Suaposta

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Vem chegando o Brasil






Como estão vocês, leitores-turfistas, ou turfistas-leitores, tanto faz. O importante é que o CERCA MÓVEL não morreu e os cavalos que andaram me crucificando pelo fato de estarem sem VOZ na rede (quando eu digo rede, não é aquela lá do Nordeste e das casas de veraneio, que todo mundo curte após um dia longo na praia. Estou falando da internet, ok???) podem parar de cobranças. Estamos de volta.

Primeiramente, gostaria de agradecer à colaboração da amiga gaúcha Fabi, que fez uma exclusiva com Force to Force e que publicamos na semana anterior. Acredito que em breve, ela estará revezando e aparecendo mais vezes por aqui, pois também entende o que os cavalos falam.

Pois bem meus digníssimos leitores e cavalos, o CERCA MÓVEL não morreu e nem morrerá, apenas está obedecendo a idéia de ser uma cerca móvel, ou seja, só utilizado às vezes (escapei de ser xingada? Espero que tenha dado certo esta desculpa).

Enfim, vamos parar de conversinha e tratar do que interessa, ou seja, saber dos corredores que estarão pisando na grama do Hipódromo da Gávea no final de semana dos dias 31 de julho e 1° de agosto.

Sábado, 31 de julho, como de praxe, será o dia dos velocistas e das éguas, graças à realização dos GP’s Major Suckow (G1-1000mG) e Roberto e Nelson Grimaldi Seabra (G1-2000mG), o antigo Osaf carioca, respectivamente.

Estive no Centro de Treinamento Dedo de Deus e conversei com três corredores que estão com compromisso firmado para tal data. O primeiro a me dar atenção foi um potrinho muito gente boa chamado Desejado Thunder, o problema é que ele, como a maioria dos jovens, curte falar em gíria.

“E ai Karol, tudo na paz?”, perguntou o potro, mas logo eu solicitei que ele comentasse a vitória no GP Cordeiro da Graça (G2-1000mG), ocorrida em 10 de julho último.

“Foi tranqüila. Pensei que poderia ter um pouco mais de trabalho, por conta de correr contra cavalos mais experientes, mas ocorreu justamente o contrário. Acredito que foi uma das vitórias mais fáceis que obtive”, confessa.

Já sobre as expectativas para o quilômetro internacional, Desejado Thunder mostra cautela. “A última atuação, apesar de ter sido um Grupo 2, era uma preparatória para o Grupo 1. Alguns adversários serão os mesmos, porém, não será uma tarefa fácil. O importante é continuar trabalhando bem e contar com uma direção segura do E. Ferreira Filho. Caso a gente cruze o disco na frente, ai sim, pode escrever na tua coluna: os garotos arrebentam no Suckow! Falou”, deu a dica do título o potro.

Após conversar com Desejado Thunder, fui recebida por éguas que devem figurar como as estrelas do “Brasil das Éguas”: Dolly Max e Inchatillon. Elas não trabalharam em parelha, mas antes de entrarem na raia, conversaram comigo. O que mais me admirou foi o fato delas serem muito amigas.

“Nem na raia somos inimigas. Não corremos em parelha para não ter o risco de uma ou outra ficar de fora de uma corrida, por isso cada uma defende uma farda diferente, porém é uma única família. Tenho muito respeito pela Inchatillon e ela sabe todos os meus segredos”, contou Dolly Max.

“Concordo com ela. Quem tem de se preocupar com a gente são as corredoras das outras coudelarias. Eu e a Dolly Max somos uma única família”, reforça Inchatillon.

Dolly Max retomou a palavra, antes de entrar na raia. “Quando eu ou Inchatillon vencemos uma prova, a festa é a mesma na cocheira. Somos muito amigas. Quase irmãs. Torcemos uma pela outra. Se pudéssemos, buscaríamos sempre empatar. Mas o percurso das corridas não permite. Na verdade, quem não permite são os nossos jóqueis, eles sim disputam estatística. Sobre a minha vitória na preparatória, minha única chateação foi a Inchatillon não ter ficado na dupla, mas eu sei porque isso ocorreu”, encerra relinchando e indo para a raia.

Para não ficar sem resposta, cobrei de Inchatillon uma posição. “Essa Dolly Max é fogo mesmo. Às vezes não pensa. Mas, fazer o quê? Adoro esta guria. Enfim, na noite anterior a corrida eu sai para uma festinha de cocheira e por isso corri um pouco cansada no dia seguinte, mas não vou entrar em detalhe. Pronto, falei”, diz de supetão Inchatillon, já fugindo para ir à raia.

Comentei que Dolly Max ainda trabalhava, então ela poderia me responder mais uma pergunta. Inchatillon concordou.

“Tudo pela amizade. Tudo bem, o que o CERCA MÓVEL quer saber?”, indagou a égua. Mesmo cheia de vontade de saber o que rolou na noite anterior à preparatória, precisei me render ao profissionalismo e pedi para Inchatillon falar sobre suas chances no GP Roberto e Nelson Grimaldi Seabra.

“Espero correr um pouco mais contida, aguardando os 350 finais para atropelar. Dessa forma que gosto de correr e o Mazini sabe disso. Vou me concentrar, trabalhar firme e pensar positivo para que tudo dê certo”, encerrou Inchatillon, visto que Dolly Max saia da raia feliz da vida.

“Ela contou? Ela contou?”, perguntava Dolly Max. Respondi que não, no que a defensora da Coudelaria Alvarenga Desejada sacaneou. “Então, eu também não sei de nada”, estirou a língua como se fosse mal criada e caiu no relincho. Eu e vocês leitores, dessa vez, vamos ficar sem saber o que Inchatillon aprontou. Um dia, quem sabe, ela fala.

Quando me preparava para ir embora, eis que surgiu Our Potri e fez um trabalho de encher os olhos. Perguntei porque tamanho empenho e o mesmo não escondeu seu desejo.

“Sei que Another Xhow é uma das grandes esperanças do Stud Alvarenga no Grande Prêmio Brasil 2010 (G1-2400mG), sendo que me sinto em meu melhor momento como atleta. Preciso mostrar que estou pronto para a grande carreira e fazer valer o pagamento do meu Added.
Fico satisfeito por não estar sendo o centro das atenções, então posso correr da minha forma e surpreender os adversários. Sei que Marcos Mazini sentiu dúvidas no momento de decidir entre eu e Another Xhow e estou feliz por ser conduzido pelo Marcelo Cardoso. Darei tudo de mim para obter esta vitória”, falou emocionado o cavalo.

Então pessoal, não tive tempo de conversar muito com Matéria Prima, mas tanto ele quanto Vital Class estarão alinhados no GP Presidente da República (G1-1600mG). Espero que todos vocês estejam aqui no Rio de Janeiro e curtam todas as emoções da semana máxima carioca.

Semana que vem, entrevisto os vencedores. Grande abraço e até lá...

Sequência das fotos (de cima para baixo): Our Potri, Inchatillon, Dolly Max e Desejado Thunder
Fotos: Karol Loureiro

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Porte Mediano, Coração Gigante e Tríplice Coroado



Peço licença à minha amiga Karol Loureiro e aos seus fiéis leitores do Cerca Móvel, para compartilhar a felicidade de um pequeno cavalo, mas com um enorme coração, que eu tive a oportunidade de testemunhar.
Amigos, trata-se de Force To Force, esse simpático potro filho do excelente Arambaré em Allea Jacta Est, por Magical Mile, de criação e propriedade do Haras Maluga. O pupilo de A. Cruz, venceu o GP Derby Rio Grandense (2400mA), depois de vencer as outras duas provas da Coroa, repetindo o feito de Capo Lavoro em 2009, que já foi personagem deste blog.
Com apenas 420Kg, Force To Force não é do porte dos grandes campeões que estamos acostumados a ver. Contudo, está invicto em suas 7 saídas, provando que é um craque. E foi após ouvir comentários maldosos a respeito do seu tamanho que Force To Force chegou pulando de alegria até a área social para receber sua coroa:
“Eu disse! Tamanho não é documento! Vocês se lembram do Seabiscuit?Poisé, sou pitoco, mas corro muito!” relinchou bem humorado, provocando risos até nos seus adversários de prova. Perguntei-lhe se ele tinha ficado chateado com os comentários. “De forma alguma! Meu porte nunca foi um obstáculo pra mim. As pessoas ficaram contentes com a minha vitória e se surpreenderam comigo. Ouvi todo mundo gritando meu nome e o do meu jóquei, Marcos Boeira, da tribuna. Foi um momento tão maravilhoso, que esses comentários se tornaram secundários. Só me deram mais força para vencer!”
Após a foto da vitória, já com a Coroa no dorso (que ele tentava mordiscar a qualquer custo), peço a Force To Force para me contar um pouco mais sobre a corrida, no que fui prontamente atendida: “Eu estava meio nervosão. Apesar de todos estarem muito confiantes no meu trabalho, eu sabia que a distância não ia ser fácil. Também estava de olho em Urucum, pois além de ser um excelente corredor, estava com o campeão TJ sobre o dorso. Isso é para deixar qualquer um preocupado. Tanto é, que nós dois fizemos um pega sensacional! Ele é um cara muito gente boa. Fomos sempre intercalando na primeira posição até os 500 finais, quando meu jóquei me deu rédeas e se ajustou no meu dorso. Não tive dúvidas, era a hora! Tratei de dar a partida, botar todo meu coração nas minhas patas e correr forte para o disco!” E foi isto que aconteceu, basta ver a corrida para comprovar a autoridade com que ele ganhou a prova, parando os cronômetros na marca de 2m31/7s.
Force To Force seguiu falando, agora emocionado “Queria muito agradecer ao meu proprietário, o Haras Maluga e ao meu treinador A. Cruz, que cuidou muito bem do meu preparo. Mas principalmente, acredito que devo a minha vitória ao meu jóquei, Marcos Boeira, que é quem trabalha comigo nas matinais e foi quem me conduziu em 6 das minhas 7 vitórias, só não estando sob o meu dorso em uma oportunidade, por causa de um acidente chato que sofreu. Aliás fiquei muito preocupado com ele. Foi ele quem me deu confiança e me segurou quando eu ficava ansioso na corrida, me soltando no momento certo. Formamos uma dupla e tanto, cara! Muito obrigado!” Perguntei ao potro se ele estava muito cansado ao final da corrida, pois se vocês repararem leitores, ele chegou ao disco com a língua de fora “Cansado, eu? Bem capaz! A língua de fora é o meu charme!” relinchou.
Quis saber dele quais eram os planos futuros, já que agora ele tinha entrado no seleto rol dos Tríplices Coroados: “É uma honra carregar esse título. Papai Arambaré deve estar orgulhoso de mim. Aliás, eu tenho muito orgulho do que ele foi e também dos meus irmãos, que só provam a qualidade dele como pai a cada dia que passa. O meu futuro ainda não sei bem. Meu sonho é disputar o Protetora do Turfe (GIII) e principalmente o Bento Gonçalves (GI)” relincha. “Mas estou esperando a decisão do meu proprietário. Claro que seria maravilhoso conhecer outros lugares, Rio, São Paulo, Uruguai, Argentina, quem sabe um dia Dubai. Mas por outro lado, ficaria muito honrado de ter na minha campanha as principais provas gaúchas, afinal foi aqui que nasci e tenho muito orgulho, como todo gaúcho, de ser gaúcho!” encerra um feliz Force To Force, se dirigindo de volta a cocheira. Ele não parou um minuto de tentar comer a Coroa. Um arranjo tão bonito de flores, que arrastava no chão de tão grande. Fui obrigada a chamar sua atenção: “A Coroa é minha... se eu quero eu como! Aliás, bem que poderia ser uma Coroa de cenouras...”
Coroa de cenouras. Era só o que faltava (risos). Parabéns ao guloso Force To Force!

Foto: Kadígia Dutra

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Final temperado no GP São Paulo 2010



Pessoal, estou cansada e meio após trabalhar, por mais um ano, na semana 'internacional' paulista. Leilões, criadores, proprietários, profissionais, e carreiras, muitas carreiras. Ouvi muita coisa nos bastidores e nas cocheiras. Muito cavalo reclamando, outros exaltando, mas, enfim, a maior parte curtia mais uma semana de festas.

Uma das principais reclamações eram dos cavalos cujos donos não aparecem com frequência no dia a dia comum. Um tordilho, que preferiu não se identificar, confessou. "Esse meu proprietário só quer saber de farra. A última vez que esteve aqui na cocheira eu ainda era potro. Agora, que estou com 4 anos, quase 5, vem com a maior cara de pau dizer que estou mais bonito! Dá vontade de falar: lógico, eu cresci."

Também fiquei feliz em obter uma exclusiva com o cavalo Tareco, que formou a dobradinha do Stud Eternamente Rio na Prova Especial Quartier Latin (1600mG), realizada logo após as emoções do Grande Prêmio São Paulo 2010 (G1-2400mG).

"Você observou meus novos proprietários. Estou ansioso e otimista por mudar de ares. Adorava a equipe da cocheira de Luis Esteves e defender as cores do Stud Eternamente Rio. Conseguir chegar na dupla em prova nobre na semana mais importante do turfe bandeirante é fechar com chave de ouro a minha campanha nas pistas de corrida. Agora o negócio será o pólo. Sei que o peso no meu dorso será um pouco maior, mas ficarei sempre mais próximo do meu dono. Espero uma visita do CERCA MÓVEL nesse meu novo mundo, ok?", pediu o filho de Rainbow Corner e Take Halo (Southern Halo), criado no Haras Campestre.

Começamos falando de domingo, mas antes de seguir, retornarei à programação do sábado paulista. Em que entrevistei a eufórica Que Milionaria, vencedora do GP Osaf 2010 (G1-2000mG). "É verdade? Eu ganhei?", falava a égua de 4 anos, quando retornava ao padoque. A mesma começou a relaxar quando recebeu um carinho especial do proprietário Tico. Após as fotos tradicionais, Que Milionaria deu o seguinte depoimento para o CERCA MÓVEL.

"O que tenho para falar é simples. Estava sendo preparada com muito carinho pelo Dr. Estanislau Petrochinski, meu veterinário e treinador. O jóquei Ivaldo Santana era quem estava comigo nas matinais, aprendendo a melhor forma que gosto de atuar. A soma da convivência diária, do trabalho duro e da confiança da equipe resultou nesta vitória, a minha primeira em Grupo 1", resumiu a filha de P.T.Indy e Ke Fortuna (Minstrel Glory), criada no Haras Ponta Porã.

No quilômetro internacional, também realizado no sábado em Cidade Jardim, Jeton de Luxo tratou de provar que é outro filho de Impression que merece atenção da imprensa.

"Meu irmão (Gloria de Campeão) é um craque e teve oportunidade de mostrar para o mundo sua classe e categoria. Mas tenho orgulho em defender as cores do Harass Rio Iguassu e quem sabe, os mesmo não arriscam de me levar para fora do país. Afinal de contas, sei que tenho uma campanha interessante", desabafou o tordilho, que em seis saidas, ganhou cinco corridas, sendo uma o GP ABCPCC (G1-1000mG). Na outra atuação, formou a dupla, perdendo por 3/4 corpos. Ou seja, é um corredor e tanto Jeton de Luxo.

Agora sim leitores, voltaremos para a tarde do último domingo no Jockey Club de São Paulo. O "garoto", ou potro, como acharem melhor, Xin Xu Lin manteve a invencibilidade justamente no GP Juliano Martins (G1-1600mG). Apesar de ter apenas 2 anos, o corredor de José Renato Cruz e Tucci mostrou que além de correr, saber falar.

"Quem leu a entrevista da aprendiz Jeane Alves na Revista Turf Brasil não poderia deixar de jogar umas pules em mim. A garota havia vencido com Equitana, sem nem ao menos trabalhar a mesma. Já comigo, com quem trabalhava diariamente, entregou o ouro. Enfim, lamento a quem não acreditou. Quero aproveitar este espaço para agradecer ao meu veterinário e treinador Estanislau Petrochinski, pois mesmo tendo apenas uma corrida na campanha, soube me encorajar nos treinos para que eu enfrentasse um Grupo 1 de igual para igual. Obrigado!", encerrou Xin Xu Lin.

Após a realização do GP Presidente da República (G1-1600mG), Too Friendly deu o seguinte depoimento.

"Tenho sorte nesta raia e nesta distância", resumiu o filho de Signal Tap, que ganhou de ponta a ponta a corrida, garantindo o segundo Grupo 1 da campanha. O primeiro havia sido em maio de 2009, quando aos 2 anos levou o GP Juliano Martins (G1-1600mG).

Bem, os leitores chegaram até aqui esperando a exclusiva com o potro de 3 anos, Sal Grosso. Não se preocupem, apesar de grande assédio com o vencedor do Grande Prêmio São Paulo 2010 (G1-2400mG), o mesmo também falou com o CERCA MÓVEL, extremamente emocionado.

"Ouvi algumas bobagens nos bastidores, pelo fato de não ter vencido o GP Cruzeiro do Sul - Derby Brasileiro (G1-2400mG). Bem, a melhor resposta é dada sempre na raia. Está ai, para quem quiser ver. Vim para São Paulo, estreei numa raia que não conhecia, mas consegui correr do meu jeito, sem interferências. Também contei com a sorte, pois tive um caminho livre por junto da cerca interna. Enfim, agora mereço um descanso até o GP Brasil 2010 (G1-2400mG)", encerrou o pensionista de Venâncio Nahid, por quatro vezes, sendo três consecutivas, treinador campeão da prova máxima paulista.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

A chegada da cegonha


Olá amigos leitores, no próximo domingo todos nós vamos comemorar o dia das mães. Analisando com calma, descobri que o tema "MÃE" é sucesso seja com humanos ou com cavalos. Aliás, com puro-sangue inglês é fundamental, pois uma boa linhagem depende, em grande parte, da genética da égua.

Escrevo isso porque vi no Twitter, na terça-feira, a felicidade da atriz Juliana Paes (aquela que fez o papel de indiana-mocinha da TV Globo) ao descobrir que estava grávida.

Sendo que mais animada que a atriz global estava a égua Tanta Honra, que conversou comigo no mesmo dia, através do Skype, informando que também estava grávida e, o melhor de tudo, de malas prontas para retornar ao Brasil.

"Felicidade tremenda. Já sinto que o meu filho é uma pequena parte minha. É uma experiência sensacional e única. Não vejo a hora de olhar meu bebê nos olhos", explode de alegria Tanta Honra.

A égua do Stud São Francisco da Serra está em Newmarket desde novembro de 2009, quando ela saiu do Brasil com destino aos Emirados Árabes, mas precisou fazer aclimatação na Inglaterra.

"Sai do Rio de Janeiro no início do verão carioca, cheguei na Europa e peguei os termômetros abaixo de zero. Gripei na hora. Quase uma pneumonia. Então meu doce proprietário (Toni Pinto) decidiu encerrar minha campanha", relembrou o fato a égua.

Quis saber da mesma se ficou muito chateada por não ter participado do Carnival da Dubai World Cup no começo deste ano.

"Antes de ficar gripada, estava me sentindo em excelente estado físico, portanto sabia que tinha chances de surpreender as éguas que estavam em Dubai. Fiquei mais triste ainda por não ter conhecido os Emirados Árabes, mas acompanhei a trajetória dos brasileiros e vibrei muito com a grande vitória de Gloria de Campeão na Dubai World Cup (G1-2000mA).

Sendo que se por um lado eu não conheci Dubai, por outro, o destino me levou ao encontro do lindo Byron, do Darley Stud. Tivemos um excelente entrosamento e o resultado é a minha gravidez"
, sorri descontraida.

Tentei buscar mais detalhes sobre o romance de Tanta Honra e Byron, e a castanha, com muita sutileza, respondeu.

"Posso dizer apenas que tivemos ótimos momentos de prazer. Sendo que para um bom entendedor, já basta né?", relincha descontraidamente.

Para encerrar nosso bate papo, Tanta Honra falou sobre as saudades do Brasil.

"Não penso em outra coisa a não ser voltar ao Brasil. Meu doce proprietário (Toni) entendeu meus pedidos e concordou com meu retorno. Isso duplicou a minha alegria, pois além de ser mãe e poder parir no Brasil, estarei ao lado dos meus pais, Crimson Tide e Tana-Am, no Haras Bagé do Sul.

Ou seja, meu filho nascerá na presença dos avós e no excelente clima brasileiro. É ou não é para explodir de alegria? Acredito que no máximo em agosto eu esteja pousando no Rio Grande do Sul e espero a sua visita, pois papai Crimson Tide me avisou que você esteve por lá em novembro de 2009. Quero repeteco!"
, exigiu, com enorme carinho, Tanta Honra.

Confirmei que irei visita-la e ainda levarei umas cenouras para o bebê. E para Tanta Honra, para Juliana Paes, para Dona Rosa (minha mãe) e todas as mães do mundo, desejo uma excelente semana e um domingão daqueles.

100 POSTAGENS

Sim pessoal, a mais pura verdade, apesar de algumas semanas sem aparecer por aqui, conseguimos chegar ao número de 100 postagens.

Espero que os novos e antigos leitores sigam firme para mais 100, ok... Conto sempre com vocês.

sábado, 10 de abril de 2010

Cavalos parabenizam aprendizes no Rio de Janeiro



Olá leitores, desculpem a demora na atualização, mas estou em Natal, curtindo um solzinho, depois dos temporais que castigaram o Rio de Janeiro e amendrotaram, inclusive, os nossos valentes cavalos de corrida.

Na segunda-feira, quando começou o sofrimento dos cariocas com as chuvas, na raia do Hipódromo da Gávea ocorriam as corridas normalmente. Sendo que quem dava o show na raia eram os aprendizes, feito que encheu de orgulho os cavalos de corrida, cujo os mesmos, conversando comigo na mesma noturna, enalteceram o serviço dos "meninos" da Escola de Aprendizes do Jockey Club Brasileiro.

"Disputei um bonito páreo com Demi Cindy, que estava sendo conduzida por V. Borges (Ap. 3). Sendo que A. F. Matos estava mais seguro e conseguimos livrar cabeça no disco final. Se logo no início da noturna, dois aprendizes já proporcionaram uma disputa acirrada e limpa, com certeza mais coisas boas iriam acontecer", explicou a vencedora Redigida, uma filha de Redattore e Unity (Ringaro), que foi conduzida por A. F Matos (Ap. 3) e abriu a programação do Hipódromo da Gávea.

Mas se V. Borges (Ap.3) perdeu com Demi Cindy na abertura da reunião, no 3° páreo o garoto não deu chance ao azar. Sobre o dorso da favorita La Judoca, garantiu uma fácil conquista.

"Impressionante a vontade de vencer do garoto. Parecia que montava há anos. Deixou que eu corresse do meu jeito, sem me forçar a nada. Sentiu quando as adversárias poderiam perturbar e me trouxe com extrema facilidade ao disco final. Agradeço ao V. Borges pela minha vitória", falou La Judoca, uma defensora do Stud Big Winner's.

Na 6ª prova da reunião, V. Borges (Ap.3) surpreendeu mais uma vez conduzindo o grande azar Primeiro Comando.

"Todos achavam que eu não tinha chance alguma na corrida, sendo que a pista de areia estava do jeito que eu gosto, bem encharcada, e tinha sobre o meu dorso o aprendiz V. Borges, que não desiste de uma boa briga. Tomamos a ponta e senti a aproximação forte de Martelete D'Oro. Faltando uns 80 metros para o disco, vi que o rival tinha me ultrapasado. Estava disposto a entregar as pontas, foi quando senti o garoto se mexer sobre o meu dorso, exigindo na medida certa uma reviravolta.

A atitude dele mexeu comigo, então não quis desistir. Corri com todas as forças que me restavam e fomos recompensados, pois livrei cabeça de vantagem ao cruzar o disco. Volto a afirmar que o êxito é tão meu quanto do jovem aprendiz", discursou emocionado Primeiro Comando.

Sendo que mal voltamos a respirar após o final emocionante entre Primeiro Comando e Martelete D'Oro, na prova seguinte, a 7ª do programa, novamente os aprendizes surpreenderam com a mesma intensidade das chuvas.

C. Henrique (Ap.3) e H. Fernandes (Ap.2) fizeram um mano a mano perfeito conduzindo, respectivamente, Dá-lhe Mossoró e Al-Majd. O primeiro levou a melhor.

"Gostei muito da coragem de C. Henrique (Ap.3) sobre o meu dorso. Não desistiu da corrida em momento algum e também não permitiu que eu fizesse isso. Espero contar com o jovem em outras oportunidades", derrete-se Dá-lhe Mossoró.

Leitores, até parece que o C. Henrique (Ap.3) escutou o meu papo com Dá-lhe Mossoró, pois na corrida seguinte, o garoto tratou de desbancar os adversários conduzindo a égua Kate-Five. A filha de Astor Place e Kate Vanilla (Choctaw Ridge), criada no Haras San Francesco, não economizou nos elogios ao aprendiz.

"Se todos os jóqueis conduzissem com a vontade e a determinação do C. Henrique (Ap.3), facilitariam a vida de nós, corredores. O momento da corrida depende do desempenho de nós, cavalos, e deles, jóqueis. Muitos desistem antes de alcançar o disco, fazendo com que nós também. Mas não entendem que sentimos a vibração de quem realmente quer ganhar. Foi essa sensação do C. Henrique que me fez superar toda e qualquer dificuldade de atuar na chuva para vencer o 8° páreo carioca", disse Kate-Five.

E para encerrar a reunião dos aprendizes, nada mais justo que um deles ganhar o último páreo. Foi o que fez H. Fernandes (Ap.2) sobre o dorso de Abaixo do Par.

"Ele tem melhorado cada vez mais. Nas cocheiras, conversamos sobre os profissionais que atuam e o nome de H. Fernandes sempre é lembrado. Principalmente porque o garoto, diferente de outros jóqueis, não nasceu sobre o dorso de um cavalo. Ele gostava de nós e tratou de aprender com empenho cada detalhe nosso.

Está com muitas conquistas justamente por este trabalho de não desistir de aprender sobre como nós, cavalos, funcionamos. Fechamos a reunião de segunda-feira com a certeza de que bons jóqueis estão sendo formados na Escola de Aprendizes do Jockey Club Brasileiro", discursou Abaixo do Par, um pensionista de Marcos Ferreira.

Bem, como o próprio Abaixo do Par frisou, uma ótima safra de aprendizes está saindo da Escola de Aprendizes do JCB, o que será bom para o espetáculo das corridas de cavalo.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

O glorioso pedido de um campeão



No último sábado, dia 27 de março, por volta das 15h, horário de Brasília, estava chegando no Hipódromo da Gávea e liguei do meu celular para Dalva de Oliveira. O motivo: dar os parabéns pela conquista de Glória de Campeão na Dubai World Cup 2010 (G1-2000mA), fato que engrandeceu todos os verdadeiros amantes dos cavalos de corrida e também a nossa criação nacional.

Fui surpreendida ao ser atendida com um relincho. Não leitores, não era a titular do Stud Estrela Energia que estava relinchando e sim o próprio Glória de Campeão quem me atendeu.

"Karol Loureiro, estava mesmo querendo falar com você já tem um tempo. Precisei vencer a Dubai World Cup para conseguir tal feito?", ele me indagou.

Num primeiro momento, fiquei sem palavras, pois há tempos que não conversava com um puro-sangue inglês e, Glória de Campeão, é desses cavalos que tenho como ídolo, por sua categoria e raça em qualquer raia do mundo.

Então dei os parabéns ao filho de Impression e Audacity (Clackson), criado no Haras Santarém, por mais uma excepcional conquista, relatando o quanto eu e diversos outros brasileiros estavamos felizes pela vitória internacional milionária. No que Glória de Campeão me respondeu.

"Agradeço as palavras e sei que são verdadeiras, mas penso que você gostaria de saber o por quê que eu estava lhe procurando para falar?", me perguntou novamente. Não tendo muita escapatória, concordei e quis saber do cavalo de 6 anos o que queria comigo, no que fui prontamente atendida.

"Estou chateado com você. Afinal de contas, ler o CERCA MÓVEL é a minha diversão aqui no exterior, pois fico sabendo de tudo o que anda rolando entre os cavalos e éguas que estão no Brasil. De repente, do nada, não vejo mais atualizações. O que aconteceu? Deixar de nos ouvir não é, pois estás falando comigo agora. Então é bom que tenhas uma boa desculpa, pois nos proporcionar uma leitura agradável e descontraída durante bom tempo e depois cortar sem mais nem menos não é legal. Ou você me dá uma boa explicação ou nunca mais lhe concedo uma entrevista exclusiva", bufou Glória de Campeão.

Leitores, fiquei uns 30 segundos sem falar nada. Apenas compreendendo o que acabava de ouvir do nosso campeão internacional. Então percebi que devo desculpas a ele e a todos vocês que visitam este espaço semanalmente, além de um esclarecimento de tudo o que realmente aconteceu.

Infelizmente passei por uma turbulência na minha vida pessoal, no meu relacionamento mais íntimo, digamos assim, e isso influenciou a minha forma de pensar e agir. Escrever o CERCA MÓVEL é um prazer imenso, que faço com um grande gosto e sempre muito feliz. Sendo que eu não estava feliz para escrever. As palavras não vinham, as ideias, as entrevistas, nada surgia, porque estava mal por dentro.

A dor no peito não permitia que eu transbordasse alegria para escrever nesse espaço. Precisava curar. Dizer que estou completamente curada seria uma mentira, mas a alegria proporcionada pelo Glória de Campeão em Dubai, o que demonstrou a força dos nossos corredores em qualquer lugar do mundo, fez com que eu voltasse a sentar em frente ao computador e digitasse todo o texto que vocês estão lendo agora.

Lógico que também não poderia perder a exclusividade em conversar com o nosso glorioso campeão, nem com todos os outros cavalos que atuam dentro e fora do Brasil, pois tudo de bom que construi na minha vida, foi graças a eles. Assim como eu, diversas pessoas dependem de suas patas, de sua coragem, de seu desempenho, e, acima de tudo, de sua fidelidade.

Todo cavalo de corrida é fiel ao seu dono, ao seu treinador, ao seu jóquei, ao seu cavalariço, ao seu torcedor, enfim, a todos que o cercam. Obrigada Glória de Campeão por trazer de volta a minha alegria em escrever este CERCA MÓVEL!