Suaposta

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Potros querem chamar atenção de treinadora carioca

Era o que faltava no universo equino, dois potros estão disputando a atenção da treinadora Claudia Cury e estão fazendo isso muito bem: na raia. Trata-se de To Flight e Don Chemyr, com quem conversei durante os últimos dias.

To Flight, vencedor do Clássico Ernani de Freitas (L.-1600mG), mostrou superioridade por já contar com provas nobres na campanha.

“Sou um filho de Our Emblem e Namoradinha (Royal Academy), criado pelo Haras Santa Maria de Araras, ou seja, já vim de berço nobre. Acabo de colecionar a primeira de muitas vitórias clássicas que pretendo obter. Por tudo isso, com certeza, sou o queridinho da 'Claudinha'”, fala To Flight, que defende as cores do Stud Brincadeira.

Escutando seu vizinho de boxe falar, Don Chemyr não deixou por menos e mostrou que também tem muita qualidade para conquistar o carinho da treinadora.

“Parabéns ao To Flight pela vitória nobre, ele fez excelente papel e mereceu a conquista. Mas, quero lembra-lo, que a nossa treinadora nutre um carinho especial por mim, pois sou filho de Mastro Lorenzo e meu pai proporcionou a Claudia Cury não só vitória, mas importante colocações nobres. Sim, também vale frisar que só atuei três vezes e o aumento da distância me fez dividir a raia de areia do Hipódromo da Gávea. Portanto, na grama, ainda posso melhorar ainda mais”, provocou o filho de Mastro Lorenzo e Numidia (New Colonny), criado pelo Haras Di Cellius e defensor das sedas do Stud Maggiore.

To Flight ficou apreensivo com as palavras de Don Chemyr, mas preferiu não aumentar a discussão.

“Ok, tudo bem, parabéns também pela sua vitória. Acredito que seu próximo compromisso poderá ser clássico e podemos trabalhar juntos para, quem sabe, conseguir uma dobradinha nobre para a 'Claudinha'”, propõe.

Na mesma hora, Don Chemyr relinchou de alegria e concordou com o colega de cocheira.

“Com certeza! Isso seria maravilhoso e com certeza nós dois dividiriamos o coração da nossa querida treinadora. Conte comigo, pois irei me dedicar bastante.”

Quando imaginei que a discussão enfim tinha terminado, To Flight fez um comentário pouco proveitoso.

“Então estamos combinado. Será bom ganhar outra prova nobre, principalmente para a minha campanha e...”, quando iria continuar a falar, foi cortado por Don Chemyr, que já foi falando.

“Que estória é essa de sua segunda prova nobre. Saiba que o vencedor será eu, principalmente se for nos 1.600 metros.”

Quando os ânimos ficaram a flor da pele, eu tentei acalmar os dois bonitos PSI.

“Peraê meninos, vocês e todos os outros pensionistas da Claudia Cury são muito queridos por ela. Todos a deixam felizes com os resultados dentro e fora da raia. Posso adiantar para vocês que ela tem planos distintos para ambos e conto aos dois se prometerem se acalmarem”, eu disse.

Os dois se entreolharam e concordaram com a cabeça, desde que eu contasse a verdade. Então cumpri com o prometido.

“Depois da treinadora ter curtido o seu aniversário de 50 anos na Inglaterra, conhecendo os principais hipódromos daquele país e vendo de perto o sheik Mohammedd, ela voltou empolgada para o Brasil e disposta a voltar a vencer importantes provas.
Vocês dois são os queridinhos dela, com certeza, e os planos para ambos são distintos. Você, Don Chemyr, ela pretende que siga os passos do seu pai, correndo na milha e, quem sabe, vencendo o GP Presidente da República (G1-1600mG) em agosto de 2010.
Já você To Flight, poderá ser preparado para distâncias mais longas e se tornar a primeira inscrição da treinadora no Grande Prêmio Brasil (G1-2400mG). Portanto, vocês não precisam brigar e sim, treinarem com vontade para dar essa alegria dupla a sua treinadora”
, encerrei.

Os dois ficaram boquiabertos, olhando um para a cara do outro, e combinaram de se ajudarem mutuamente em busca de realizar os sonhos da treinadora e deles também. E eu, por sorte, sai da cocheira sem precisar tomar nenhum coice.

Fico por aqui e vejo vocês na semana que vem!

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Blue Elf quer mesmo é descansar

Como vão leitores, saudades? Pois saibam que eu tive muita por não ter atualizado na semana anterior. Aliás, acredito que descobri o quanto é ruim para uma jornalista ficar sem internet e, pior, sem computador. Na semana anterior, o meu computador central decidiu parar de funcionar e, apesar de tentar de todas as formas que ele voltasse a dar sinais vitais, o mesmo não correspondeu.

Resultado, não tive escapatória, precisei falar com a minha família de escorpiões (que crio nos bolsos) e comprar uma nova máquina. Por conta disso, aqui estamos de volta com o nosso CERCA MÓVEL semanal.

Tinha até conversado na semana anterior com o potro Timeo, ganhador de duas provas de Grupo 1 com apenas 3 anos, mas como a matéria ficou tardia, apelei para o experiente Blue Elf, que a cada ano, mostra que corre ainda mais.

O defensor do Stud Azul e Branco ganhou o Grande Prêmio Salgado Filho (G2-1600mA) no último domingo, no Hipódromo da Gávea, e comemorou bastante o feito.

“Até que enfim, consegui vencer esta prova. Já estava ficando cismado, pois foi a terceira vez que competi nesse importante Grande Prêmio e não nego que almejava bastante essa conquista”, inicia o filho de Choctaw Ridge e British Reef (Main Reef), criado pelo Haras San Francesco.

É verdade que em 2007, aos 4 anos, ele encarou pela primeira vez o clássico carioca.

“Fui 4º colocado e no ano seguinte cheguei em 3º. Esse ano eu não queria ser 2º, só me valia ser 1º”, brandou o castanho.

Morando no Centro de Treinamento Vale do Itajara desde os 2 anos, Blue Elf sabe que deverá ter no máximo mais 1 ano de campanha para depois se aposentar, mas não quer pensar muito sobre isso.

“Estou com 6 anos e me sinto em grande forma, basta qualquer um observar a forma fácil que ganhei no domingo. Encerrar a campanha é natural para qualquer corredor, mas não quero ficar pensando nisso. Quero é continuar correndo e ganhando”, resume.

Pedi para Blue Elf comentar sobre os principais momentos de sua 12ª vitória, sendo a 7ª na esfera nobre.

“Quem pegou o resultado e viu que ganhei por 10 ¾ corpos deve ter achado que foi hiper-fácil a conquista. Mas devo informar que foi uma das vitórias mais difíceis que obtive. Quando comecei a avançar, na reta final, na altura dos 300 metros finais, no mesmo instante Ptzinho também surgiu com excelente ação e fazia uma diagonal, fechando a linha que eu pretendia utilizar.

Tive sorte por ter o Marcelo Cardoso sobre o meu dorso, pois é um jóquei experiente. Ele sabia que eu tinha muitas reservas e não desistiu da corrida. Me tirou com calma para o externo da pista e ai sim, tratei de correr. Quando emparelhei com Ptzinho, faltavam apenas 100 metros para o disco, mas ou ele parou ou eu voei, porque realmente a diferença de corpos foi uma surpresa para mim”
, assume Blue Elf.

O defensor do Stud Azul e Branco não pensa mais em corridas nesse ano de 2009, porém ainda prevê boas atuações na atual temporada.

“O Hipódromo da Gávea não é igual o Paraná, onde as principais corridas são na areia. Aqui (no Rio), a grama ‘fala’ mais alto. Sei também que tenho qualidades para correr na relva, mas gosto mesmo de atuar na areia, então é preferível aguardar o Clássico Verão (L.-1600mA), em janeiro de 2010, para voltar a mostrar minhas qualidades.

Lógico que não irei parar com os trabalhos, até porquê, Dulcino Guignoni, mesmo suspenso, não dá folga a cavalhada. Sem falar que ele adora provas nobres, então temos de estar sempre em forma”
, encerra Blue Elf.


Foto: Davi de Oliveira

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Vupt Vapt repete o nome em Grupo 1



Muita gente deve se lembrar da famosa frase do saudoso personagem do Chico Anysio, Professor Raimundo, quando parava a “aula” na Escolinha para ter o comercial televisivo. “É vapt e vupt!” era o jargão utilizado para avisar que logo o programa voltaria. Uma forma das pessoas não ficarem longe da tv por muito tempo.

Pois bem, acertadamente, o Haras Pirassununga escolheu um filho de Romarin e Ela Manda (Stuka) e o ‘batizou’ de Vupt Vapt, o contrário do que falava o professor Raimundo. Sendo que assim como era rápida a propaganda para a volta do programa humoristico, mais rápido ainda é o potro que pertence ao Stud São José dos Bastiões.

Estive em São Paulo no último sábado e acompanhei de perto o desenrolar do GP Jockey Club de São Paulo (G1-2000mG), a segunda etapa da Quádrupla Coroa de produtos. Aliás, antes dos potros entrarem na raia, vi o Vupt Vapt olhar de forma carinhosa para o seu proprietário, o pernambucano Serginho Paiva. Quando passou ao meu lado, Vupt Vapt me olhou e disse. “Esse páreo é nosso!”

Bem, não nego que fiquei meio cabreira, pois o favorito da corrida era Olympic Danz, que tinha atuado muito bem na primeira etapa da Coroa masculina, diferente de Vupt Vapt, que chegou descolocado naquela ocasião. Mas, corridas são sempre corridas.

Dada a largada, o potro do São José dos Bastiões, que tem até um pouco de sotaque nordestino tamanha a comunicação com os seus responsáveis, saiu gritando do partidor. “Sai da frente, senão eu sento a peixeira!”, mas relinchou em seguida, provando que estava brincando.

Fez todo o train de percurso, mandando na carreira, sempre correndo junto aos paus. Eu observava ele agoniado, reclamando com o José Aparecido, seu jóquei, durante o final da reta oposta. “Oh ‘hômi’, tu vai ou não deixa eu correr mais solto?”, indagava o potro, mas o Aparecido nada respondia. Acredito que ele não tinha o dom de ouvir o cavalo.

Enfim, seguindo a corrida, os competidores entraram na reta final e quando os atropeladores se preparavam para tentar surpreender o ponteiro, Aparecido deu as rédeas necessárias a Vupt Vapt. “Ainda bem que você me ouviu né!”, falou o potro para em seguida livrar boa vantagem e cruzar o disco de chegada na frente, com ½ corpo sobre o atropelador Vasuveda.

Depois da corrida, quando ele voltava para o padoque, recebeu abraços e beijos do proprietário Serginho Paiva e do treinador Milton Singnoretti ainda na raia.

“Pera pessoal, vocês estão estragando o meu penteado! Ok, brincadeirinha, podem beijar a vontade, porque o Grupo 1 é nosso!”, vibrava Vupt Vapt.

Após as tradicionais fotos, com diversos amigos e torcedores do Stud São José dos Bastiões, o potro se encaminhou para a sua cocheira em Cidade Jardim e quis saber dele qual a sensação da vitória.

“Ganhar é sempre maravilhoso, mas vencer uma prova de Grupo 1 é um sonho. Mas não posso negar que Vasuveda me deu um baita susto. Até agora eu nem sei de onde ele surgiu, mas ainda bem que já estava com a vitória assegurada. No Derby Paulista, tenho de cuidar dele, até porque, sei de suas qualidades. Ele é 7 dias mais velho que eu e nascemos nos mesmos campos do Haras Pirassununga, mas temos características diferentes. Eu prefiro correr na frente e dizer logo a que vim. Vasuveda gosta de atuar no fundo do lote e atropelar com pouco espaço. Enfim, é um rival perigoso. Mas até o próximo encontro, eu quero é comer muita cenoura e aproveitar esse meu momento de rei. Esse tempo não quero que seja vapt vupt e sim, mais demorado”, relincha e dá por encerrado o bate papo.

Enfim, o próximo encontro sem dúvida promete e eu não quero perder de forma alguma. Fui num Vupt Vapt!

AGRADECIMENTO

Venho aqui agradecer a colaboração da amiga Faby Mattos no CERCA MÓVEL da semana anterior, ela, assim como eu e alguns outros apaixonados pelos cavalos de corrida, conseguimos escutar o que eles dizem e fico feliz por ela ter nos contado sobre o romance da First Julia.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Faby Mattos bate papo com First Julia no CERCA MÓVEL

Esta semana, os leitores do CERCA MÓVEL serão brindados com uma entrevista exclusiva com First Julia em Porto Alegre. A veterinária e leitora do nosso blog, Faby Mattos, conversou com a potranca e transmito a todos o bate-papo entre as duas.

Faby Mattos: Visitei First Julia em sua cocheira, pois além dela, tenho mais um amigo por lá: o terceiro filho da La Garufa. Um doce de potro, lindo e querido demais que se chama Filho da Filha (Dodge). Acho, inclusive, que correrá o Turfe Gaúcho 2010, buscando seguir os passos da mãe.

Mas enfim, quando cheguei lá, a First tava na cocheira bem faceira, já que semana passada ela ganhou absoluta o Criterium de Potrancas na milha, marcando 98s1/10, e recebeu o apelido de "metralhadora de patas". Estava uma baaaaaaaaaita chuva, aí ela me convidou pra entrar lá dentro que era mais quentinho... peguei meu mate e ficamos trovando enquanto ela se entupia com as cenouras que eu tinha levado de presente (que os donos não saibam... um deles será meu professor de Equinos na faculdade!!! hahahahahaha!!! aí tou lascada!!!)....

Faby Mattos: E ai negrinha, quais os planos?

First Julia: não sei... (nhoc, nhoc,nhoc) eu entendi que vou ficar aqui até a milha do Bento... tô meio nervosa, porque eu vou correr a preparatória em outubro... e caso vá bem como fui nessa última, devo disputar a milha do Bento... já pensou???? nunca corri contra os mais velhos e ainda mais que o Stud tem tradição nesse páreo... nas milhas... o Oligarca Gaúcho ganhou muitas, inclusive o Presidente da República! É muita responsabilidade, não sei se estou preparada... (nhoc, nhoc....)

FM: Está sim... claro que tá... aliás... acho que tu vai ter algumas surpresas pro Bento....

FJ: é tou sabendo... o Ladrilheiro vai voltar né (me olha parando de comer..)

FM: Ahm... falei pra Karol meio por cima essa tua história com ele e o Sr. Temido... não sei se devia... mas ela queria saber detalhes e publicar se tu deixasse...

FJ: Falou??????? Meu santo protetor das potrancas!!!

FM: Ahm, fiz mal?? Se fiz, desculpa, não era minha intenção...

FJ: Não, não... afinal, não é segredo pra ninguém mais... todo mundo sabe que eu sinto muita falta do Senhor Temido... e só agora estou conseguindo me recuperar, deixando um pouco de lado toda essa história e dando o melhor de mim na raia....

FM: Me explica direito essa história....

FJ: Tá, eu vou te contar... (abocanhou mais uma cenoura e deitou na cocheira pra ficar mais confortável)Tudo começou quando eu cheguei aqui no Cristal... tava super assustada de sair da minha casa, pra longe da minha mãe. Eu sabia que a minha vida ia mudar completamente, mas não sabia que seria tanto. Logo que cheguei, ouvi meus responsáveis falando que eu ia disputar o Turfe Gaúcho, junto com outros dois potros do Stud. Não os conhecia, mas ouvi dizer que tinham uma grande filiação, assim como a minha....

FM: Tá, e aí?

FJ: Aí que começaram os treinos... eu só tava preocupada em ficar pronta pra correr essa prova... já tinha ouvido muitas estórias sobre o quanto ela era importante, sobre a La Garufa... enfim, coisas que tu também deve saber. Aí foi num desses treinos que eu conheci o Ladrilheiro. De começo, achei um guri meio trovador... sempre falante, risonho, parecia despreocupado. No dia que treinamos de parelha pela primeira vez, descobri que correriamos a mesma prova. No fim das contas, aquela má impressão passou e nos tornamos bons amigos. Como éramos companheiros de cocheira, passávamos muito tempo conversando... fazendo planos pra prova, junto com o Consumidor, que também correu com a gente. Ficamos muito, muito amigos mesmo, sabe? Ele e o Consumidor eram que nem irmãos pra mim.

FM: Tá e onde entra o Senhor Temido nessa história?

FJ: Calma Beth! Já chego lá.... (relincha)Um dia de manhã eu tava lá na pista esperando meu jóquei pra gente ir galopar... iam marcar meu tempo naquela manhã. Eu tinha que ir muito bem. Estava um pouco nervosa sabe... os guris já tinham passado na pista... só faltava eu. De repente, olho pra frente e vejo aquele potro vindo na minha direção, calmo, tranquilo... bonito (fala meio envergonhada). Ele tinha olhos pretos grandes e brilhantes, e também tava olhando pra mim... foi trazido pro box do lado daquele onde eu estava e quando passou por mim falou um simpático "oi"... guriaaaaaaaaaa! derreti!!! (assustei quando ela ficou sentada na cocheira e botou a pata direita no peito) Olha, meu coração chega a disparar só de lembrar!!!

FM: HAUAHUAHAUAHAHAUHAUAHUA!!! Mas foi assim, na hora, amor a primeira vista???

FJ: (me interrompe e segue falando) Eu malemal balbuciei um "o-o-oi". Aí ele perguntou se eu tava bem, pois parecia nervosa... eu disse que sim, porque iam marcar meu tempo e precisava ir muito bem, pois ia correr o Turfe Gaúcho. Claro que era mentira neh!!! Eu tava era encantada, pois ele era a criatura de quatro patas mais linda que eu já tinha visto!! (relincha, ainda sentada..) Ai! Ele era tão gentilll! Me olhou e disse: "Também tenho uns companheiros de cocheira que vão correr o Turfe. Um deles é o Tio Colete e o outro... ahm... não lembro bem o nome, pois ele não deu muito papo... meio fechadão sabe?" Fiz um sinal com a cabeça, meio sem graça. E ele: "desculpe, mas... qual é o seu nome?" "F- First Julia... e o seu?" " Meu nome é Senhor Temido, muito prazer." "Igualmente" respondi, totalmente vermelha!! Já tava me dando uma quentura, guria. Ele era muito bonito, e querido, e educado e...

FM: Ai criatura, chega... assim tu não termina nunca de me contar...

FJ: é mesmo né... enfim... aí quando meu jóquei veio e eu corri, marquei 10s cravados para os 200 metros! Estava muito feliz, pois sabia que tinha ido bem! Quando tava indo em direção à ducha, o Senhor Temido ia entrar na raia pra galopar. Com um grande sorriso nos lábios veio me dar parabéns "Nossa, tu corre de verdade hein? Meus parceiros vão ter trabalho!!! Parabéns!!!". Muié, eu não sabia se ficava mais feliz pelo meu tempo ou por ele... (suspira).Aí chegou o dia do Turfe. Estávamos todos nervosos. Aquelas 7 horas de padoque antes da prova são pra mexer com os nervos de qualquer um. A história final da corrida tu já sabe né.

FM: sei sim... deu True Swank... sei inclusive que na quinta feira antes do Turfe, o Senhor Temido tinha estreado e vencido fácil uma Prova Especial...

FJ: Pois é... e assim venceu três consecutivas... e entrou segundo pro Gallian no GIII. Parada dura diga-se de passagem...

FM: Sim, isso tudo eu sei...

FJ: O que tu não sabe é que nesse meio tempo entre o Turfe até essa derrota dele no GIII, muitas coisas aconteceram.

FM: tipo, o que?

FJ: como eu te disse antes, eu e Ladrilheiro nos tornamos grandes amigos. Eu o considerava um irmão. Treinávamos juntos, conversávamos, fazíamos planos pras provas futuras, sabe amigos mesmo, daqueles de verdade? Trocávamos confidências! Contei a ele sobre o Senhor Temido, de como eu tinha ficado maravilhada e de como ele corria. Falei do quanto meu coração acelerava quando ele passava, mas que não sabia se era correspondida, pois das poucas vezes que conversamos, sempre foi maravilhoso, mas ele parece que nunca dava abertura sabe??? Sempre nos encontrávamos na raia. E nas festas na cocheira dele, na minha... na cocheira da minha melhor amiga Onda, que também sabia dele. Ela até queria fazer meus lados com ele, mas eu não deixei, não tinha coragem. E ela sempre dizia que volta e meia ele ficava me olhando...

FM: é mesmo?? então ele sentia alguma coisa por ti...

FJ: Não tinha certeza, pois ele era a sensação do momento. Muitas potrancas suspiravam por ele, falavam dele... o que ele ia querer comigo?!?!?! Sempre fui meio na minha, meio tímida. Eu ficava um pouco triste, pois tava apaixonada... mas nunca tive a coragem de dizer a ele. E ele sempre era um amor comigo, passávamos bastante tempo conversando...E Faby, eu contava isso pro Ladrilheiro, assim como estou te contando... via que ele ficava meio quieto, mas sempre me dava apoio, me consolava. Até que numa noite, depois de boas relinchadas, o Ladrilheiro segurou minha pata e disse que tinha uma coisa importante pra me dizer...

FM: ai... levei medo!

FJ: É isso mesmo que tu imaginou. Ele disse que era apaixonado por mim desde que começamos a conversar. Que nunca tinha dito nada, pois sabia que eu o considerava somente como amigo. Mas que ele não aguentava mais, pois estava prestes a ir embora pra Gávea. E não queria ir sem fazer com que eu soubesse de tudo o que ele sentia.

FM: Ai, que dó... tadinho...

FJ: Fiquei sem saber o que dizer sabe... e aí ele me disse mais: "Amanhã vou correr o Clássico J.A. Flores da Cunha. Vou ganhar essa prova pra ti. Para provar que eu mereço ser o dono do teu coração, que sou bom o suficiente pra ti... que sou melhor do que ele..." Faby, ele ia correr contra o Senhor Temido, que só tinha perdido pro Gallian... vinha de 3 vitórias e um 2º no GIII... tipo, era muito complicado ele perder essa prova pro Ladrilheiro entende?

FM: Sim, eu me lembro... lembro que até indiquei o Sr. Temido nas minhas marcações, apesar do receio pela raia de grama. Só que aparentemente ele era muito superior... Mas eles correram e...

FJ: E o Ladrilheiro ganhou... juro que nunca imaginaria que ele conseguiria. Não que ele não tivesse categoria para isso, pois também é um guri muito corredor e esforçado. Na hora da prova meu coração saía pela boca. Acompanhei da cocheira, sabia que ele tinha feito um esforço absurdo pra ganhar essa corrida. Quando ele chegou na cocheira, ele foi até o meu box e disse: "ganhei pra ti... ganhei dele pra ti... será que eu mereço o teu amor agora?" Fiquei sem palavras... senti que o deixei magoado. Mas não tinha como, meu coração era do Senhor Temido e o Ladrilheiro era como um irmão pra mim.

Poucos dias depois, o Ladrilheiro foi pra Gávea... até tem feito boas atuações, mas pelo que eu soube não está nem perto do máximo que ele pode dar... não nos falamos mais desde então. Ele foi sem se despedir, estava muito triste. Eu também estava. Contei pra minha amiga Onda, que tava de molho na cocheira machucada. Ela disse pra eu ficar tranquila, que tudo ia se resolver. Pra eu me concentrar no futuro, tentar esquecer... "você foi sincera com ele" ela dizia... "e isso é o que vale".

FM: E o que aconteceu depois?

FJ: Depois de tudo isso, 15 dias depois pra ser mais exata, fui anotada para correr a 2ª prova da Tríplice Coroa Juvenil. O Senhor Temido estava anotado na Versão Potros e disputava o título, pois havia ganho a primeira. Eu estava um pouco sentida ainda pelo Ladrilheiro, tinha medo de ter perdido o meu grande amigo/irmão e também nervosa pois não corria desde o Turfe. Porém, lembrei das palavras da Onda e tratei de me concentrar para a corrida. O Senhor Temido veio até o meu box: "boa sorte Julia... corra como você sabe!" e me deu um beijinho no rostooooooo! (suspira eufórica... juro que vi estrelinhas nos olhos dela)

Nossa, aquilo me deu um gás. Corri e entrei segundo por 1/2 cabeça pra Gororoba do Ipê num final eletrizante! Relinchávamos juntas no final, pois apesar de eu ter perdido, só nós duas corremos aquele dia, foi sensacional! Gente boa a Gororoba, nos tornamos boas amigas! Ele me parabenizou depois, quando estava no padoque esperando o jóquei, pois ia entrar na raia. Lhe desejei muito boa sorte. Ele piscou de volta (suspira de novo), deu aquele sorriso e entrou na raia. Eu tinha certeza que ele ia ganhar, como de fato ganhou... e mais do que nunca era favorito ao título de Tríplice Coroado.Depois de falar isso leitores, First Julia mudou completamente a expressão... levantou-se, abocanhou mais uma cenoura e ficou quieta, pensativa...

FM: O que foi?

FJ: (com os olhos marejados e expressão triste) Ah Faby, depois disso... finalmente nos aproximamos mais...

FM: e tu me fala isso com essa cara de tristeza?

FJ: foi maravilhoso... nos víamos todos os dias... na raia, às vezes na vila hípica. Conversamos, rimos... num fim de tarde tomando mate, quase rolou um beijinho (fala envergonhada). Só não rolou porque... sei lá... porque somos patetas!

FM: insisto... porque tu me fala isso com essa cara de tristeza?

FJ: A gente tava anotado pra correr a terceira prova da Coroa Juvenil. E dois dias antes da prova ele segurou minha pata e me disse: "Julia, se eu ganhar a Tríplice... acho que vão me mandar pra Cidade Jardim..." Fiquei em choque. Ele não podia ir embora, não agora que as coisas estavam começando a se ajeitar! Aquilo me doeu por dentro sabe? Já tinha ouvido boatos de que ele estava sendo negociado pra Dubai e quando soube que o negócio não tinha se concretizado, fiquei tão feliz. Mas Cidade Jardim? É longe também!

FM: Mas Julia, esse é o destino dos craques... o próprio Ladrilheiro tinha ido embora, o Capo Lavoro... foram em busca de melhores oportunidades...

FJ: Eu sei, minha mãe sempre dizia... mas não pude deixar de ficar triste... no dia da corrida, eu tava muito mal... coração partido... pois sabia que ele ia dar o melhor na raia, como sempre fazia, ia vencer... e ia embora... eu tinha passado a noite toda chorando, não comi e não dormi direito. Aquilo tudo na minha cabeça e no meu coração me prejudicaram. Ele correu antes de mim, partiu a raia do Cristal ao meio na milha e foi Tríplice Coroado. Ou seja, ele ia embora... Entrei na raia com o coração partido. Fiz uma péssima corrida e fracassei. Tirei 6º lugar na prova que a Gororoba ganhou. Ela veio me perguntar o que tinha acontecido, não conseguia nem falar, estava arrasada. A Onda me ligou no celular perguntando como eu estava. Meus responsáveis até hoje pensam que a causa do meu fracasso nessa corrida foram dores musculares. Mas mal sabem eles, que o que doía mesmo era o coração...

FM: e vocês se falaram depois disso?

FJ: Na noite antes dele viajar, ele deixou uma flor na janela da minha cocheira... com uma cartinha. "Não podia ir embora sem deixar essa pequena lembrança pra ti, que animou meus dias. Porém, não gostaria de vê-la com lágrimas nos olhos, assim como eu estou. Quero guardar de ti, a lembrança do sorriso com que me desejavas boa sorte na hora da minha prova e da tua voz nas nossas conversas. Vou sentir saudade. Um beijo. Senhor Temido"E aí ele foi embora... soube que não tem conseguido atuar bem em Cidade Jardim. Não nos falamos mais também, assim como Ladrilheiro.


Já tinha anoitecido quando saí da cocheira dela. Sei que ela ficou mexida, então me despedi e deixei ela descansar. Se alguém tiver notícias dos dois cavalos e puder informar, eu (Faby Mattos) e First Julia agradecemos.

Até a próxima!