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quinta-feira, 26 de março de 2009

Direto da cocheira, Hot Six manda recado para Glória de Campeão

Nada como saborear um bom churrasco entre amigos! Isso eu fiz na quarta-feira, na cocheira do Pedersen, na Vila Hípica do Jockey Club Brasileiro, patrocinado por mais uma conquista da égua Japyhara para a blusa rubro-negra do meu amigo Matungo Aurélio Cardoso Ribeiro. E como ainda estou em mudança de sala, foi normal o atraso do CERCA MÓVEL da semana.

Como havia prometido na semana anterior, fui conversar com o vencedor do Latinoamericano 2009 em seu box, no Centro de Treinamento do Estrela Energia (Estrela Dalva). Apesar dos donos do empreendimento não estarem presentes, pois os mesmos encontram-se nos Emirados Árabes Unidos para acompanhar de perto o festival da Dubai World Cup, fui muito bem recebida pelo astro do momento, o potro Hot Six.

Pedi ao filho de Burooj e Babysix (With Approval), criado pelo Haras J. B. Barros e defensor do Stud Estrela Energia, nos contasse como foi vencer a importante prova do turfe sulamericano.

“Em novembro de 2008, quando atuei no GP Derby Paulista (G1-2400mG) e perdi apenas para Negro da Gaita, fiquei injuriado com aquele páreo. Não querendo desmerecer a conquista do defensor da Coudelaria Jéssica, mas eu sabia que podia ter vencido aquela corrida. Enfim, fiquei com aquela derrota na cabeça.

Negro da Gaita foi para a Argentina e fez um corridaço no GP Carlos Pellegrini (G1-2400mG), formando a dupla para Life of Victory. Por outro lado, eu voltei para cá, pro Centro de Treinamento e, sob os cuidados do treinador Givanildo Duarte, sai dos 2.400 metros para voltar aos 2.000 metros, pois o interesse passou a ser o XXV GP Associação Latinoamericana de Jockeys Clubs e Hipódromos (G1-2000mG).

Quando voltei a São Paulo em fevereiro, para correr a Seletiva pelo Jockey Club Brasileiro, estava mais do que claro que a minha vaga era garantida. Corri sem grande afobação, sob o comando de outro jóquei, visto que Jorge Leme estava em Dubai, vencendo uma carreira.

Em março, com ele de volta ao meu dorso, ficou ainda mais fácil garantir a vitória. Não quero desmerecer nenhum dos meus rivais, muito pelo contrário, pois a qualidade dos mesmos serviu para valorizar ainda mais a minha conquista. Sendo que nem imaginava que seria tão fácil”
, relembra Hot Six.

Sobre o acidente no percurso, quis saber como ele presenciou a cena.

“Olha, muita coisa foi falado e comentado. Eu lembro que durante a reta oposta, eu corria em 6º, na mesma linha de Flymetothemoon, que era o 5º. Na curva, percebi um avanço de Life of Victory, quase no mesmo instante que Flymetothemoon também avançava. Sei que de repente, este último tropeçou e levou Jorge Ricardo ao chão. Quadriball também tinha acabado de me passar e não conseguiu desviar. Eu diminui um pouco o ritmo e conseguiu escapar de maiores prejuízos. Mas tudo aconteceu tão rápido, que não tenho como precisar maiores detalhes”, resumiu.

Sobre o futuro, Hot Six não deu muitas dicas.

“No momento, estou descansando na cocheira, pois logo após vencer a prova, embarquei no caminhão e voltei para casa com a equipe do Stud Estrela Energia. Meu interesse maior, esta semana, não é falar de mim, e sim do cavalo Glória de Campeão, que neste sábado estará alinhando para encarar a Dubai World Cua (G1-2000mA), prova com US$ 6 milhões de bolsa. Não o conheci pessoalmente, pois quando cheguei no CT, ele já tinha ido para a França. Sendo que assim como eu, ele também defende os interesses do Estrela Energia.

O filho de Impression e Audacity (Clackson) também nasceu no Paraná, sendo que no Haras Santarém. Portanto minha torcida vai para ele por vários motivos, como: ser do Estrela Energia, ser paranaense e, um dos mais importantes, ser pilotado por Jorge Leme. Depois de sábado, ai sim irei pensar no meu futuro”
, encerrou o tordilho.
Então amigos leitores, vamos acompanhar o pensamento de Hot Six e torcer por GLÓRIA DE CAMPEÃO sábado, em Dubai.
Sim, sem esquecer que domingo teremos provas da Tríplice Coroa carioca... Fui!

quinta-feira, 19 de março de 2009

A bruxa está solta

Como vão leitores? Na semana anterior, estava com a entrevista da Japyhara praticamente pronta, ela que fez a festa do Matungo e dos amigos do mesmo ao somar a quarta vitória da campanha, três delas defendendo a blusa rubro-negra. Sendo que ao chegar em São Paulo, na quarta-feira, levei tanto puxão de orelha dos meus chefes por conta de uma CAPA, que desconcentrei por completo e nem consegui atualizar o CERCA MÓVEL.

Enfim, apesar do maremoto da CAPA ainda ter alguma força, busquei me concentrar e seguir a sugestão da nossa amiga-leitora-gaúcha Faby Matos, ou seja: ir conversar com os competidores que rodaram na curva do XXV GP Associação Latinoamericana de Jockeys Clubs e Hipódromos (G1-2000mG), realizada na tarde do último sábado, no Hipódromo de Cidade Jardim.

O primeiro a quem indaguei foi Flymetothemoon, que estava muito chateado dentro de sua cocheira, no Centro de Treinamento Vale do Itajara, na serra fluminense.

“Foi um baita azar. Ainda quando galopei no cânter, realizei dois sonhos: primeiro de ser conduzido pelo número 1 do mundo, Jorge Ricardo; segundo por ter sido escolhido favorito pelo público apostador, mesmo estreando em prova de nível internacional.

Dada a largada, tudo andava muito bem. Eu e o Ricardinho (viramos bons amigos) corriamos em 5º e me sentia confortável sob o seu comando, ainda pela reta oposta. Sendo que o sonho acabou durante a curva. Obedeci ao chamado do melhor jóquei do mundo e logo assumimos a 3ª posição. Só tinha o americano-peruano Zeide Isaac e o brasileiro Quick Road na nossa frente.

Enquanto Ricardo se ajustava melhor sobre mim, para iniciarmos a atropelada assim que entrassemos na reta final, pisei em falso, desequilibrei e cai, derrubando o meu jóquei. Ali acabava o meu sonho de ser campeão do Latino”
, fica com os olhos lacrimejados o defensor do Haras Doce Vale ao relembrar.

Lógico que quis saber dele qual o motivo da queda e o pensionista de Venâncio Nahid foi cauteloso na resposta.

“Não posso afirmar que tinha um buraco ou um trecho diferenciado naquele local da curva, porque foi tudo muito rápido e não voltei lá para ver a raia após a corrida. Sei que não alcancei as patas do Quick Road, pois o mesmo tinha (pouca) luz na frente, então não tinha como alcança-lo. Mas prefiro não causar polêmica e dizer que sofri um baita azar de corrida. O que mais me doi é saber que Jorge Ricardo ficará uns 3 meses longe das competições devido ao nosso acidente”, encerrou o filho de Roi Normand e Onefortheroad (Ghadeer), de criação e propriedade do Haras Doce Vale.

Já que estava no Vale do Itajara, aproveitei para conversar com Negro da Gaita, o segundo favorito do público apostador no Latinoamericano e o terceiro a cair durante o percurso da carreira.

“Até agora estou procurando respostas para o que aconteceu e não as encontro. Por sorte, fisicamente estou muito bem, mas psicologicamente chateado demais. Durante o cânter, percebi que a raia estava muito parecida de quando eu ganhei o GP Derby Paulista (G1-2400mG), no começo de novembro de 2008.

Ou seja, tudo me fazia acreditar que seria uma corrida tranquila e ainda daria o troco para cima do argentino Life of Victory. Não sei se me apavorei ou se tomei alguma fechada na curva. Acredito, inclusive, que eu tenha sido o primeiro a cair, pois estava entre as 7ª e 8ª posições e corria mais aberto.

Sendo que tudo aconteceu tão rápido, que não entendo ao certo como foi. Lembro apenas que quando ia começar a assobiar, cai e logo tratei de levantar e continuar na disputa. Mas Marcelo Cardoso já estava no chão, então não tinha como voltar para a corrida. A única coisa que me doeu do acidente foi meu coração, pois sentia que aquele seria o meu dia e infelizmente não foi”
, também conta emocionado o defensor da Coudelaria Jéssica.

Sobre o futuro, o filho de Know Heights e Graciosa Bailarina (First American), criado pelo Stud Mega, tentou ser o mais objetivo possível.

“Vivi dois importantes momentos na raia de grama do Jockey Club de São Paulo. Primeiro, minha mágica conquista no Derby Paulista (G1-2400mG), em novembro, e agora minha primeira queda num evento tão importante como o Latinoamericano. Como está 1 a 1, gostaria de desempatar meus sentimentos justamente no GP São Paulo (G1-2400mG), em maio próximo. Mas meus responsáveis quem decidirão sobre isso”, deixa o aviso Negro da Gaita.

Quadriball caiu logo após Flymetothemoon e conversou comigo por telefone, pois reside em São Paulo, nas cocheiras do treinador Amasilio Magalhães Filho.

“O Latinoamericano tinha tudo para ser a corrida da minha vida. Meus proprietários lutaram bastante para que eu fosse anotado na prova, pois mesmo depois de ter vencido o GP Linneo de Paula Machado (G3-2000mG), em fevereiro, ainda existiam rumores de que eu não poderia participar da carreira, mesmo pagando os US$ 10 mil.

A luta do Bruno e do Claudio (sócios na propriedade do potro), além da confiança do meu treinador e de alguns amigos foram fundamentais para meu nome constar na lista dos representantes do turfe paulista.

Queria atuar na raia pesada e a chuva veio forte durante a sexta-feira e a madrugada de sábado, ou seja, os deuses estavam ao meu favor. Acordei feliz e pronto para surpreender os rivais estrangeiros e brasileiros.

Durante a curva, sai rápido da 10ª posição e iniciava uma atropelada longa com Bruno Reis, sendo que não contávamos com a queda de Flymetothemoon. Não conseguimos desviar e tropecei em Jorge Ricardo, a quem peço desculpas formalmente, pois jamais pensei em machucar o número 1 do mundo.

Sendo que não tive como frear. Tentei pula-lo, mas não teve jeito. Fui ao chão e fiquei de fora da disputa. Agora, me resta ser preparado para o GP São Paulo (G1-2400mG), a prova máxima do turfe paulista, em maio, e provar do que eu sou realmente capaz”
, encerrou o filho de P.T.Indy e Cryptocrystalline (Cryptoclearance), criado pelo Haras Ponta Porã.

Enfim leitores, como vocês puderam observar, todos os envolvidos no acidente passam bem fisicamente e já sonham com o próximo desafio. Quem sabe, não os encontraremos na mesma raia de grama do Hipódromo de Cidade Jardim, em maio? É aguardar para ver.

Do mais, antes que venham as reclamações por não ter falado com o Hot Six, já vou avisando que na próxima semana farei uma exclusiva com o herói do Latinoamericano 2009.

É aguardar para conferir!

PS: Deixo aqui um recado da Japyhara para o Marco Aurélio Ribeiro. “Meu patrão, pare de andar com a Karol, ela está lhe deixando com escorpiões no bolso. Faça o churrasco de comemoração da minha quarta conquista, pois correrei ainda melhor da próxima vez. Um beijo da égua que te adora. Japyhara”

Foto: Negro da Gaita, Flymetothemoon e Quadriball antes de alinharem

quinta-feira, 5 de março de 2009

De volta ao batente

E ai meu rei? Não me refiro ao cavalo “Meu Rei”, vencedor de duas provas de Grupo 1 em 2007, mas sim a forma de falar do pessoal lá de Salvador, local onde todo mundo é rei. Acho que pela boa vida que leva e que eu pude desfrutar durante 10 dias. Por isso a não atualização do CERCA MÓVEL durante esse período.

Espero que os leitores não tenham ficado chateados, mas não encontrei nenhum cavalo pulando atrás do trio por lá, em compensação, o que encontrei de Dalila, não está no gibi, mas isso é um assunto que não interessa nesse espaço. Vamos ao que todos buscam aqui no BLOG, que é saber o que se passa pela cabeça dos nossos eqüinos.

No último final de semana, no Hipódromo da Gávea, foram realizadas as primeiras etapas da Tríplice Coroa de potrancas e potros nascidos em 2005. Nos meus quase 10 anos de turfe, foi a primeira vez que assisti os GP’s Henrique Possolo e Estado do Rio de Janeiro realizados na raia de areia, lógico que por conta da reforma da pista de grama. Sendo que ao menos a distância, 1.600 metros, foi mantida.

No sábado, Smile Jenny não teve trabalho algum para abrir a Coroa e tornar-se a candidata ao título.

“Eu e o Jean Pierre estamos embalados. Nos damos muito bem e nosso desejo é o título de tríplice coroada. Para ser honesta, nem pensei que seria tão fácil obter o êxito, mas quando entrei na reta final, observei que não tinha adversárias e cruzei o disco com folga”, discursou após as fotos da vitória a defensora do Stud Torna Surriento, que deixou a segunda colocada Tanta Honra a 8 ½ corpos de diferença.

Sobre a possibilidade de talvez encarar a pista de grama na próxima etapa, o GP Diana (G1-2000m), a filha de Wild Event e Jenny Jacquet (Roy), criada pelo Haras Santa Maria de Araras, não mostrou preocupação.

“Nasci para correr, seja na grama ou na areia. Se seguir na areia, ótimo, se passar para a grama, melhor ainda. Não me preocupo nem um pouco quanto a isso”, finalizou, mostrando segurança.

Domingo, o herói do dia foi o potro Engaging, que precisei pertuba-lo quanto ao seu nome.

“Realmente é chatinho de falar e de escrever. Sendo que dou uma dica, vai se adaptando, pois terá de escrever muito sobre mim daqui para a frente”, brincou o defensor do Haras Maluga logo após a corrida.

Diferente de Smile Jenny, Engaging largou no GP Estado do Rio de Janeiro (G1-1600mA) pela baliza 15, por fora de todos os rivais, numa raia de areia onde todos comentavam que quem largava por dentro estava tendo muito mais vantagem.

“Quis comprovar a tese de que quando se está realmente preparado, não tem baliza que atrapalhe. Ilson Correa me conhece e também observou bem o traçado da raia de areia. Corremos junto à cerca externa para não forçar na largada e fizemos uma diagonal com tranqüilidade no final da reta oposta. Durante a curva, eu já estava emparelhado com o ponteiro e entrei na reta final embalado, por isso a vitória foi tranqüila. Não posso negar que achei a conquista até fácil demais quando comparado aos meus adversários. Sendo que agora, eu sou o candidato ao título e eles que corram atrás do prejuízo”, disse o pensionista de Paim.

Inclusive, o filho de Arambaré e Great Radiance (Midnight Tiger) aproveitou para discursar em favor da sua equipe.

“É muito prazeroso defender as cores do Maluga. Meu proprietário, Edemilson, mora no Rio Grande do Sul, mas veio ao Rio de Janeiro acompanhar a minha carreira, mesmo eu largando da baliza 15 e todos os boatos com relação à raia de areia. Ele, assim como confiou no meu pai Arambaré como reprodutor, veio assistir minha corrida ao vivo porquê confiava no meu potencial. Só quis retribuir o carinho do mesmo”, agradeceu Engaging, que logo retomou a palavra para fazer mais um agradecimento.

“Papai Arambaré, você é o cara e este será o primeiro Grupo 1 de muitos outros que virão pelas patas dos seus filhos. Eu prometo!”, encerra.

Pessoal, é isso, a folia continua por aqui e na próxima semana, teremos Latinoamericano no Hipódromo de Cidade Jardim. Não ficaremos de fora. Até lá!