Suaposta

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Vem chegando o Brasil






Como estão vocês, leitores-turfistas, ou turfistas-leitores, tanto faz. O importante é que o CERCA MÓVEL não morreu e os cavalos que andaram me crucificando pelo fato de estarem sem VOZ na rede (quando eu digo rede, não é aquela lá do Nordeste e das casas de veraneio, que todo mundo curte após um dia longo na praia. Estou falando da internet, ok???) podem parar de cobranças. Estamos de volta.

Primeiramente, gostaria de agradecer à colaboração da amiga gaúcha Fabi, que fez uma exclusiva com Force to Force e que publicamos na semana anterior. Acredito que em breve, ela estará revezando e aparecendo mais vezes por aqui, pois também entende o que os cavalos falam.

Pois bem meus digníssimos leitores e cavalos, o CERCA MÓVEL não morreu e nem morrerá, apenas está obedecendo a idéia de ser uma cerca móvel, ou seja, só utilizado às vezes (escapei de ser xingada? Espero que tenha dado certo esta desculpa).

Enfim, vamos parar de conversinha e tratar do que interessa, ou seja, saber dos corredores que estarão pisando na grama do Hipódromo da Gávea no final de semana dos dias 31 de julho e 1° de agosto.

Sábado, 31 de julho, como de praxe, será o dia dos velocistas e das éguas, graças à realização dos GP’s Major Suckow (G1-1000mG) e Roberto e Nelson Grimaldi Seabra (G1-2000mG), o antigo Osaf carioca, respectivamente.

Estive no Centro de Treinamento Dedo de Deus e conversei com três corredores que estão com compromisso firmado para tal data. O primeiro a me dar atenção foi um potrinho muito gente boa chamado Desejado Thunder, o problema é que ele, como a maioria dos jovens, curte falar em gíria.

“E ai Karol, tudo na paz?”, perguntou o potro, mas logo eu solicitei que ele comentasse a vitória no GP Cordeiro da Graça (G2-1000mG), ocorrida em 10 de julho último.

“Foi tranqüila. Pensei que poderia ter um pouco mais de trabalho, por conta de correr contra cavalos mais experientes, mas ocorreu justamente o contrário. Acredito que foi uma das vitórias mais fáceis que obtive”, confessa.

Já sobre as expectativas para o quilômetro internacional, Desejado Thunder mostra cautela. “A última atuação, apesar de ter sido um Grupo 2, era uma preparatória para o Grupo 1. Alguns adversários serão os mesmos, porém, não será uma tarefa fácil. O importante é continuar trabalhando bem e contar com uma direção segura do E. Ferreira Filho. Caso a gente cruze o disco na frente, ai sim, pode escrever na tua coluna: os garotos arrebentam no Suckow! Falou”, deu a dica do título o potro.

Após conversar com Desejado Thunder, fui recebida por éguas que devem figurar como as estrelas do “Brasil das Éguas”: Dolly Max e Inchatillon. Elas não trabalharam em parelha, mas antes de entrarem na raia, conversaram comigo. O que mais me admirou foi o fato delas serem muito amigas.

“Nem na raia somos inimigas. Não corremos em parelha para não ter o risco de uma ou outra ficar de fora de uma corrida, por isso cada uma defende uma farda diferente, porém é uma única família. Tenho muito respeito pela Inchatillon e ela sabe todos os meus segredos”, contou Dolly Max.

“Concordo com ela. Quem tem de se preocupar com a gente são as corredoras das outras coudelarias. Eu e a Dolly Max somos uma única família”, reforça Inchatillon.

Dolly Max retomou a palavra, antes de entrar na raia. “Quando eu ou Inchatillon vencemos uma prova, a festa é a mesma na cocheira. Somos muito amigas. Quase irmãs. Torcemos uma pela outra. Se pudéssemos, buscaríamos sempre empatar. Mas o percurso das corridas não permite. Na verdade, quem não permite são os nossos jóqueis, eles sim disputam estatística. Sobre a minha vitória na preparatória, minha única chateação foi a Inchatillon não ter ficado na dupla, mas eu sei porque isso ocorreu”, encerra relinchando e indo para a raia.

Para não ficar sem resposta, cobrei de Inchatillon uma posição. “Essa Dolly Max é fogo mesmo. Às vezes não pensa. Mas, fazer o quê? Adoro esta guria. Enfim, na noite anterior a corrida eu sai para uma festinha de cocheira e por isso corri um pouco cansada no dia seguinte, mas não vou entrar em detalhe. Pronto, falei”, diz de supetão Inchatillon, já fugindo para ir à raia.

Comentei que Dolly Max ainda trabalhava, então ela poderia me responder mais uma pergunta. Inchatillon concordou.

“Tudo pela amizade. Tudo bem, o que o CERCA MÓVEL quer saber?”, indagou a égua. Mesmo cheia de vontade de saber o que rolou na noite anterior à preparatória, precisei me render ao profissionalismo e pedi para Inchatillon falar sobre suas chances no GP Roberto e Nelson Grimaldi Seabra.

“Espero correr um pouco mais contida, aguardando os 350 finais para atropelar. Dessa forma que gosto de correr e o Mazini sabe disso. Vou me concentrar, trabalhar firme e pensar positivo para que tudo dê certo”, encerrou Inchatillon, visto que Dolly Max saia da raia feliz da vida.

“Ela contou? Ela contou?”, perguntava Dolly Max. Respondi que não, no que a defensora da Coudelaria Alvarenga Desejada sacaneou. “Então, eu também não sei de nada”, estirou a língua como se fosse mal criada e caiu no relincho. Eu e vocês leitores, dessa vez, vamos ficar sem saber o que Inchatillon aprontou. Um dia, quem sabe, ela fala.

Quando me preparava para ir embora, eis que surgiu Our Potri e fez um trabalho de encher os olhos. Perguntei porque tamanho empenho e o mesmo não escondeu seu desejo.

“Sei que Another Xhow é uma das grandes esperanças do Stud Alvarenga no Grande Prêmio Brasil 2010 (G1-2400mG), sendo que me sinto em meu melhor momento como atleta. Preciso mostrar que estou pronto para a grande carreira e fazer valer o pagamento do meu Added.
Fico satisfeito por não estar sendo o centro das atenções, então posso correr da minha forma e surpreender os adversários. Sei que Marcos Mazini sentiu dúvidas no momento de decidir entre eu e Another Xhow e estou feliz por ser conduzido pelo Marcelo Cardoso. Darei tudo de mim para obter esta vitória”, falou emocionado o cavalo.

Então pessoal, não tive tempo de conversar muito com Matéria Prima, mas tanto ele quanto Vital Class estarão alinhados no GP Presidente da República (G1-1600mG). Espero que todos vocês estejam aqui no Rio de Janeiro e curtam todas as emoções da semana máxima carioca.

Semana que vem, entrevisto os vencedores. Grande abraço e até lá...

Sequência das fotos (de cima para baixo): Our Potri, Inchatillon, Dolly Max e Desejado Thunder
Fotos: Karol Loureiro

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Porte Mediano, Coração Gigante e Tríplice Coroado



Peço licença à minha amiga Karol Loureiro e aos seus fiéis leitores do Cerca Móvel, para compartilhar a felicidade de um pequeno cavalo, mas com um enorme coração, que eu tive a oportunidade de testemunhar.
Amigos, trata-se de Force To Force, esse simpático potro filho do excelente Arambaré em Allea Jacta Est, por Magical Mile, de criação e propriedade do Haras Maluga. O pupilo de A. Cruz, venceu o GP Derby Rio Grandense (2400mA), depois de vencer as outras duas provas da Coroa, repetindo o feito de Capo Lavoro em 2009, que já foi personagem deste blog.
Com apenas 420Kg, Force To Force não é do porte dos grandes campeões que estamos acostumados a ver. Contudo, está invicto em suas 7 saídas, provando que é um craque. E foi após ouvir comentários maldosos a respeito do seu tamanho que Force To Force chegou pulando de alegria até a área social para receber sua coroa:
“Eu disse! Tamanho não é documento! Vocês se lembram do Seabiscuit?Poisé, sou pitoco, mas corro muito!” relinchou bem humorado, provocando risos até nos seus adversários de prova. Perguntei-lhe se ele tinha ficado chateado com os comentários. “De forma alguma! Meu porte nunca foi um obstáculo pra mim. As pessoas ficaram contentes com a minha vitória e se surpreenderam comigo. Ouvi todo mundo gritando meu nome e o do meu jóquei, Marcos Boeira, da tribuna. Foi um momento tão maravilhoso, que esses comentários se tornaram secundários. Só me deram mais força para vencer!”
Após a foto da vitória, já com a Coroa no dorso (que ele tentava mordiscar a qualquer custo), peço a Force To Force para me contar um pouco mais sobre a corrida, no que fui prontamente atendida: “Eu estava meio nervosão. Apesar de todos estarem muito confiantes no meu trabalho, eu sabia que a distância não ia ser fácil. Também estava de olho em Urucum, pois além de ser um excelente corredor, estava com o campeão TJ sobre o dorso. Isso é para deixar qualquer um preocupado. Tanto é, que nós dois fizemos um pega sensacional! Ele é um cara muito gente boa. Fomos sempre intercalando na primeira posição até os 500 finais, quando meu jóquei me deu rédeas e se ajustou no meu dorso. Não tive dúvidas, era a hora! Tratei de dar a partida, botar todo meu coração nas minhas patas e correr forte para o disco!” E foi isto que aconteceu, basta ver a corrida para comprovar a autoridade com que ele ganhou a prova, parando os cronômetros na marca de 2m31/7s.
Force To Force seguiu falando, agora emocionado “Queria muito agradecer ao meu proprietário, o Haras Maluga e ao meu treinador A. Cruz, que cuidou muito bem do meu preparo. Mas principalmente, acredito que devo a minha vitória ao meu jóquei, Marcos Boeira, que é quem trabalha comigo nas matinais e foi quem me conduziu em 6 das minhas 7 vitórias, só não estando sob o meu dorso em uma oportunidade, por causa de um acidente chato que sofreu. Aliás fiquei muito preocupado com ele. Foi ele quem me deu confiança e me segurou quando eu ficava ansioso na corrida, me soltando no momento certo. Formamos uma dupla e tanto, cara! Muito obrigado!” Perguntei ao potro se ele estava muito cansado ao final da corrida, pois se vocês repararem leitores, ele chegou ao disco com a língua de fora “Cansado, eu? Bem capaz! A língua de fora é o meu charme!” relinchou.
Quis saber dele quais eram os planos futuros, já que agora ele tinha entrado no seleto rol dos Tríplices Coroados: “É uma honra carregar esse título. Papai Arambaré deve estar orgulhoso de mim. Aliás, eu tenho muito orgulho do que ele foi e também dos meus irmãos, que só provam a qualidade dele como pai a cada dia que passa. O meu futuro ainda não sei bem. Meu sonho é disputar o Protetora do Turfe (GIII) e principalmente o Bento Gonçalves (GI)” relincha. “Mas estou esperando a decisão do meu proprietário. Claro que seria maravilhoso conhecer outros lugares, Rio, São Paulo, Uruguai, Argentina, quem sabe um dia Dubai. Mas por outro lado, ficaria muito honrado de ter na minha campanha as principais provas gaúchas, afinal foi aqui que nasci e tenho muito orgulho, como todo gaúcho, de ser gaúcho!” encerra um feliz Force To Force, se dirigindo de volta a cocheira. Ele não parou um minuto de tentar comer a Coroa. Um arranjo tão bonito de flores, que arrastava no chão de tão grande. Fui obrigada a chamar sua atenção: “A Coroa é minha... se eu quero eu como! Aliás, bem que poderia ser uma Coroa de cenouras...”
Coroa de cenouras. Era só o que faltava (risos). Parabéns ao guloso Force To Force!

Foto: Kadígia Dutra