Suaposta

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Glória de Campeão é o ‘bonitão’ do Estrela Energia

Olá leitores, não nego a vocês que fiquei apreensiva em conversar com Glória de Campeão, pois o cavalo do Stud Estrela Energia está morando na França desde 2007 e talvez tivesse desaprendido o português, enquanto eu, nada sei de francês, apenas o “oui”.

Bem, mas para a minha surpresa, o filho de Impression e Audacity (Clackson), criado no bonito e eficiente Haras Santarém no Paraná, não só continua falando português como se tornou um poliglota.

“Minhas viagens pelo mundo do turfe fizeram com que eu tivesse contato com outras línguas e nacionalidades. Arranho bem no árabe, falo perfeitamente o francês, mas é com o inglês que nos comunicamos na raia, pelo menos foi assim em Cingapura”, explica o castanho de 5 anos de idade.

No último dia 17 de maio, domingo, enquanto no Brasil teríamos uma tarde festiva no Hipódromo de Cidade Jardim com a realização de mais um Grande Prêmio São Paulo (G1-2400mG), logo cedo, no horário de Brasília, Glória de Campeão entrava para a história do turfe nacional e mundial ao ser o primeiro brasileiro a vencer a importante e milionária Singapore Airlines International Cup (G1-2000mG).

“Foi um momento mágico da minha campanha. Havia feito uma excelente apresentação na Dubai World Cup (G1-2000mA), mesmo atuando na areia, cheguei na 2ª posição. Já em Cingapura, pisei na grama, então facilitou ainda mais meu rendimento, isso sem falar que ser conduzido por jóqueis brasileiros é muito melhor”, aprova o cavalo, que tanto em Dubai, quanto em Cingapura, contou com direção de brasileiros, no primeiro caso Jorge Leme, e no outro com Tiago Josué Pereira.

Quis saber do mesmo se tem muita diferença em ser conduzido por brasileiros e profissionais de outros países.

“Tem e muita diferença! Os jóqueis franceses meio que nos deixam muito soltos, confiam só no nosso desempenho, deixando toda a responsabilidade para nós corredores. Já os brasileiros não. Atuam em parceria com o cavalo. Nos incentiva a correr, tenta nos entender e nos exige no momento certo, fora que o carinho é diferente também. Nós, brasileiros, somos mais emotivos, os outros, principalmente do velho mundo, são mais frios”, compara.

Para não perder o ritmo da conversa, até pelo alto custo da ligação (lembrar de mandar a conta para o Stud Estrela Energia ou arrumar logo um patrocinador para o CERCA MÓVEL), pedi para Glória de Campeão me falar da corrida em si.

“A confiança que eu tinha e sentia também no TJ foram fundamentais para a nossa vitória. O sulafricando Jay Peg, que havia vencido a corrida no ano anterior, saiu na frente feito um louco. Não permiti que o mesmo livrasse vantagem e fui para cima dele, ocupando a 2ª posição, em um ritmo de corrida assustador.

Percebi quando o mesmo começou a colocar a língua para fora, por estar cansado, e pretendia ficar mais um tempo atrás do mesmo, para força-lo ainda mais. Sendo que TJ fez questão que eu assumisse a dianteira assim que entramos na reta final. Faltando 600 metros para o espelho, dominei Jay Peg e abri vantagem providencial.

Em plena reta, percebi pelos gritos do público presente ao Kranji Racecourse que teria alguma surpresa, foi quando ouvi o britânico Presvis me provocar.
‘Ô brasileiro, acabou seu momento de glória. Sai logo da frente que vou para o meu momento mágico!’. Fiquei extremamente chateado com as palavras dele e te garanto, por mais que estivesse diminuindo o ritmo, ele jamais me passaria.

Coloquei todas as minhas honras e glória nas minhas patas e mantive cabeça ao cruzar o disco na frente, garantindo mais uma vitória na minha campanha internacional, uma recheada bolsa de US$ 2 milhões e cravando meu nome na pista de Kranji ao me tornar recordista da mesma, ao marcar 1’59”20 para os dois quilômetros”
, resume.

Aproveitei para saber do mesmo o que pensou ao obter a vitória.

“Num primeiro momento, estava feliz por não ter deixado o inglês metido do Presvis me ultrapassar, mas depois o mesmo pediu desculpas e a minha ficha caiu. Eu estava sendo aplaudido pelo mundo do turfe e tinha dado a maior alegria da vida profissional de Tiago Josué Pereira. O carinho com que o jóquei me beijou após o páreo e as palavras de afeto do mesmo ficarão sempre guardados na minha lembrança”, emociona-se.

Para encerrar, perguntei a Glória de Campeão se o mesmo ficou chateado por não ter Stefan Friborg e Dalva de Oliveira, titulares do Stud Estrela Energia, na foto da vitória em Cingapura.

“De forma alguma, meus ‘pais’ têm diversos filhos e estão comigo sempre que podem. Quem precisava de apoio na tarde de domingo era Hot Six, que perdeu nos detalhes o GP São Paulo (G1-2400mG). Não vejo a hora de te-lo aqui na França, ao meu lado, para conversarmos sobre as corridas dele no Brasil e eu passar as minhas experiências para ele.

O mais importante para mim é saber que meus ‘pais’, Stefan e Dalva, me tornaram o ‘bonitão’ do Estrela Energia. Isso não tem preço!”
, encerra satisfeito o castanho, que se tudo correr bem, em 2010 tentará mais uma vez a vitória na Dubai World Cup (G1-2000mA) antes de encerrar a campanha.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Flymetothemoon, da queda à glória

Olha o CERCA MÓVEL ai gente! Como vocês já devem saber, a semana foi repleta de trabalho. Leilões, corridas, revista, fotos (muitas por sinal) e até um novo jornal pintando no mundo do turfe fizeram com quê esta jornalista ficasse muito cansada e não conseguisse atualizar este blog na quinta-feira. Porém, não poderia deixar os fieis leitores na mão e, em especial, o potro Flymetothemoon, entrevistado e grande heroi da semana, sem seu merecido espaço.

É sim leitores, assim que o Grande Prêmio São Paulo 2009 (G1-2400mG), realizado no último domingo, dia 17 de maio, chegou ao fim, mais uma surpreendente história do mundo equino acabara de se escrever e se equiparar com o mundo dos humanos. A história da superação.

Quem não lembra da atleta brasileira Maurren Higa Maggi, afastada por doping das competições durante 5 anos, indo ao fundo do poço e retornando nas Olímpiadas de Pequim em 2008 para ganhar o ouro inédito no individual feminino de atletismo? Naquele momento, Maurren mostrou que a superação é fruto de um trabalho dedicado e de muita confiança. No último domingo, participando do GP do Rio de Janeiro, no Engenhão, a atleta voltou a ganhar outro ouro, representando a pátria com grande perfeição.

Bem, quis relembrar a história da Maurren porquê enquanto ela recebia a medalha de ouro no Rio de Janeiro, em São Paulo, mas precisamente no Hipódromo de Cidade Jardim, o potro Flymetothemoon também dava um grande exemplo de superação e se tornava o heroi da festa máxima paulista.

O pensionista de Venancio Nahid, três meses antes, havia rodado feio na mesma raia de São Paulo, e domingo foi à glória. Por isso, o grande personagem da semana não poderia deixar de conversar com nós do CERCA MÓVEL.

“É um prazer imenso poder participar desse blog, já conhecido de todos os equinos. Sem dúvida, domingo (17) foi um dia especial para a minha vida de corredor. A rodada em março, quando derrubei e acabei afastando Jorge Ricardo das pistas por 3 meses, me deixou bastante magoado. Nem tinha esperança em voltar a correr quando sai da raia.

Mas a dedicação do veterinário Flavio Carneiro e a paciência do treinador Venâncio Nahid depois do ocorrido, foram fundamentais para a minha superação. Eles acreditavam em mim e no meu potencial. Bastava apenas eu voltar a ter coragem de competir”
, relembra Flymetothemoon.

Depois do acidente no GP Latinoamericano 2009, o filho de Roi Normand e Onefortheroad (Ghadeer), de criação e propriedade do Haras Doce Vale, apareceu direto no Grande Prêmio São Paulo (G1-2400mG). Quis saber o que ele sentiu.

“Apreensão! Muita apreensão mesmo. Quando fiz o cânter e vi aquele mundo de gente, não nego que tremi nas bases. Mas menos pressionado. Sim, porque em março, no Latino, eu estava sendo pilotado por Jorge Ricardo, assumi o posto de favorito, fui muito perseguido nos metros iniciais do percurso e o final daquela história, você sabe bem como foi.

Mas no último domingo foi diferente. Apesar de estar apreensivo por causa da queda que havia sofrido e de ter um número maior de pessoas no Hipódromo de Cidade Jardim, percebi que as atenções não estavam voltadas para mim e sim para Hot Six. Também Waldomiro Blandi me passou confiança, eu sabia que estava bem preparado, enfim, foi um somatório de sentimentos que acabou resultando em confiança”
, resumiu.

Sobre o decorrer do páreo, o potro fez questão de desmentir os boatos de que era cerqueiro.

“Ri muito quando soube que os chamados comentaristas paulistas me chamaram de cerqueiro. Até na revista distribuida gratuitamente no dia do GP São Paulo me acusava de ser ‘extremamente cerqueiro’. Se realmente eu fosse o que eles disseram, jamais ganharia a prova, pois tinham 18 competidores anotados e larguei o mais longe possível da cerca interna. No decorrer do páreo, consegui atuar entre as linhas 4 e 7. Foi por esse mesmo caminho que na reta final, uma brecha fundamental se abriu e tratei de desenhar a minha vitória, a mais importante da minha campanha até agora”, admite.

Outro fato que não poderia ficar de fora era saber o que Flymetothemoon achava de Hot Six, que venceu o Latinoamericano em março e no último domingo o secundou, com apenas ¾ corpos de diferença.

“Hot Six é um potro de extrema qualidade. Não quero desmerecer os outros competidores, mas nos últimos 150 metros, só nós dois corríamos a prova. Por não ter sido vigiado dessa vez, tive um percurso mais limpo, enquanto ele precisou se esforçar mais, correndo sempre aberto para fugir de percalços.

Nossos encontros têm sido emocionantes. Ele é um ‘cara’ legal, bom de papo, mas um rival por quem tenho muita admiração e respeito. Nos encontramos em quatro ocasiões, três Grupo 1 e uma seletiva. Eu venci dois Grupo 1, ele as outras duas. Ou seja, estamos empatados. Quem sabe, no Grande Prêmio Brasil não ocorra o desempate!”
, sugere.

Para encerrar nossa entrevista, pedi para Flymetothemoon contar o que passou por sua cabeça no momento que cruzou o disco de chegada na frente, no Grande Prêmio São Paulo, no que fui prontamente atendida.

“Passou tanta coisa ao mesmo tempo que até fiquei meio tonto. Os gritos do público, a alegria por estar vivo e não ter se quebrado após o acidente de março, a lembrança do meu primeiro Grupo 1 na Gávea. Enfim, só me toquei que havia vencido outro Grupo 1 quando fui recebido por Venâncio Nahid (treinador) e Carlinhos (sub-gerente) na raia. Ali, vi que eu tinha superado todos os meus medos e apagado de vez a queda no Latino. Fui à glória!”, termina com os olhos marejados.

Pessoal, ele não quis falar, mas eu posso porque estava lá. Ele voltou da raia com os olhos também marejados, pois sabia o quão importante havia sido àquela conquista. Mas, sem dúvida que um reencontro entre ele e Hot Six será imperdível. Eu, ao menos, não pretendo perder.

Para a próxima semana, irei tentar falar com Glória de Campeão, que também foi um heroi no domingo ao vencer prova de Grupo 1 em Cingapura. Conto com vocês por aqui. Até a próxima!

sexta-feira, 15 de maio de 2009

E vai rolar a festa!

Pegando carona com o refrão do hit sucesso na voz da cantora Ivete Sangalo nos últimos carnavais, enfim tudo pronto para rolar a festa, mas não em Salvador e sim em São Paulo, local onde irão se encontrar os melhores cavalos do país para disputarem R$ 1 milhão em prêmios.

A festa dos corredores começa na sexta-feira e muitos estão ansiosos por participarem pela primeira vez da semana clássica mais importante do turfe paulista, como é o caso de Sagarana, anotada para a Prova Especial Off The Way (2000mG), sábado, no 5º páreo da programação de Cidade Jardim.

“Para mim, tudo é muito novo. Primeiro, porque será a primeira vez que viajo até São Paulo; segundo pelo fato de encarar logo uma prova nobre que faz parte da semana internacional paulista. Corri a preparatória do GP Osaf (G1-2000mG) na Gávea e a minha atuação animou meus responsáveis, que acabaram me anotando para esse desafio.

Porém, estaria mentindo se dissesse que estou calma. Estou muito nervosa, mas quanto mais o dia se aproximar, esse meu estado de nervos vai melhorar”
, acredita a defensora de Vera Lúcia de Sousa Guignoni.

Estrela Anki e Biodiversidade estão acostumadas com a esfera clássica carioca, mas também vão conhecer a raia do prado paulistano pela primeira vez. A favor da parelha do Stud Estrela Energia, o fato de viajarem juntas e se conhecerem bem.

“Fico mais tranquila por ter a companhia de Biodiversidade durante a viagem e também o percurso do GP Osaf (G1-2000mG). Se não fosse isso, estaria bastante nervosa”, conta a potranca Estrela Anki. A companheira de cocheira aproveita a deixa para brincar com a situação.

“Ela nem tem do que reclamar. Tem 3 anos e já vai viajar e competir contra as melhores éguas do país. Eu que já pensava que iria me aposentar, agora que estou tendo essa oportunidade. Tenho muito a agradecer ao Givanildo Duarte, meu treinador querido que me deixou no ponto certo para viajar e tentar uma vitória especial”, revela Biodiversidade.

Ainda no sábado, o cavalo Taludo anda confiante que conseguirá o bi no quilômetro internacional que será corrido no 7º páreo.

“Não quero desmerecer nenhum rival, mas só em não ter Requebra no campo, assumo que fico muito mais tranquilo. Também dei sorte de largar pela baliza 7, pois vou buscar rapidinho a cerca externa, caminho por onde consegui a minha conquista de 2008”, relembra o craque do Stud Patylippe.

Domingo é o dia mais aguardado da semana internacional paulista, pois três provas de Grupo 1 estão programadas, entre elas a que dá nome ao evento, o Grande Prêmio São Paulo (G1-2400mG) e seus R$ 500 mil de bolsa, cujo vencedor levará R$ 300 mil.

Entre os competidores, Jeune-Turc, que ganhou em 2008, tenta o bi e uma conta bancária mais recheada.

“O Jockey Club de São Paulo sabe fazer festa, disso eu não tenho dúvida! Foi um sonho a vitória do ano passado, mas reconheço que o campo não era tão complicado quanto o atual. Tem uns potros que respeito bastante, como o Hot Six, Gibson e Quadriball, que estão em franca evolução. Sendo que sou um cavalo mais experiente e estou no auge da minha forma física.

Meu treinador Venâncio Nahid não iria me inscrever por brincadeira nessa corrida. Portanto, quem pensa que eu não existo, aviso para reverem seus conceitos. Estou muito animado e tentarei sim ser bicampeão do GP São Paulo”,
alerta o defensor do Stud Ced.

Bain Douche, cavalo do Haras Europa que não participou da prova no ano anterior por ser considerado um milheiro, vem provando que os 2.400 metros é sim a sua distância ideal e pretende surpreender na magna prova do turfe paulista.

“Meus 4 anos serviram para amadurecer meu físico e minha mente. Sou um cavalo mais tranquilo e sei meu poder de locomoção. Tenho uma explosão final de respeito e pretendo usar isso para cima dos adversários. Minha única preocupação é que o páreo saiu muito cheio, então quem quiser ganhar precisará fugir de percalços.”

O comentado Hot Six não quis se aprolongar nas palavras. “Tenho excelente lembrança de São Paulo e tudo tem saído bem por lá. Vamos tentar repetir!”, relembrando sua conquista em março no internacional GP Latinoamericano (G1-2000mG).

Antes da prova máxima, potros e milheiros estarão correndo, respectivamente, nos GP’s Juliano Martins (G1-1600mG) e Presidente da República (G1-1600mG), fazendo uma prévia, ou melhor, um aperitivo de luxo para os turfistas que estiverem no Hipódromo de Cidade Jardim.

Eu não perco e estarei no disco de chegada, para conversar com os vencedores das carreiras. Semana que vem, o CERCA MÓVEL contará tudo para vocês. Até lá e excelente festa!

PARABÉNS CAPO LAVORO

Não poderia deixar de comentar a excelente performance de Capo Lavoro no Hipódromo do Cristal na noite de quinta-feira. O potro garantiu o título de tríplice coroado depois de vencer o Derby gaúcho. Com certeza, deverá largar o Sul para pintar pelas bandas do Sudeste do país.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Luto por Light of Loose

Como vão leitores fiéis. Estava com a matéria praticamente pronta sobre a volta por cima do potro Sugiro, vencedor na na última sexta-feira, feriado do Trabalhador, da Prova Especial Profissionais do Turfe (1600mG), no Jockey Club Brasileiro, mas fui pega de surpresa com a notícia da morte de Light of Loose.

O cavalo de 7 anos, bom de papo, que inclusive conversou conosco quando completou suas 20 vitórias (ler coluna “Categoria para dar e vender” de 25 de setembro de 2008) foi sacrificado na última quarta-feira, 6 de maio, devido a complicações no quadro de cólica.

O filho de Dodge e La Heaven (Piece of Heaven), criado pelo Haras Treis Pinheiros e defensor do Stud Amigos da Barra, era querido não só pelo público apostador, que sempre confiava em suas atuações, mas principalmente pelos colegas de cocheira.

Ranger Girl, desejada por diversos corredores do Rio de Janeiro e que muitos desconfiavam que a mesma tinha um romance com Light of Loose, estava aos prantos.

“Ele não podia ter partido. Era um exemplo. Um grande corredor. Sentirei muita falta da sua companhia”, lamentava a égua de 6 anos, que também residia na cocheira de João Coutinho Filho.

Light of Loose começou 2009 comprovando que não descansaria tão cedo, pois venceu a Prova Especial Talvez! (1200mA). Depois obteve a 3ª colocação no Clássico Jockey Club de São Paulo (L.-1100mA) e no mês de abril, enfrentando um claiming em 1.300 metros, garantiu a vitória de número 23 da campanha.

No total, Light of Loose atuou 64 vezes, somando 23 vitórias e 34 colocações, ou seja, só ficou fora do marcador em 7 oportunidades.

A princípio, o castanho Light of Loose havia ganho um descanso para retornar em junho à pista de areia, porém quis o destino que o mesmo fosse acometido com uma bactéria fatal, que levou a vida desse valente cavalo.

Light of Loose não constará mais nos Programas Oficiais do Jockey Club Brasileiro, mas a sua campanha corajosa ficará sempre na memória dos que adoram o Esporte dos Reis.

A seguir, trecho da entrevista concedida por Light of Loose ao CERCA MÓVEL em 25 de setembro de 2008.

Aos 7 anos de idade, o filho de Dodge e La Heaven (Piece of Heaven), criado pelo Haras Treis Pinheiros, no Paraná, ensinou que idade não é documento. Mesmo carregando 61kg de Ilson Correa, entre 9 e 6 quilos a mais que os adversários, o defensor do Stud Amigos da Barra conseguiu a 20ª vitória da campanha.

“Fiquei muito satisfeito com o resultado obtido. Não nego que cheguei a me chatear por ter sido a terceira força da prova, mas analisando com calma a diferença de peso dos meus concorrentes, percebi o porquê da dúvida de alguns turfistas.Quando larguei da seta dos 1.300 metros, vi Patota do Cosme e Senhor Manolo forçando tudo para fazer a diagonal e assumirem as duas primeiras posições.

Para não tomar muita areia na cara dos dois competidores, preferi ficar em 3º, com uns dois corpos distantes.Foi uma vantagem necessária, pois quando entrei na reta, além de não ter nenhum torrão de areia na cara, tive espaço suficiente para escolher por onde iniciar minha atropelada.

Como Patota do Cosme e Senhor Manolo duelavam com ardor e começavam a se jogar mais para a cerca interna, não tive dúvidas, me posicionei pelo meio de raia e dei adeus aos adversários ‘levinhos’.Cruzei o disco com 3 corpos de vantagem e garanti mimos extras na cocheira do João Coutinho Filho, afinal de contas, 20 vitórias, são 20 vitórias não é?”, desafiou o castanho, que apesar da idade e da quantidade excessiva de conquistas, garante que não pensa em parar.

“Parar? Esse verbo não existe no meu vocabulário eqüino”, relinchou, mostrando experiência e bom-humor.