Universo e Meu Rei) na pista de areia do hipódromo argentino. Na ocasião, não tive como não perceber o assédio dos cavalos estrangeiros (em especial, os peruanos) para com Eletro Nuclear.

A filha de Dodge e Maravilhas (Clever Trick), criada pelos irmãos Marcos e Mauro Ribeiro Simon, procurava não ser indelicada com os seus, digamos, fãs, porém não negou a chateação de Mr.Universo com a situação.

“Ele é muito tímido. Tentava disfarçar que estava tudo bem, mas dava para perceber que morria de ciúmes”, sorriu Eletro Nuclear.

O charme e a elegância da defensora do Stud Farda Vencedora foram, sem dúvidas, culpadas pelas atuações abaixo do esperado de dois corredores no GP Carlos Pellegrini, que o Cerca Móvel revelará com exclusividade para vocês leitores: o americano Al Kadir (que defendia interesses peruanos) e o brasileiro Mr.Universo. Lógico que vale ressaltar que, independente de tudo o que vocês irão ler agora, a vitória de Latency na carreira foi indiscutível.

Mas, vamos ao relato!

“Na noite de sexta-feira, anterior à grande corrida, estava me preparando para dormir e alguém bateu com força na porta do meu box. Fiquei um pouco assustada e perguntei quem era? Ninguém respondeu. Simplesmente, bateu com mais força. Levantei e fui me aproximando da porta, quando olhei pelas frestas, vi que era o Al Kadir (foto2), todo gracioso, querendo falar comigo.

Perguntei o que queria e ele respondeu que estava apaixonado por mim, que não conseguiria viver sem mim. Pedi para o cavalo se acalmar e que apesar de acha-lo atraente (ele usava algumas tiaras nos pelos localizados atrás da cabeça, que era um charme), já estava interessada em outro cavalo.

Nesse instante, senti o bafo do Al Kadir e percebi que ele tinha tomado algumas tequilas escondido. Ele tentou me agarrar a força e fiquei com muito medo. Quando ele me encuralou, fechei os olhos e fiquei aguardando o pior. Porém, para minha surpresa e alivio, nada mais aconteceu!

Abri os olhos e vi o Mr.Universo brigando firme com Al Kadir. Apesar de mais novo, o filho de Roi Normand e Trephine (Trempolino) conseguiu colocar o americano para correr e me salvar de um ataque.

Sendo que o episódio só foi terminar por volta das 5h30m da manhã e todos nós ficamos cansados. Al Kadir, nervoso como só ele, não aceitou o fato de ter perdido a disputa para um potro de 3 anos e preferiu não atuar na grande prova. Fez questão de não entrar no partidor e ainda demonstrou toda a sua força, quando quase machucou o jóquei que estava sobre seu dorso. Resultado, foi retirado pela Comissão de Corridas.

Mr.Universo, depois de ter lutado firme na madrugada para salvar a minha honra, também ficou desgastado e acabou atuando abaixo das suas reais qualidades. E eu, só perdi o páreo, porque praticamente não dormi e vivi momentos de extrema tensão durante toda a madrugada”,
revelou Eletro Nuclear por telefone na tarde de ontem, poucas horas antes de embarcar com Mr.Universo para os Estados Unidos, onde ambos irão dividir uma bela cocheira em Los Angeles, aos cuidados de Paulo Lobo.

Bem leitores, acredito que assim como eu, vocês tenham ficado boquiabertos com o ocorrido. Depois de não dormir durante toda a madrugada, na véspera de sua principal corrida, Eletro Nuclear ainda conseguiu manter a dupla para Misty Lady no quilômetro internacional, na marca de 53”27, apenas 20 centésimos acima do recorde de Locomotivo, que já dura 10 anos.

Sem dúvidas, a brasileirinha deverá “eletrizar” bastante nas pistas americanas. Boa sorte para os dois corredores!

HI SOCIETY - Rindo à toa está o cavalo Hi Society, que venceu no último domingo o GP Bento Magalhães (2400mA), a principal prova do turfe nordestino, realizada no Hipódromo da Madalena, no Recife. Por e-mail, o filho de Dark Brown e Sociedad (Restless Jet), criado pelo Haras Rosa do Sul, teceu os seguintes comentários sobre a corrida.

“Nunca neguei dos meus amigos que, diferente da maioria dos Puro-Sangue Inglês, eu prefiro o calor ao frio. Bastou me trazerem para o Nordeste, que eu confirmei na pista o que dizia. O ‘Bentão’ foi uma bela conquista, mas não me deu trabalho nenhum. Só espero que meus responsáveis leiam esta coluna, pois quero passar a tomar água de coco todos os dias, para manter o peso e ficar em forma para qualquer novo desafio.”

Como o campeão do Bentão 2007 teve o trabalho de nos escrever e contar como está após a vitória, vale destacar o pedigree dele. Hi Society foi o último filho produzido por Sociedad, tendo como irmãos: Imperatriz Rafaella (vencedora de Grupo 1 e colocada clássica), Frascatti (dona de duas conquistas em Grupo 3 e formou a dupla em Grupo 1) e Gary Stevens (vencedor de Grupo 2 e Listed Races). Parabéns Hi Society e curta bastante a água de coco nordestina (a melhor do mundo!).

NATAL – Um Feliz Natal a todos os amigos e leitores da coluna e vamos acompanhar de perto as emoções do GP Consagração (G2-2800mG), neste sábado, assim como o tradicional GP Natal (G3-1800mG) domingo, ambos em Cidade Jardim.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Brasileiros pretendem tocar pandeiro no tango argentino



Leitores, estou na Argentina desde a tarde de ontem e, pelo menos olhando o relógio, num primeiro momento, me senti no Nordeste, pois aqui segue a mesma hora da minha amada João Pessoa, porém não tem as praias maravilhosas que a minha “terrinha” proporciona aos seus moradores e visitantes. Mas, esqueçamos um pouco a Paraíba e voltemos aos cavalos de corrida, pois o Pellegrini se aproxima.

Do aeroporto de Buenos Aires até o Hotel, na Rua Corrientes, não tem como não sentir o clima do GP Carlos Pellegrini. No saguão do aeroporto, antes de pegar o táxi, um grande telão exibia cavalos (aqui caballos) correndo. Dentro do táxi, passando pelas ruas portenhas, avistei alguns muros com a descrição: “O Natal chegou mais cedo!”, por conta da realização da principal prova do Hipódromo de San Isidro.

Cheguei ao hotel, com um calor de 28º, até me sentindo um pouco ainda no Rio de Janeiro, e tratei de tentar localizar a esperança dos turfistas brasileiros: Meu Rei e Mr. Universo. Ambos estavam bem adaptados nas cocheiras reservadas aos cavalos estrangeiros em San Isidro, já haviam feito o reconhecimento da raia de grama e me garantiram que na quinta (hoje), nos encontraríamos.

Pois bem, hoje, às 5h40m estava no prado e conversei com os potros pessoalmente. A cocheira para os estrangeiros estava cheia de peruanos, alguns até bem comentados, como Al Kadir, que na realidade é americano, mas tem toda campanha no Peru.

Mr.Universo já havia sido escovado e estava uma pintura. Me recebeu com sorrisos. “Olá, fez boa viagem? Você perdeu uma boa foto ontem. Gostei da raia de grama, é mais dura sem dúvidas, mas estou pronto para qualquer disputa”, quando terminou de falar, chegou o treinador Selmar Lobo com João Moreira.

Passado um box, quem estava sossegado, deliciando-se com uma maça, era Meu Rei. Sem dúvidas, tratado como um verdadeiro rei por Dendico Garcia Tosta, que cortava a fruta e colocava na palma da mão para satisfazer o potro (foto).

“Adoro maça!”, ponderou em dizer o potro, que estava chateado comigo por saber que eu, como boa flamenguista, andei tirando um sarro dos corinthianos rebaixados. Mas juro leitores, não sabia que Meu Rei torcia para o clube paulista. Paciência!

Os dois potros entraram na raia. Mr.Universo, que vem de vencer o GP Derby Paulista (G1-2400mG), fez questão de sair bem na foto quando passou por mim, sob o controle de João
Moreira. “Bate logo que já vou sair”, falou me olhando (foto). Quando voltava para a cocheira, o filho de Roi Normand e Trephine comentou. “Estou me adaptando bem aqui, quem sabe não repetimos a foto de novembro”, referindo-se ao êxito em Cidade Jardim.

Meu Rei, confirmando que estava chateado comigo, passou e nem me deu bola. Apenas preocupou-se em fazer um bom exercício, pois era observado atentamente pelo proprietário Helio Biscaro.

Quando saía da raia, o surpreendi, fazendo uma foto dele com o proprietário. Mais relaxado e voltando as pazes, Meu Rei conversou comigo. “O tempo continuando firme, mantendo a raia leve, me favorece sem dúvidas. Só estou me exercitando para manter a forma. Quem sabe no próximo sábado, dou alegria aos corinthianos, fazendo a festa na raia argentina. Pois, ganhar deles, em qualquer gramado, é sempre satisfatório e lava a alma”, sorriu o potro, já entrando na cocheira.

Bem, tirando as diferenças futebolísticas, não posso negar que Meu Rei está coberto de razão: vencer dos argentinos, seja na grama de San Isidro, ou nos campos de futebol, é sempre um motivo a mais para vibrar.

Para não perder o “marketing” do GP Carlos Pellegrini (G1-2400mG), marcado para o próximo sábado, dia 15, aqui no Hipódromo de San Isidro, tomara que o Natal realmente tenha chegado mais cedo, mas ao som dos pandeiros e tamborins brasileiros.

PERUANOS

Quem levou uma grande torcida de Lima foi Dushambe, cavalo de 4 anos, pequenino, e que será conduzido por Pablo Falero. Ele entrou na raia todo convencido. “Viu que o Falero veio logo cedo apenas para me galopar. Quem vê tamanho, não vê coração! Os argentinos e brasileiros que se cuidem comigo”, falou olhando para mim.

ELETRO NUCLEAR

A potranca Eletro Nuclear vem chamando atenção. Única fêmea da cocheira dos estrangeiros, a pupila de Nilson Lima já começa a se acostumar com a badalação. “É difícil compreender a língua deles e também Mr. Universo, que está no box do lado, amendronta os mais afoitos”, entregou a castanha, que está preparada para atuar no quilômetro internacional, também marcado para sábado.

Fotos: Karol Loureiro, direto da Argentina

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

No embalo do amor




Prezados leitores, desculpem-me pelo atraso em colocar esta coluna no ar, porém compromissos inadiáveis e uma viagem distante me deixaram sem, acreditem, internet para que eu conseguisse publica-la. No mundo de hoje, onde até os cavalos se comunicam, não ter internet é, sem dúvidas, um caso inesperado, mas não vamos perder tempo e voltemos às minhas estórias.

Alguns de vocês devem estar lembrado do caso de amor entre Be Fair e Super Power, revelado pela jovem Be So Fair, filha da égua. Pois bem, nas últimas semanas, também no Hipódromo da Gávea, fui testemunha de um lindo momento amoroso.

No dia 24 de novembro, sábado, abrindo o programa carioca, três potros e três potrancas entraram na raia de grama para enfrentarem o quilômetro. Durante a apresentação dos mesmos, observei que Gran Moro passava cabisbaixo, assim como a tordilha Ritmo de Festa.

Pude escutar que o potro do Stud Barone pensava, em voz alta, “Ela não me quer mais, sou um bobo, mas não mereço isso. De hoje em diante, não vou mais amar ninguém e irei me dedicar exclusivamente ao trabalho.”

Instantes depois, uma bonita tordilha, de olhos marejados, deixava claro para mim que tinha escutado o que Gran Moro estava pensando. Como? Eu não sei leitores.

No decorrer da disputa, o potro filho de Monsieur Renoir e Chabeli (Señor Pete), de criação do Haras Campestre, não quis saber de nada. Foi para frente, encarou um forte duelo com Ptangel, que lhe provocava.

“Tu já era rapaz, a garota está me dando mole. Pode parar de correr atrás dela, que esse páreo eu já ganhei”, desdenhava o defensor do Stud Palura, para pertubar ainda mais a cabeça do jovem apaixonado.

Mesmo triste, Gran Moro não desistiu. “Pode ser que ela tenha desistido de mim, porém ainda a amo. Tentarei esquece-la e vou deixa-la em paz, mas vou torcer para que Ritmo de Festa consiga alguém melhor que você!”

Dito isso ao rival, tratou de dominar a corrida e, mesmo com a fisonomia triste, seguiu firme para disco de chegada, determinado a cumprir com seu objetivo: vencer a corrida e acabar logo com aquilo, pois trocaria de turma e não mais encontraria Ritmo de Festa.

Enquanto isso, acompanhava o train dos potros, em terceiro, a potranca Ritmo de Festa, que ouviu o diálogo dos ponteiros. “Eu o amo sim, ele é um bobo, mas o quero assim mesmo. Não posso abrir mão do que sinto”, ela pensava e corria ao mesmo tempo.

Faltando 300 metros para o disco, Gran Moro continuava pensando em voz alta. “Vou parar de amar, eu preciso! Não agüento mais sofrer. Quando a alazã lá da cocheira me olhar novamente, vou partir com tudo para cima dela. Tenho de me valorizar. Adeus Ritmo de Festa, agora eu não te quero mais!”, e disparou, pronto para obter a conquista e esquecer a sua amada de vez.

Sendo que caiu a ficha de Ritmo de Festa, que tratou de ir atrás de seu amado.

“Pare meu amor, eu te quero mais que tudo. Também fui uma boba em te tratar mal. Temos de parar com as brigas e viver o nosso romance com todas as nossas forças”, ela gritava e corria desesperada.

Mas Gran Moro não queria acreditar e permanecia firme na ponta, sem querer a aproximação da sua amada, foi quando ela deu um ultimato.

“Enquanto você pensava em voz alta, eu escutei tudo e compreendi que nada teria sentido sem você”, e numa atropelada sensacional, a tordilha emparelha com o amado e cruzam o disco empatados. Fizeram a alegria de diversos apostadores e saíram da raia muito mais apaixonados e prontos para continuarem com sua estória de amor.

Vale destacar que Gran Moro era favorito, enquanto Ritmo de Festa, filha de Patio de Naranjos e Ri à Toa (Hang Ten), criada pela Agropecuária e Haras Roll Ltda., era pule de R$ 8,60.

Os leitores devem estar se perguntando o por quê da briga do casal, correto?

Pois bem, a defensora do Stud Chico City II fez questão de explicar, antes de voltar para as cocheiras de W. Garcia Jr.

“Ele estava achando que eu andava saindo com PTangel. Na verdade, conversei com o potro uma ou duas vezes, por aqui, na Gávea, mas nunca tivemos nada. Gran Moro não queria acreditar em mim e isso me irritava profundamente, pois nunca dei motivo para tamanha desconfiança. Perdoei ele, porque vi o PTangel inventando estórias e também porque ainda o amo”, declarou a tordilha, que fez festa naquela tarde, com o seu amor.

ARGENTINA – Na próxima coluna, como estarei na Argentina, tentarei uma exclusiva com os brasileiros que tentam vencer o GP Carlos Pellegrini (G1-2400mG), são eles Mr.Universo e Meu Rei. Aguardem!
Foto: Gerson Martins

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Eles curtem uma boa foto


Olá leitores! Tem algo que ocorreu nos últimos dias que me deixou encucada e resolvi relatar a vocês. Como muitos já me conhecem, sabem que um dos meus maiores prazeres é a fotografia. Seja de pessoas, de lugares e, principalmente, de cavalos de corrida. Pois bem, antes mesmo de entender a linguagem dos cavalos, eu sentia que muitos curtiam tirar fotos.

Vocês devem estar achando que “viajei” de vez agora, mas é a mais pura verdade. Tem alguns cavalos que ao entrarem na raia, fazem questão de encarar a câmera fotográfica. Olham de uma forma tão encantadora que parecem falar: “Bate logo a foto!” Bem, mas como antes eu não os escutava, não sabia a verdade sobre o desejo deles.

Desde que passei a ouvi-los, obtive a certeza do que antes era apenas uma dúvida: eles (os cavalos) curtem sim serem fotografados. E não pensem que falo apenas das éguas ou potrancas, os machos gostam de aparecer muito mais. Diversos me pedem para clica-los, mas irei relatar quem comprovou a minha “teoria”.

No dia 10 de novembro deste ano, em São Paulo, quando trabalhava no GP Derby Paulista (G1-2400mG), o potro Bain Douche, defensor do Haras Europa, me proporcionou uma tarde paparazzi.

Eu estava no padoque, acompanhando a movimentação dos proprietários, treinadores e jóqueis, enquanto os potros caminhavam tranqüilos, seguros por seus respectivos cavalariços, antes de encararem a milha e meia.

De repente, escuto um relincho. Primeiro pensei que alguém havia assobiado; depois achei que fosse coisa da minha cabeça. Sendo que com o dom que adquiri, acabei escutando meu nome. Era o Bain Douche!

“Hey Karol, você não vai me fotografar hoje? Estou de bom-humor, aproveita!”, relinchou o potro, quando passou do meu lado.

Achei engraçada a situação. Não queria acreditar no que acabava de escutar, mas confesso que gostei da atitude dele. Diferente de diversos humanos, que adoram ser fotografados, mas fingem “odiar” máquinas fotográficas e paparazzos, lá estava o Bain Douche, pronto para uma grande corrida e disposto a sair bem na foto.

Leitores, tenham certeza absoluta e desculpem minha redundância, mas o que todo bom fotógrafo curte é ter um modelo que esteja disposto a ser fotografado. Podem acreditar nisso! É dessa sintonia que surge “a foto!”

Voltando a situação... Após ouvir a chamada do potro, não tive dúvidas, apontei minha Nikon em direção do filho de Know Heights e Uaiasol (Choctaw Ridge), também criado pelo Europa, e o mesmo simplesmente me deu uma aula de como deve se portar em frente à uma câmera. Virou a cabeça, deixou as orelhinhas em pé, me olhou fixamente e mostrou um leve sorriso nos “lábios”. Pronto, acabávamos de viver um momento mágico e vocês podem comprova-lo ao observarem a foto que ilustra esta matéria para tirarem qualquer dúvida.

O potro não venceu a prova, chegou em quinto para Mr.Universo, mas em matéria de fotografia, deu um vareio nos outros competidores.

A decisão dos proprietários de Bain Douche de leva-lo para fora do Brasil, deixará saudades nas minhas lentes. Porém, tenho convicção que outros fotógrafos sentirão o prazer de clicar o bonito castanho pelo mundo afora.

ANTI-SOCIAIS???

Ah, antes que eu esqueça. Diferente de Bain Douche, tem alguns cavalos que ODEIAM aparecer em frente às lentes. Durante o cânter, principalmente, fazem questão de virar a cabeça ao contrário. Alguns são tímidos, outros metidos, mas essa estória fica para uma próxima coluna. Até mais!

QUEM INSPIROU O STARMAN?

O Cerca Móvel invadiu o mundo virtual e cavalos dos Estados Unidos e Japão demonstram que acompanham também o turfe brasileiro. Dois cavalos garantem que o Starman imitou eles na corrida que perseguiu Cerutti, são eles: Gander e Keiba Karauma.

Para os leitores tirarem suas conclusões, vale a pena observar as corridas de ambos.

Para o páreo do tordilho Gander, basta acessar www.youtube.com/watch?v=UN2bG90Qxdc

Já a corrida do japonês Keiba Karauma pode ser localizada no endereço www.youtube.com/watch?v=TPdBWrGcB-U

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Starman presenteia maior jóquei do mundo com o Bento





O cavalo Starman e o Cerca Móvel têm uma história interessante, pois o primeiro quem fez com que o segundo existisse. Quem não recorda, basta ler o “Galope de Apresentação” para entender do que estou falando.

O filho de Trempolino e Sweet Mind saiu das cocheiras de Dulcino Guignoni, no Centro de Treinamento do Vale do Itajara, e viajou para o Rio Grande do Sul para encarar a principal prova do turfe gaúcho. Sobre o dorso, o neto de Baligh teria, nada mais, nada menos que Jorge Ricardo, o jóquei com maior número de vitórias do mundo, sendo que com um tabu: nunca havia ganhado a carreira.

Demonstrando uma qualidade muito superior ao dos concorrentes, ao ponto de vencer por 14 corpos de vantagem, Starman concedeu uma exclusiva para o Cerca Móvel.

CERCA MÓVEL: Conte-nos como é vencer um Bento Gonçalves?
STARMAN: Minha amiga Karol Loureiro, ganhar uma prova de Grupo 1 é o desejo de qualquer cavalo e comigo não poderia ser diferente. Faz muito bem a auto-estima.
CM: Como é ser conduzido por um jóquei predestinado a vencer?
Starman: Era a primeira vez que Jorge Ricardo estava sobre meu dorso e não nego que fiquei um pouco ansioso, até a hora do páreo. Mas, durante o cânter, eu relaxei.

CM: Por quê o “relaxamento” no cânter?
Starman: Simples, porque eu e o Ricardinho (demonstrando intimidade) conversamos.

CM: Como assim “conversaram”? Não vai me dizer que o J. Ricardo também tem o dom de entender os cavalos?
Starman: Bem, não foi um diálogo tão fácil quanto o que nós temos, mas posso considerar que ele entendeu sim as minhas dicas.

CM: Então conte aos nossos leitores como foi esse bate-papo?
Starman: Com o maior prazer. Durante o cânter, eu fiquei calmo com o líder sobre meu dorso. Passei pomposo, porque queria estar bem na foto, lógico (relinchos), mas também senti a segurança de ser conduzido por um verdadeiro campeão. Ele (Ricardo) percebeu que fiquei mais afoito, quando passei por você e disse: ‘bate uma foto legal, heim?’.

CM: Eu escutei a sua recomendação da foto, mas não sabia que o Ricardo também tinha ouvido?
Starman: Também não, mas logo após a foto do cânter, ele sorriu alto e comentou: ‘você fica bem em foto’. Tomei um susto na hora, mas fiquei calado, pensei que estivesse ouvindo demais, sabe.

CM: Sei, mas não houve nenhum outro contato depois do cânter?
Starman: Só houve (mais relinchos)! Assim que foi dada a largada, demonstrei por onde eu queria correr e ele concordou. Próximo de terminarmos a reta oposta, provoquei os ponteiros dizendo: saiam da frente, se não passo por cima! Juro que não sabia que o Ricardo estava ouvindo, mas ele, na mesma hora, tambem gritou: não é brincadeira, lá vamos nós! Pronto, era a confiança que me faltava para correr solto e a vontade. Ele afrouxou as rédeas e disse, colado ao meu ouvido, ‘é com você, vamos ganhar um Bento Gonçalves hoje!’. Não quis saber de brincadeira, aprumei o rosto e sai em disparada. Juro que nem percebi que tinha outros competidores, pois corri como nunca havia corrido antes (revela).

CM: Realmente vocês entraram na reta absolutos e mesmo assim não diminuiram o ritmo, por quê?
Starman: Karol, nem percebia o quanto estávamos na frente. É sério! Só lembro que entrei em estado de extase tão grande, que não queria parar de correr. Nenhum outro jóquei me deixara tão a vontade. Então, quando fui ver, já estava cruzando o disco e não tinha ninguém por perto. Se tivesse mais metros ou voltas, continuaria correndo naquela tarde.

CM: Quer dizer então que a parceria com Jorge Ricardo foi fundamental para a vitória?
Starman: Sem dúvidas. Não posso negar que estava me sentindo muito bem naquela tarde, mas saber que ele entendia como eu estava disposto a correr, foi fenomenal. Um verdadeiro trabalho em equipe, entende? Virei fã de carteirinha do Jorge Ricardo. Tenho muito a agradecer ao Aluizio Merlin Ribeiro, meu proprietário, que trouxe o líder para me conduzir.

CM: Bem, o Jorge Ricardo foi fantástico, mas ele também deve estar muito agradecido a você, pois há tempos buscava essa conquista?
Starman: Assim você me deixa sem graça (gagueja). Mas sei da importância que foi para o Jorge Ricardo essa vitória. Ele correu o primeiro Bento Gonçalves (G1-2400mA) em 1978, com Earp, chegando em 3º. Quatro anos depois, formou a dupla sobre o dorso de El Santarém. Com Mestre Karan, em 1990, não fez nada. Conduziu Mystic Sunset em 2004 e 2005, obtendo 3º e 2º lugares. Enfim, sobrou para mim, em 2007, faze-lo desencantar na principal prova gaúcha.

CM: Foi também o primeiro Bento Gonçalves do treinador Dulcino Guignoni?
Starman: Não posso esquecer disso, pois foi uma forma de também homenagea-lo, pois irei seguir campanha na cocheira do Alvani, em Cidade Jardim.

CM: Aproveite e conte-nos o que espera de São Paulo?
Starman: Estou ansioso para chegar logo por lá. Dizem que as éguas paulistas são uma graça. Agora que sou vencedor de Grupo 1, acredito que participe, em São Paulo, de mais provas clássicas. Ouvi boatos de quê a raia de areia de lá está uma maravilha. Espero que seja verdade.

CM: Para encerrar essa entrevista, algum recado especial?
Starman: Quero me desculpar em público com o Cerutti. Estava de cabeça quente naquele dia, mas prometo deixa-lo em paz no próximo encontro. Lógico que pretendo cruzar o disco na frente dele novamente, mas sem maldades durante o percurso, prometo! Também queria mandar um abraço para o Alex Mota e dizer que nunca mais vou derruba-lo, realmente estava num dia ruim no Clássico Primavera (L.).
FOTOS: Starman vencendo o Bento Gonçalves e durante o cânter

MENSAGEM DO ALÉM

Leitores, fiquei surpresa com o e-mail que recebi na última terça-feira, feriado da “Consciência Negra”. O potro Senhor Secretário, que foi sacrificado na corrida de domingo (18/11), na Gávea, mandou um recado para os que ainda não acreditam que existe céu para os cavalos.

“Eu era um cavalo lindo, dos mais bonitos mesmo, alazão com as crinas lourinhas, quase 500kg, olhos cor de mel e uma atitude de galã...tinha até alguns fãs que iam no hipódromo só pra me ver. Chamava atenção desde os tempos que vivia solto nos piquetes do Haras Campestre. Não tinha um que não parava pra me admirar. Queria que a aprendiz Maylan Studart fizesse uma bonita despedida das pistas brasileiras, já que vai para os Estados Unidos. Era para eu correr na grama, mas tive de aturar a raia de areia. Seguia bem no páreo, mas manquei na entrada da reta. Paciência! Fui bem recebido aqui no céu, apesar da minha morte prematura.”
Com certeza, o potro deve ter enviado o recado por algum cavalo-pai-de-santo, que acabou nos mandando o e-mail. Pois bem Senhor Secretário, fique em paz e tranqüilo que a Maylan pegou o seu recado. Ore pelos seus companheiros que aqui ficaram, ok!

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

A festa da gauchada

Estava arrumando as malas na noite de quarta-feira, 14, para viajar a Porto Alegre, para fazer a cobertura do Bento Gonçalves (G1-2400mA) e me surpreendo com uma ligação bastante oportuna: Starman.

Simplesmente o cavalo que me ajudou entender a linguagem dos eqüinos fez questão de entrar em contato. Primeiramente, o filho de Trempolino e Sweet Mind (Baligh) queria me desejar uma boa viagem e que aguardava ansioso pela minha presença no Hipódromo do Cristal. Depois, aproveitou para soltar, mais uma vez, a língua.

Starman não me repreendeu por contar a todos os leitores do “CERCA MÓVEL” sua obstinação em perseguir Cerutti no Clássico Primavera (L.-2000mA) – Taça Ernani Glower Bastos, no último 29 de setembro, na Gávea.

“Naquela corrida, quis mostrar que realmente não precisava de jóquei para obter meus resultados e foi uma lição bem aplicada ao ‘velhinho’. Mas é fato consumado e nós já nos entendemos”, comenta.

Como jornalista, não me contive e quis saber sobre suas chances para a corrida de logo mais.

“Bem, como meu proprietário teve o cuidado de convidar Jorge Ricardo para me conduzir, acredito que minhas chances aumentam. Já estava decidido a vencer, com ou sem jóquei, mas como preciso de um condutor para garantir o troféu na cocheira, nada melhor que o maior ganhador do mundo. Quero colaborar com Ricardinho para as 10 mil conquistas dele e aproveitar para presentea-lo com o êxito no Bento, único GP que lhe falta no Brasil. Seria um ótimo presente para o papai Ricardo, visto que acabou de ter uma nova filhinha”, disse Starman, comprovando estar atento com tudo o que rola ao redor do turfe nacional e mundial.

Sobre os principais rivais no Bento Gonçalves, o defensor de Aluizio Merlin Ribeiro destacou três.

“Os potros Duque di Lorenzo e Bull Shot têm a vantagem do peso. O primeiro, aliás, está há cinco corridas sem perder. Tá certo que 2.400 metros não é para qualquer um agüentar, mas tenho de me cuidar com eles. Outro que respeito muito, que ganhou uma das preparatórias e tenta o bi da prova é o Mata Leão. Esse é duro!”, revela o pensionista de Dulcino Guignoni.

O cavalo de 4 anos ainda falou sobre o universo dos blogueiros do turfe.

“Observo que meus colegas eqüinos começam a eleger o espaço de comentários do ‘CERCA MÓVEL’ o preferido para postarem seus receios, suas chateações e até suas esperanças sobre as próximas atuações. Era o que faltava para, enfim, os proprietários, treinadores e jóqueis entenderem o que nós pensamos. Também fiquei animado com o blog do ‘MATUNGÃO’ que estreou com ótimo preparo. Também, tem o multi-uso Marco Aurélio Ribeiro no comando”, brinca Starman sobre as diversas profissões do jornalista-treinador-locutor-editor...

Bem leitores, agora preciso me preparar para a corrida de logo mais, quem sabe consigo entrevistar algum dos vencedores da maior festa do turfe gaúcho... Até semana que vem!
PS: STARMAN arrebenta no BENTO 2007 e presenteia JORGE RICARDO e DULCINO GUIGNONI com a prova máxima gaúcha. Na próxima edição, entrevista exclusiva com o campeão.



quinta-feira, 8 de novembro de 2007

A verdade sobre o Derby 2000




No próximo sábado, dia 10, será realizado o GP Derby Paulista (G1-2400mG), no Hipódromo de Cidade Jardim e as atenções estão todas voltadas para o candidato ao título Meu Rei e para a difícil rival Celtic Princess.


O provável duelo entre um potro e uma potranca faz com que centenas de turfistas e cronistas voltem 7 anos no tempo, quando da realização de outro Derby, o GP Cruzeiro do Sul (G1-2400mG), realizado no Hipódromo da Gávea, no último dia do mês de abril, e que teve um dos finais mais "épicos" da história do turfe nacional.


Na ocasião, Super Power era o candidato ao título e tinha em Be Fair uma rival a ser batida. Quem assistiu a corrida, viu Be Fair entrar absoluta na reta final, com Carlos Lavor sobre o dorso. O "mestre" Juvenal tratava de ajustar Super Power para sua habitual arrancada decisiva.


Super Power dominou Be Fair faltando 300 metros para o disco, porém não conseguia livrar vantagem. Quem vibrou com o episódio foram os turfistas presentes, pois viram um obstinado potro, em busca de um título, encarar uma rival de grande potencial e coração. A decisão só terminou no espelho, quando por diferença mínima, o potro venceu a potranca. Os outros competidores do páreo, não passaram de meros coadjuvantes, pois chegaram muitos corpos depois.

Bem, até aqui, nada de anormal!!!

Sendo que o "CERCA MÓVEL" conversou com a filha de Be Fair, a americana e invicta na pista de Cidade Jardim em duas apresentações, Be So Fair, que nos contou detalhes nunca antes revelado sobre o Derby 2000.

CERCA MÓVEL: Fale-me de você?
BE SO FAIR: Nasci em 20 de fevereiro de 2004 e sou filha da Be Fair com o garanhão Stravinsky, sendo criada pelo R. D. Hubbard.

CM: No Derby 2000, que Be Fair perdeu, você nem era nascida. Sua mãe tinha praticamente a sua idade. O que você sabe sobre a corrida?
BSF: Realmente nem tinha como eu ser nascida, pois a minha mãe ainda era uma potranca. Mas, no ano de 2004, minha mãe me revelou alguns fatos daquela corrida, que para ela foram inesquecíveis.


CM: Se importa de informar aos nossos leitores o que sua mãe, a excelente Be Fair, lhe revelou?
BSF: Lógico! O que poucos sabiam é que mamãe Be Fair sempre foi apaixonada por Super Power, sendo que eles tinham um romance escondido, visto que ela ficava no Vale do Itajara e ele no Vale da Boa Esperança. Mas sempre se encontravam as escondidas.


CM: Como é a história: Be Fair e Super Power eram amantes?
BSF: Sim, e se amavam mais que tudo. É chato falar sobre isso, pois meu pai nunca quis admitir. Mas a minha mãe fica com os olhos marejados quando fala sobre Super Power.

CM: Por quê ela não ganhou o Derby e sim Super Power?
BSF: Minha mãe era uma adolescente apaixonada. Já havia dominado o páreo, eu assisti o vídeo e sabia que ela tinha totais condições de vencer. Mas ela já era tríplice coroada, aliás tinha exatos 21 dias que havia ganhado fácil nos 2.400 metros e recebido o título. Para quê tirar esse prazer e essa conquista do seu primeiro amor? Foi o que ela me disse.

CM: Se Be Fair estava decidida a perder o Derby, por quê lutou intensamente com Super Power durante toda a reta?
BSF: Para valorizar ainda mais o feito do seu amado, ora bolas! Minha mãe é uma égua de muita classe. Poderia perder a corrida, mas nunca de forma ridícula. O importante é que ela conseguiu o que queria: nunca foi cobrada pela derrota, pois a transformou num verdadeiro espetáculo para os turfistas; e o principal, permitiu que Super Power fosse tríplice coroado. Por tabela, ainda presentou o jóquei Juvenal Machado da Silva, pentacampeão do GP Brasil (G1-2400mG), com a única conquista que lhe faltava: a Tríplice Coroa.

CM: Depois daquela corrida, Be Fair foi levada para os Estados Unidos e para longe do seu amor?
BSF: Esse é o final trágico. Ela nunca imaginou que isso fosse acontecer. Acreditava que iria poder ficar no Brasil, perto de Super Power, e, quem sabe, terem filhos. Sendo que a levaram para os Estados Unidos, o que a deixou muito abatida. Tanto, que nunca mais fez nenhuma grande carreira, sendo logo retirada das pistas e seguindo para a reprodução.

CM: E Super Power? Você chegou a conhecer?
BSF: Não, mas acredito que a bambeira que o vitimou, foi decorrência do amor que sentia pela Be Fair. Ele chegou a ir para os Estados Unidos, mas não conseguiram se encontrar. Enfim, foi uma verdadeira história de amor, digna de um "Romeu e Julieta". Fico feliz pela confiança que minha mãe teve em me contar tudo sobre o seu amor verdadeiro.

CM: Obrigada pelas palavras sinceras e continua fazendo sucesso nas pistas. Mas uma pergunta para encerrar a nossa entrevista. Para o Derby do próximo sábado, quem você acredita que vence?
BSF: Meu Rei é um potro lindo. Apesar de um pouco mais novo que eu, chama a atenção de todas as potrancas da geração. Mas acredito na qualidade de Celtic Princess e acho que ela vencerá. As mulheres, correm muito!

Pois bem leitores, não sabia que entre os eqüinos também pudesse existir um amor tão verdadeiro, mas ficarei mais atenta sobre os futuros romances nas nossas pistas. E sábado, torço para que ninguém perca o Derby Paulista, pois pelo que sei, a Celtic Princess não tem interesse algum em Meu Rei, por isso, o páreo promete!!!

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

A mágoa do Minion




Senhores leitores, nunca pensei que receberia tantas manifestações de cavalos quando assumi que conseguia escuta-los. Pois bem, da primeira coluna para cá, até telefonemas tenho recebido dos eqüinos, falando sobre tudo, porém um eu destaco nesta semana: a do cavalo Minion.

Para quem não conhece, o cavalo do Stud Quintella é um "senhor" cavalo, que já fez de tudo no turfe carioca e tem 8 anos de idade. Apesar disso, ainda corre como uma criança, principalmente na pista de areia.

Estreou aos 2 anos, em junho de 2002, com um 3º lugar em 1.500 metros, areia. No mês seguinte, já com nova idade, garantia a primeira vitória da campanha, demonstrando que só alegrias proporcionaria a quem nele confiasse.

No decorrer de 38 apresentações, no último dia 21, ele conseguiu um feito inédito para a sua idade: venceu o GP Salgado Filho (G2-1600mA). Sendo que a conquista tem lhe dado dor de cabeça e por isso ele decidiu se manifestar.

"Cheguei onde almejei. Estava buscando minha primeira vitória clássica e enfim a consegui. Foi a de número 15 da campanha e a mais importante, para quem já andou correndo Claiming e sofreu alguns contratempos no caminho. Porém, pensei que com essa vitória, enfim poderia ser mais valorizado. Ledo engano!

Sai da raia naquela tarde recebendo o carinho de Carlos Lavor, que foi o primeiro a reconhecer o meu valor. Para quem não sabe, ao cruzar o disco, ele me deu um 'tapinha' no pescoço e disse. 'Valeu campeão, hoje foi o seu dia. Parabéns!' Agradeci com um sorriso, mas não sei se ele entendeu, pois se equilibrava sobre meu dorso.

Enfim, sabia que as palavras do Lavor, significavam a mais pura verdade. Nos dias seguintes, vi minha foto estampada nos principais veículos de turfe: sites, revistas e até jornais. Eu sendo o centro das atenções. Merecia aquilo, trabalhei pelo reconhecimento daquele momento.

De volta ao CT Vale do Marmelo, onde me preparei para o desafio, cheguei pomposo. As éguas, e até algumas potrancas, soltavam suspiros por onde eu passava. Foi um tal de 'adoro coroas', 'cavalo mais velho sabe tratar melhor uma égua', 'ele tem experiência e é um campeão', enfim, era a minha semana.

Sendo que toda a minha alegria e o meu sucesso caiu como a areia que invadiu a entrada do Túnel Rebouças na última semana, no Rio. Estava voltando de um galope e escutei (nós eqüinos não falamos com todos, mas ouvimos muito bem) a conversa entre dois cavalos do CT.

'Rapaz, você viu que legal. Enfim, Minion foi reconhecido. A vitória 15ª saiu inclusive na revistinha, com direito a página dupla. Que bacana! Deram moral ao cavalo'
, nisso o outro respondeu de prontidão. 'Menino, nem comenta uma coisa dessas aqui, principalmente para o Minion não escutar. Ouvi dizer que não era para ter sido feito nada daquilo. Que não tinha para quê o cavalo sair aparecendo em mídia impressa. Enfim, tá o maior rolo'.

Nem quis continuar ouvindo aquela triste notícia. Dei um salto para chamar atenção dos fofoqueiros de plantão, que se assustaram com a minha presença e apressei o passo. Queria chegar logo na cocheira para afogar minha lástima. Eu era um 'popstar' e de repente descubro que nenhuma daquelas homenagens eu merecia receber.

Um desastre total e uma decepção para mim!

Por isso que aproveitei este espaço para desabafar. Quem sabe, se eu correr mais 8 anos e vencer mais 15 carreiras, sendo outro em Grupo 2, ou talvez Grupo 1, eu mereça o reconhecimento e deixe de ser a 'piada' da cocheira entre os outros cavalos", encerrou um abalado Minion.

Sendo que o filho de Mutakddim e My Dear Girl (Merce Cunningham) não deve saber de uma coisa muito importante. Seu criador, o Haras Campestre, ilustrou inúmeras páginas de revista com sua foto, uma prova que você, Minion, é querido por todos e logo terá seu merecido descanso, ao lado de éguas maravilhosas. É só uma questão de tempo amigo. Mas, precisando desabafar, o Cerca Móvel estará sempre por aqui!


Le Coq Hardy agradece ao Cerca Móvel

Depois de se manifestar no Cerca Móvel por ter sido inscrito para encarar a Prova Especial Jayme Augusto Calvet de Vasconcelos neste sábado, na Gávea, o desespero de Le Coq Hardy parece ter tornado efeito, pois o cavalo foi retirado da carreira.

No entanto, no dia seguinte, 8º páreo do programa carioca, ele encara sete rivais em 1.600 metros, pista de areia.

Não percam!

Na próxima coluna, como estaremos perto da realização do Derby Paulista (que promete ser um páreo e tanto), irei esclarecer algumas verdades sobre o Derby Carioca do ano 2000: a do duelo entre Be Fair e Super Power. Aguardem!!!

sábado, 27 de outubro de 2007

Galope de apresentação

Descobri há 8 anos que adoro cavalos de corrida... Um pouco depois, que também curtia escrever sobre eles.

Porém, nos últimos meses, algo surpreendente aconteceu comigo. Parece que um raio me atingiu e me fez entender o que eles (cavalos) pensam durante as corridas...

Recordo que tudo começou no último 29 de setembro, no desenrolar do 6º páreo no Hipódromo da Gávea, o Clássico Primavera (L.-2000mA) - Taça Ernani Glower Bastos.

Durante o cânter, senti calafrios quando Starman passou com o Mota. Sim, eu percebi que o filho de Trempolino e Sweet Mind (Baligh) não estava bem e que iria "aprontar" durante a corrida. Ele (Starman) me avisou!!! "Hoje o bicho vai pegar!"

Limpei os olhos, cutuquei os ouvidos, mas tinha certeza que escutei a frase saindo pelo olhar do castanho. "hoje, o bicho vai pegar!"

Na verdade, errei leitores, pois Starman não aprontou apenas no percurso e sim, logo na largada.

Deixou o Alex Mota no chão e fez uma perseguição implacável ao "velhinho" Cerutti. Não sabia o porquê da falta de respeito com os mais velhos, que nós, "homo sapiens", aprendemos desde cedo a respeitar.

Porém o 4 anos Starman não quis saber de conversa e partiu para cima de Cerutti (que tem 7 anos e no turfe já é uma idade avançada para obter resultados expressivos).

Starman, mesmo que novo, mostrou que não precisava de jóquei para lhe conduzir durante uma corrida. Logo foi para junto dos paus, na cerca interna, onde vigiou cada passo dos ponteiros, que naquele momento seguia a ordem, Cerutti, Leporello, Istambul e Ovo Frito.

Logo que entrou na reta oposta, Starman fez questão de levar Cerutti para o externo da raia e ainda avisou: "isso é só o começo!" Fiquei sem fala com tamanha atitude, mas pensei que o cavalo fosse desistir de perseguir o velhinho, visto que ficou pela cerca externa durante toda a reta oposta.

Mesmo com o prejuízo, Cerutti esqueceu da ameaça e continuou na ponta, trazendo Leporello e Istambul.

Bastou aproximar-se da última curva e lá estava novamente Starman, pronto para mais um ataque. "Quero ficar entre os quatro, mas fiquem tranqüilos Leporello e Istambul, meu negócio é com Cerutti", disparou Starman para os outros competidores. Eu estava atônita com o que saia da mente do obstinado cavalo.

Quando faltava 300 metros para o disco final, Cerutt seguia firme, pronto para mais uma conquista, e Starman decidiu cumpriu com o prometido metros atrás. Assumindo a vanguarda de galope, ele abre e faz com que o jóquei de Cerutti (Bruno Reis), pare o cavalo.

Com sorriso nos "lábios" e um olhar de dever cumprido, Starman cruza o disco na frente, sendo que não leva taça alguma, pois estava sem jóquei (regra básica para se conquistar uma corrida, precisam cruzar jóquei e cavalo).

Devido a tantos prejuízos, Cerutti não consegue aparar a atropelada de Amor Surpresa, que fica com a vitória e com todos os méritos.

Ao voltar para o padoque, Starman me olha e diz. "Ele me provocou em nosso último encontro. Cheguei em 3º, no Clássico Delegações Turfísticas (L.-1900mA) e ele (Cerutti), logo atrás de mim, disse que havia sido sorte de principiante. Hoje, ele viu que tem de respeitar os mais novos", e saiu pomposo da raia, como um verdadeiro campeão, apesar do jogo sujo!

E eu, prezados leitores, fiquei estagnada e sem palavras. A única coisa que sei é que, desde esse dia, que venho escutando dezenas de reclamações e reinvindicações dos cavalos que atuam pelos prados do país e do mundo.

Depois, conto outras para vocês...