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sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Plenty of Kicks fala após encerrar campanha prematuramente

Plenty of Kicks vencendo a milha internacional carioca 2011

O encerramento prematuro da campanha do tríplice coroado Plenty of Kicks foi um baque para todas as pessoas que admiram os cavalos de corrida, em especial os craques, mas todos precisam saber que quem mais sofreu com a decisão final foi o próprio Plenty of Kicks.
O cavalo do Stud São Francisco da Serra precisou de tempo e esta semana resolveu se pronunciar através deste blog CERCA MÓVEL sobre os novos rumos da sua vida.
“Obrigado por me ouvir e sei que irás descrever exatamente tudo o que eu falar. Também decidi falar porque o público que sempre torceu por mim merecia uma satisfação”, começou o craque.
Quis saber dele como foi o seu problema.
“Depois de vencer a Tríplice Coroa carioca, descansei um tempo e retomei os trabalhos, pois precisava preparar-me para competir em um dos testes do GP Brasil. Foi nesse momento que comecei a pisar diferente, pois senti minha mão direita.
O ‘papai’ Toni estava na Europa, mas assim que ficou sabendo, veio logo ao meu encontro, me dá carinho. Ele me olhou nos olhos e sabia que faria tudo que fosse necessário para que eu me curasse.
O Dr. Flávio Carneiro (veterinário) fez todos os exames necessários, radiografias, analisou e chegou a conclusão que eu tinha de encerrar campanha. Eu não queria parar de correr e ‘papai’ Toni conseguia ver isso, por isso buscou opiniões de outros especialistas pelo mundo.
Infelizmente, a decisão foi unânime e tanto ‘papai’ quanto eu tivemos de aceitar que havia chegado ao fim minha campanha nas pistas”, falou ainda com voz embargada.
O filho de Crimson Tide e Pleni Turbo (Choctaw Ridge), de criação e propriedade do Stud São Francisco da Serra, não deixou de comentar sobre os primeiros dias após a decisão final.
“Sofri muito nas primeiras horas, vendo meu cavalariço triste, o meu treinador Julio César Sampaio chorando. ‘Papai’ Toni então, estava desolado. Após alguns dias amargurando, decidi que eu não podia continuar me lamentando, pois muitas coisas boas já haviam ocorrido comigo. Não tinha direito de ser injusto comigo nem com todos que confiaram em mim. Isso sem falar que soube o que meu 'pai' Toni escreveu sobre a nossa história.
Por isso passei a aceitar de bom grado o fato de encerrar a campanha de forma prematura. Voltei a comer direito e a me preparar para a viagem para o haras onde minha avó, Plenitud, nasceu: o Haras San Francesco”, contou.
Plenty of Kicks não escondeu sobre os primeiros dias no Haras San Francesco, localizado em São Paulo.
“Não poderia estar me sentindo melhor. O ar é muito bom. Tem muita égua bonita me paquerando. Estou me sentindo um pop star. Até autógrafos pediram para mim. Difícil é onde carimbar a minha pata (relinchou). Tenho saído com algumas éguas e não devo demorar a começar um romance mais sério. É só eu me apaixonar de verdade”, avisou o Don Juan do haras.
O castanho fica surpreso quando o assunto é ser garanhão.
“Olha, é algo que ainda não entendi muito bem. Já pensou, daqui a pouco eu ter meus filhos correndo pelas pistas do país? É muita responsabilidade. Por isso já andei ligando para o meu pai Crimson Tide, que me produziu e tem muita experiência nesse assunto. Sendo que a nossa conversa é assunto particular.”
Demorei um pouco, mas quando senti que Plenty of Kicks estava mais a vontade, não resisti e quis saber dele o que aguarda do Grande Prêmio Brasil 2012, que será corrido neste domingo, dia 5 de agosto, no Jockey Club Brasileiro.
“Olha, se me fizessem essa pergunta há 20 dias, não saberia o que falar. Sendo que agora já superei a dor de estar fora da carreira. Sei que será um páreo emocionante, num dia maravilhoso. Tive o prazer de em 2011 consegui participar desse dia fantástico na Gávea e abiscoitei a milha internacional carioca. Em 2012, estarei fora da raia, mas a minha torcida será para o meu irmão paterno Le Kinoplex no GP Brasil. Ele também é de criação e propriedade do Stud São Francisco da Serra, também pintou como um bom corredor, mas acabou se especializando em provas de fundo. Com a minha saída da raia, sei que ele representará muito bem a família naquele palco maravilhoso onde vivi os melhores dias da minha vida: a pista de grama do Hipódromo da Gávea. Vai com tudo Le Kinoplex, estarei contigo meu irmão!”, mandou o recado o campeão Plenty of Kicks.
A campanha de Plenty of Kicks é composta de sete vitórias e uma colocação em oito apresentações, suas principais conquistas foram os GP’s Jockey Club Brasileiro - Criterium Dos Dois Anos - Terceira Etapa Da Copa Dos Dois Anos (G1-1600mG), Presidente Da Republica (G1-1600mG), Clássico Julio Cápua (L.-1600mG), Estado Do Rio De Janeiro - Stud Tnt - 1ª Prova Da Triplice Coroa De Produtos (G1-1600mG), Francisco Eduardo De Paula Machado - Stud Tnt - 2ª Prova Da Triplice Coroa De Produtos (G1-2000mG) e Cruzeiro Do Sul - Stud Tnt - 3ª Prova Da Triplice Coroa De Produtos (G1-2400mG).
Turfistas de todo Brasil e de fora também, domingo é imperdível a 80 edição do Grande Prêmio Brasil. Quem puder, esteja na Gávea, quem não, acompanhe pela internet. A TV Globo passará ao vivo a corrida para todos que estiverem no Rio de Janeiro, então curtam e aprendam a se apaixonar pelo turfe, o Esporte dos Reis!

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Merecidas férias para uma tríplice coroada


Aposto que a ansiedade dos leitores estava para lá de grande por conta que o nosso blog não foi atualizado na semana anterior. O problema é que não havia conseguido marcar entrevista exclusiva com a tríplice coroada carioca Old Tune.


Para alegria dos que visitam o blog CERCA MÓVEL, segue o meu bate-papo com a filha de Wild Event e Chanson Pour Julia (Irish Fighter), de criação e propriedade do Haras Internacional.
Marcelo Cardoso leva OLD TUNE à Coroa final

CERCA MÓVEL: Como é ser uma tríplice coroada?
OLD TUNE: Se eu contar que a ficha começou a cair há poucos dias você acredita (relincha)? Falando sério, é maravilhoso. Não foi nada fácil, as três etapas foram complicadas e precisei competir com potrancas de qualidade. Sem dúvida, este título fará diferença na minha vida daqui para frente.


CM: Foram três etapas com cerca de 30 dias de diferença de uma para outra. Acredito que o trabalho tenha sido desgastante?
OT: Coloca desgastante nisso. Venâncio Nahid, meu treinador, foi extremamente paciente. Soube o momento certo para alongar ou não os meus exercícios e por sorte meu estado atlético estava perfeito. Consegui entender todos os exercícios exigidos e na hora da prova, tudo deu certo.


CM: Conte um pouco da sua experiência em São Paulo?
OT: No Jockey Club de São Paulo fiquei sob os cuidados de Paulo Henrique Lobo, mas já estava definida a minha ida para lá. Viajei logo após minha terceira atuação na Gávea, quando venci o Clássico Luiz Alves de Almeida (L.-1300mG), em fevereiro de 2011. Em abril, estreei com um 3° lugar no Hipódromo de Cidade Jardim no GP João Cecílio Ferraz (G1-1500mG). Dois meses depois, venci a Taça de Prata: o GP Margarida Polak Lara (G1-1600mG).


CM: Com a vitória na Taça de Prata, você e Alta Vista eram as potrancas que levavam certo favoritismo na fase inicial da Tríplice Coroa de potrancas de São Paulo?
OT: De certa forma, sim. Alta Vista é uma potranca muito boa. Perdi para ela na minha estreia paulista e em seguida a venci na Taça de Prata. Nosso reencontro foi na Tríplice Coroa de São Paulo e ela levou a melhor no GP Barão de Piracicaba (G1-1600mG), enquanto eu ocupava a 4ª posição.


CM: Então, pelo que você acaba de me responder, virou uma disputa pessoal na raia entre você e Alta Vista?
OT: Não chega a tanto, porque além de mim, Alta Vista também se preocupava com In The Stars, tanto que na etapa seguinte da Coroa paulista, o GP Henrique de Toledo Lara (G1-1800mG), elas saíram se pegando na frente. Corri um pouco mais contida, esperando que as duas cansassem. Quando ambas diminuíram o ritmo e me pus a correr, eis que não esperava a ação final de Desejo Infinito, por isso acabei ficando no 5° lugar, longe menos de 5 corpos da campeã.


CM: Então Alta Vista e In The Stars não são amigas?
OT: Você esta querendo me comprometer (relincha)? Não posso repetir aqui as ofensas que as duas trocaram durante o GP Henrique de Toledo Lara (G1-1800mG), mas ficou feia a situação.


CM: O que aconteceu com você no GP Diana (G1-2000mG), a última fase da Coroa paulista?
OT: Nem eu sei. Tudo bem que era a primeira vez que iria atuar nos dois quilômetros, mas aquela corrida eu prefiro esquecer. Nada deu certo, por isso cheguei na 12ª colocação.


CM: Há males que vêm para o bem, tanto que o Diana marcou o seu retorno para o Rio de Janeiro?
OT: Apesar das potrancas ‘paulistas’ se sentirem, não posso me queixar da forma que fui tratada em São Paulo, mas voltar para o Centro de Treinamento Vale do Itajara e para a cocheira de Venâncio Nahid foi maravilhoso. De cara, ganhei dois meses de descanso. Curti muito o Natal e o Réveillon. Fiz promessa ao cavalo de São Jorge para que 2012 fosse repleto de coisas boas e, pelo que todo mundo pode perceber, fui atendida!
Gonçalinho faz carinho na sua campeã tríplice coroada


CM: Esse cavalo de São Jorge tem mesmo poder, pois Old Tune não saiu do vencedor este ano?
OT: (Relinchando muito) Com certeza. Reestreei vencendo o teste para a abertura da Coroa carioca e depois ganhei as três provas de Grupo 1 do certame: GP’s Henrique Possolo (1600mG), Diana (2000mG) e Zélia Gonzaga Peixoto de Castro (2400mG).

CM: Vamos falar sério, das três provas a que aparentava que seria mais difícil você arrebentou, que era a última fase. Conta para o CERCA MÓVEL como Old Tune voou na raia da Gávea?
OT: Sabia que existia uma dúvida com relação ao meu desempenho em provas de fundo, principalmente por meu avô materno ser Irish Fighter. Sendo que nos treinamentos senti que evoluía muito rápido e graças ao meu avô materno, ainda tinha um final avassalador. Trabalhei duro, suei muito nos treinos e pude fazer uma bela apresentação na etapa final. Foi tudo um merecido prêmio.
Nos últimos 200 metros, Old Tune deixa para trás as adversárias,
para delírio da torcida de todas as idades


CM: Quais são seus planos para o futuro?
OT: Nesse exato momento, estou curtindo merecidas férias. Sei que os meus proprietários e a equipe de Venâncio Nahid querem o melhor para mim. Eles também sabem que tenho uma responsabilidade muito grande, pois sou apenas a quarta tríplice coroada carioca, então a minha campanha será muito bem planejada. Não sei se fico no Brasil ou se irei para o exterior. Se por um lado, tenho vontade de correr fora do país, por outro sei que após este título meu ventre valorizou muito e por isso tenho de ser mais cautelosa com as minhas decisões. O importante é que estou vivendo um momento único e agradeço a todos que foram responsáveis por tal conquista, desde meus proprietários (Haras Internacional), passando pelos meus treinadores (V. Nahid e P. H. Lobo), o jóquei Marcelo Cardoso e os turfistas que torceram por mim em todas as fases da Tríplice Coroa. Muito obrigada!


Com tal depoimento, Old Tune encerrou o nosso bate-papo, lembrando que ela está invicta na pista de grama do Hipódromo da Gávea. A torcida é que ela volte a desfilar sua beleza, desenvoltura e qualidade nas pistas brasileiras.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Glória de todas as cores


Marcelle Martins comemora no dorso de Glória Azul
(foto Gerson Martins)

Como vão leitores. Seguimos com notícias e estórias da semana de corridas dos dias 13 a 16 de abril, quando Desejado Thunder (personagem da semana anterior) encerrou campanha; Old Tune e Plenty of Kicks (ficam para edições futuras) conseguiram o título de tríplice coroados na mesma data; e Glória Azul (personagem desta edição) tornou-se a 100ª conquista da aprendiz sensação Marcelle Martins.

Tenho de afirmar aos leitores que nem precisei me apresentar para Glória Azul quando a encontrei caminhando na Vila Hípica do Jockey Club Brasileiro na última quarta-feira.

A filha de Pardallo Fighter e My Blue Heaven (Fast Gold), criada no Haras Áustria, já veio conversando cheia de prosa.

“Tudo bem Karol Loureiro. Quer dizer que eu serei personagem do blog CERCA MÓVEL? Até que enfim descobriram o meu valor. Tenho 4 anos e muita estória para contar”, disse Glória Azul.

Sendo que tentei ao máximo fixar a conversa na vitória de número 100 da aprendiz de joqueta Marcelle Martins em seu dorso.

“Fui responsável pela vitória 100 da Marcellinha (cheia de intimidade) e sinto-me honrada por isso. A garota trabalha sério e terá muito sucesso na profissão. Utiliza bem o chicote e antes da vitória 100, já havíamos vencido juntas em dezembro passado.

Isso sem falar que costumamos trabalhar nos matinais. Dou o maior valor para as mulheres joquetas e acredito que deveriam ter mais aqui no Hipódromo da Gávea. Em São Paulo tem um bocado e elas fazem sucesso. Isso sem falar no exterior, onde as mulheres são muito respeitadas nessa difícil e perigosa profissão”, comprovou estar bem informada a pensionista do treinador Marcos Ferreira.

Sendo que quando eu pensei que Glória Azul já tinha falado tudo, eis que a alazã continuou.

“Fiquei mais feliz ainda não apenas pela 100ª conquista da Marcellinha, mas principalmente por ainda defender as cores do eterno astro Chico Anysio. Sou das poucas que tenho o prazer de envergar a farda do Stud Chico City II e como estava perto de completar 30 dias da morte dele, dediquei-me ainda mais para ficar com a vitória.

Sei que onde ele estiver, estará sempre torcendo por seus cavalos e tenho a honra de fazer parte deste plantel”, emociona-se Glória Azul.

Antes de encerrar o bate-papo, ainda levei uma bronca e logo após um elogio da égua de 4 anos e com sete vitórias na campanha.

“Ainda bem que você veio conversar comigo. Onde já se viu. Tinha tanto para falar e não ser lembrada. Quem confiou em mim e na Marcelle, ainda conseguiu ganhar R$ 4,50 para cada real apostado, ou seja, fiz a semana de muita gente ser tranquila.

Mas estou muito feliz por ter vindo ao meu encontro, até porque sempre corro de lingua amarrada, então nem dá para conversar antes e durante o páreo, só depois mesmo (relincha alegre antes de voltar a falar sério). Numa semana que teve de tudo, inclusive dois jovens craques tornando-se tríplice coroados. Plenty of Kicks e Old Tune merecem sim todos os holofotes disponíveis, pois comprovaram serem cavalos de exceção. Estou muito feliz por ter encerrado uma semana de corridas histórica no Jockey Club Brasileiro. Obrigada!”, encerrou emocionada Glória Azul, que venceu o 9° páreo da reunião do dia 16 de abril, segunda-feira, no Hipódromo da Gávea.

Não percam leitores, nas próximas edições, os tríplice coroados serão os entrevistados do CERCA MÓVEL.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Desejado Thunder merece descansar

Desejado Thunder e Jorge Ricardo desfilaram felizes antes da corrida

Assunto é o que não faltou no último final de semana no Hipódromo da Gávea: dois tríplices coroados, égua presenteando aprendiz com vitória número 100, entre outros. Sendo que estes assuntos serão tratados pelo CERCA MÓVEL nas próximas semanas, pois a edição desta semana será destinada a entrevista com o grande velocista Desejado Thunder.
 
Entrando na pista de grama pela 21ª vez, todas na esfera nobre, no 4° páreo do inesquecível e histórico programa de domingo no Jockey Club Brasileiro, o cavalo de 4 anos Desejado Thunder estava pronto para enfrentar mais um desafio: o GP Jockey Club de São Paulo (G3-1000mG).

Antes de começar o canter, o filho de Durban Thunder e Glorious Magee (Spend A Buck), de criação e propriedade do Stud Alvarenga, mostrou confiança ao passar por mim.

“Já viu quem está no meu dorso? É ele mesmo, Jorge Ricardo. Capricha na foto que eu vou querer este momento registrado!”, falou.

Tratei de prestar atenção em tudo o que ocorreria desde aquele momento e acertei na escolha, pois muita coisa foi falada.

Abriu o partidor e Desejado Thunder foi logo falando.

“Estou indo para a ponta e respeitem meu espaço, pois levo no dorso o melhor do mundo”, brincava o castanho, de bem com a vida e assumindo o train de corrida.

Quando os adversários tentaram diminuir a diferença, o nosso craque sabia o que fazer.

“Pode dar rédeas Ricardinho, que estou querendo correr ainda mais. Ninguém me alcança, te garanto!”.

Sempre desconfiei que o nosso grande jóquei Jorge Ricardo escutava os cavalos, pois assim que Desejado Thunder soltou a frase acima, o bridão deu rédeas para o cavalo, que disparou e abriu grande vantagem.

Tudo seguia bem, até os últimos 100 metros, quando o nosso herói sentiu.

“Ai! Tem algo de errado na minha mão direita. Sendo que iremos vencer, não vou decepcionar nossos torcedores”, falava com os olhos lacrimejados Desejado Thunder, que mesmo diminuindo o ritmo cruzou o disco final com 2 corpos de diferença para Atlante.

Ao voltar da raia para tirar a fotografia por sua 15ª conquista, Desejado Thunder conversou comigo.

“Está doendo muito a minha mão direita. Não chegou a quebrar, mas a dor é insuportável. Sendo que eu não podia decepcionar todo este público que está aqui hoje (domingo), na Gávea. Isso sem falar que não é todo dia que se tem a honra de ser conduzido por Jorge Ricardo.”

Quando questionei se ele iria parar com sua campanha, o nosso campeão foi direto.

“Sei o quanto represento para o Stud Alvarenga. Faço parte da segunda geração criada pela farda azul marinho e branco. Obtive a primeira vitória clássica do Stud Alvarenga em São Paulo no GP ABCPCC 2011 (G1-1000mG). Esta prova de hoje (domingo) visava justamente o meu retorno a Cidade Jardim para tentar o bi em maio.

Desejado Thunder vence recebendo carinho de Jorge Ricardo
Sendo que esta dor não é normal. Pelo carinho que tenho por toda a minha equipe e que sei que a recíproca é verdadeira, vou tentar melhorar, mas a minha veterinária Dra. Cristina Vieira quem saberá se tenho ou não condições de voltar.

Só tenho uma coisa a afirmar, que eu pare ou não, o importante é que muitas emoções eu vivi!”, encerrou praticamente cantando um grande sucesso do rei Roberto Carlos.

Após a corrida, foi constatado que Desejado Thunder teve claudicação grau 2 no anterior direito. Por causa disso, o cavalo nem chegou a subir para o Centro de Treinamento Dedo de Deus e ficou na Gávea, visando melhorar, sendo que a ideia do staff do Alvarenga é encerrar sua campanha, para que o mesmo siga para o haras nos próximos meses.

Desejado Thunder arrecadou quase R$ 500 mil em prêmios nas 21 apresentações, sendo 15 vitórias e seis colocações, sendo a ‘pior’ exibição um 4° lugar no GP Mário Azevedo Ribeiro (G3-1400mG) aos 2 anos. Ele nunca saiu do marcador.

Fotos: Karol Loureiro

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Grapette Repete aprova a Coca-Cola pra não ficar nem aí


Leitores, nesta edição precisei voltar a origem deste blog e dar voz apenas aos cavalos puro-sangue inglês. Aliás, o objetivo deste espaço sempre foi ser o local deles (PSI) soltarem a voz e falarem tudo o que pensam. Por conta disso, ao invés de ouvirmos/lermos os depoimentos do vencedor Tônemaí, iremos entender o que ocorreu com a atuação do Grapette Repete no último domingo, no Hipódromo da Gávea, quando da realização do GP João Borges Filho (G2-2400mG).

“Ainda bem que nos últimos anos existe o CERCA MÓVEL. Aqui me sinto seguro em falar a verdade, sem sofrer represálias de um ou outro cavalo”, começou Grapette Repete.

“Não me sinto nem um pouco culpado por tudo o que ocorreu no desenrolar do Grande Prêmio João Borges Filho. Tinha noção que os seis adversários estavam buscando o melhor preparo para o Grande Prêmio São Paulo 2012 (G1-2400mG), que assim como o Grande Prêmio Brasil (G1-2400mG) representa uma das principais provas do turfe brasileiro.

Sendo que além de competir na preparatória para a prova máxima paulista, vale lembrar que eu estava voltando aos 2.400 metros da pista de grama carioca, terreno que eu não pisava desde setembro de 2011.

Apesar do meu bom desempenho na areia paulista, de onde trazia uma vitória em prova de Grupo 2, me senti muito humilhado perante os meus adversários. Na verdade, perante um inimigo. O cavalo Tônemaí!.

Sabia que ele poderia pintar como um dos favoritos da carreira, como assim ocorreu. Ele foi o 2° mais apostado, ficando atrás apenas de Anakin. Sendo que antes mesmo de alinhar, ele já demonstrou quem era.

Tanto eu (Grapette Repete) quanto Tônemaí moramos no mesmo Centro de Treinamento do Vale do Itajara, em Pedro do Rio, Itaipava. Sendo que sempre respeitei meus adversários e, principalmente os cavalos mais novos.

Sendo que Tônemaí está completamente modificado. Talvez o fato de defender as cores do presidente do Jockey Club Brasileiro (Stud Lecca), tenha feito com que tenha modificado suas origens. Ou, pior de tudo, esteja se achando mais do que realmente é.

Quando voltei de São Paulo, trazendo a vitória no GP Piratininga (G2-2200mA), recebi o abraço e o apoio de todos da cocheira do Venâncio Nahid (meu treinador) e também dos vizinhos das cocheiras de Cosme Morgado Neto e Leonardo Ferreira dos Reis.

Tônemaí não gostou nem um pouco de eu ter me tornado o centro das atenções desde março. E olha que tinha vencido na areia paulista.

Quando comecei a trabalhar para correr na milha e meia carioca da grama, comecei a sofrer perseguição dele. Piadinha já fazia parte do meu amanhecer. Sendo que sou filho de Know Heights e Buy Me Love (Jules). Nasci e defendo o Haras Doce Vale. Tenho filiação para a raia de grama, portanto não podia admitir tamanha falta de respeito de Tônemaí.

Por isso que agi daquela forma no último domingo.

Como não queria ferir ninguém, decidi derrubar o jóquei Henderson Fernandes logo na largada da carreira e passei a correr em parelha com meu companheiro de cocheira Godsmustbecrazy.

Ele (Godsmustbecrazy) durante vários pedaços do percurso falou comigo. Dizia ‘Pára Grapette Repete. Esquece suas desavenças. Você é superior a isso. Descansa, larga esta corrida e guarde reservas para o próximo encontro com Tônemaí’.

Sendo que eu respondia. ‘Nunca!’.

Ao entrar na reta final, assim que Godsmustbecrazy começou a diminuir o ritmo, passei a cuidar exclusivamente de Tônemaí. Quando vi que ele vinha mais aberto, não tive dúvidas e passei a abrir também.

Sendo que ele tinha um trunfo que eu não calculei: o jóquei Ilson Correa!

Chegamos a discutir, eu e Tônemaí no começo da reta final. Ele falava que ‘eu nunca seria páreo para ele. Que meu negócio era a pista de areia e que iria passar por cima de mim’.

Fala sério. Ter de ouvir isto de um cavalo de mesma idade que eu, assim, descaradamente, na frente de todos os outros corredores? Não merecia, e por isso  respondi que ele teria a chance de me passar, desde que tivesse qualidade para isso.

Por isso que eu abri para prejudicá-lo. Sendo que Ilson Correa foi esperto ao conseguir parar Tônemaí e re-acelerá-lo nos metros decisivos. Tônemaí pode até ter batido o potro Avattore, mas podem conferir que no disco final eu ainda cruzei o disco na frente.

A verdade é que isso ele teve de engolir e espero, profundamente, que nosso próximo encontro seja em maio, no GP São Paulo, para que eu possa deixá-lo comendo poeira. Bebi inclusive uma coca-cola no final da carreira de domingo, na Gávea, para me acalmar. Portanto, se eu puder beber coca-cola, mesmo sendo Grapette Repete, Tônemaí que me aguarde em maio.”

Encerrou Grapette Repete, de criação e propriedade do Haras Doce Vale. 

O próximo reencontro destes cavalos de 5 anos estarei aguardando e pronta para decifrar para vocês, fiéis leitores do CERCA MÓVEL.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Addict garante o sucesso da Gávea

   Os proprietários que têm um pouco mais a investir no turfe, não tardam a levar seus corredores para o clima perfeito da serra fluminense. Sendo que os mais saudosistas, como o Stud Alvarenga, como sempre mantém alguns cavalos no Hipódromo da Gávea e não tem se arrependido.

   Por isso que o nosso entrevistado da semana é o potro Addict, que venceu no último domingo o GP Mário de Azevedo Ribeiro no Hipódromo da Gávea e tornou-se o líder da geração 2009 entre os potros que atuam no Rio de Janeiro. O vencedor me recebeu em seu box.

   “Para mim foi mais fácil a carreira, pois estou bem acostumado ao ar da Gávea. Não precisei viajar. Acordei no meu horário normal e fui sem estresse para o padoque”, informou Addict.

   Sobre o percurso de 1.400 metros, pista de grama, o campeão também mostrou que tinha confiança antes mesmo de entrar na raia.

   “Depois de estrear com um 4° lugar em 1.100 metros na areia, minha primeira vitória ocorreu em seguida, no dia 12 de fevereiro na distância dos 1.300 metros, pista de grama. Ou seja, gostei de cara da grama. Este aumento de 100 metros não seria muito problema para mim. Tudo deu certo no final”.

   Quis saber do filho de Public Purse e Lizzy Girl (Lode), criado no Haras Santa Maria de Araras, como foi o preparo para o desafio em Grupo 3.

   “Ora, muito tranquilo! Sou treinado pelo experiente Alcides Morales. O ‘velhinho’ é um gênio. Sabe quando precisa ou não exigir um puro-sangue inglês, principalmente quando somos novos, que é o meu caso. Fui preparado para manter reservas e utilizá-las nos metros decisivos”, explicou Addict, que fica alojado na Vila Hípica, na cocheira do Stud Alvarenga, recebendo os cuidados precisos de Alcides Morales.

   Perguntei ao novo campeão, quando sentiu que a vitória não escaparia e fui prontamente atendida.

   “Só correram três potros, pois o argentino e provável favorito Tap is Back não foi apresentado. Larguei tranquilo e logo vi o duelo pela vitória entre Vontade de Matar e Age Beautiful. Fiquei em 3°, mas não deixei eles se escaparem muito. Assim que entramos na reta final, comecei a ser exigido pelo Jean Pierre e logo emparelhei com os dois ponteiros. Apenas nos últimos 200 metros consegui disparar e escapar para o disco. Acredito que foi uma bonita vitória”, comemora.

   Perguntei se os adversários tinham feito alguma gracinha por Addict ser treinado na Gávea.

   “Realmente ainda existe um pouco de preconceito entre os que moram na serra e os que moram nas vilas da Gávea, infelizmente! Sendo que não troco a minha vida por nada. Durante a semana, posso dar uma volta na Lagoa, ver os artistas caminhando. Isso sem falar de esticar e dar um ‘tchibum’ na praia de Ipanema. Por isso, pouco me importa quando os da ‘serra’ soltam alguma piadinha. Entra no meu ouvido por um lado e sai pelo outro. Meu interesse é apenas a corrida e não permito que ninguém tire o meu foco do meu objetivo”, ensinou o campeão.

   Sobre o futuro, Addict ainda não tem nada definido.

   “Quero curtir esta minha segunda conquista e este momento de liderança. A responsabilidade é grande, mas espero que os outros corredores que moram na Gávea me tomem como exemplo e se dediquem ainda mais nos treinos, pois somos tão bons quanto os que moram na serra”, encerra Addict.
Foto: Gerson Martins

sexta-feira, 30 de março de 2012

Colocando a Cerca Movel no ar

Leitores e amantes dos cavalos de corrida, primeiramente perdão pela demora na atualização, mas como o nome deste blog já diz, sou uma Cerca Móvel, por isso tem épocas que não sou utilizada.
Enfim, para a primeira postagem de 2012, escolhi o mês do meu aniversário (março) e procurei um cavalo que muitos de vocês têm orgulho em dizer: ele é BRASILEIRO!
Entrei em contato com GLÓRIA DE CAMPEÃO e o agora garanhão me atendeu com muita alegria.


Cerca Móvel: Glória de Campeão, acredito que este mês de março traga boas lembranças para você?
Glória de Campeão: Sem dúvida! Há 2 anos tornava-me o primeiro cavalo brasileiro a vencer a milionária Dubai World Cup. Uma prova de Grupo 1, com US$ 10 milhões de bolsa, competindo contra os melhores cavalos do mundo.

CM: Como é vencer uma prova como a DWC?
GC: Muda tudo na nossa vida. Você passa a fazer parte da história dos cavalos de corrida. Não existe no mundo uma prova com dotação tão alta. O mais legal é que em 2009 eu cheguei na 2 posição, mas só fui realmente respeitado quando em 2010 venci.

CM: A vida ficou mais fácil com tanto dinheiro no bolso?
GC: Minha vida já era muito boa, pois meus donos (o Haras Estrela Energia, cujos titulares são Stefan e Dalva Friborg) sempre me trataram como filho. Recebi tudo do bom e do melhor, então a minha conquista na DWC foi um gesto de retribuição pela confiança que eles tiveram em meu poder locomotor.

CM: Sendo que antes da DWC você já tinha obtido importante conquista internacional?
GC: Sim, eu tinha conseguido em 2009 vencer a Siganpore Airlines International Cup, também de Grupo 1, sendo que em 2.000 metros pista de grama, no Hipódromo de Kranji, em Cingapura. No ano seguinte tentei o bi, mas não consegui por pouco (lamenta).

CM: Bem, no ano seguinte você levou a DWC, então está mais do que perdoado não acha?
GC: (Relincha) É, você tem razão, mas tinha total condição de vencer a prova em 2010 também. Sendo que eu e o jóquei Bruno Reis não fomos muito felizes.

CM: Já que você tocou no assunto, qual o jóquei que você mais aprovou?
GC: Essa é fácil de responder. Tenho respeito por todos que me conduziram, mas não posso deixar de exaltar a minha parceria com Tiago Josué Pereira. Ele já sabia quando eu tinha que acelerar. Tínhamos grande sintonia. Quando eu pensava em diminuir o ritmo, ele tocava na medida certa para que eu não desistisse. E nunca desistíamos de uma corrida. Foi com ele que venci as duas provas mais importantes da minha campanha.

CM: Como foi encerrar a campanha?
GC: Nós, cavalos de corrida, puro-sangue inglês, sabemos que um dia isso tem de acontecer. Acredito, inclusive, que parei na hora certa. Em agosto de 2010 eu já somava 7 anos, tinha nove vitórias importantes e US$ 9.258,355 em prêmios recebidos. Tornei-me o cavalo brasileiro com maior premiação em campanha. Ou seja, merecia mesmo parar, pois já tinha cumprido com meus objetivos.

CM: E você gosta da sua atual função de reprodutor?
GC: Como não iria gostar. Lá mesmo na França iniciei na função. As francesas eram lindas, charmosas, então ficou fácil virar garanhão.

CM: Voltar para o Brasil foi bom para você?
GC: Estar de volta ao Brasil, em especial ao Paraná, terra onde nasci, foi fantástico. Me senti um potrinho de novo. Isso sem falar nas éguas brasileiras. Poder falar a mesma língua torna tudo mais fácil. Então, está muito melhor a vida agora.

CM: Seus filhos franceses começaram a nascer. Você tem contato com eles?
GC: Sempre que dá, sim! Nos comunicamos pelo skype, fica mais barato e ainda posso vê-los. Estão muito bonitos, mas estou ansioso para ver os meus brasileirinhos nascerem. Acredito que eles vão dar orgulho ao papai aqui (relincha).

Glória de Campeão é um filho de Impression e Audacity (Clackson). Nasceu no Haras Santarém e seus primeiros filhos devem nascer a partir de julho deste ano.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Voltamos esta sexta-feira


Pessoal, agora é para valer. Tirei o gravador do armário, separei a agenda de contatos e voltei com a corda toda, pronta para decifrar para todos vocês o universo dos cavalos de corrida.
SEXTA-FEIRA estaremos de volta. Conto com a visita de vocês.
Há, antes que eu esqueça, nosso primeiro entrevistado de 2012 será o cavalo GLÓRIA DE CAMPEÃO.