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sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Negro da Gaita antecipa Natal da Coudelaria Jéssica

Desde que voltei da Argentina, quando fui cobrir o festival internacional do GP Carlos Pellegrini (G1-2400mG), que fiquei sem aparecer por aqui. Sinto muito leitores, mas não foi por maldade, muito pelo contrário. Muito trabalho, gripe e as compras de fim de ano fizeram com que eu ficasse fora do ar do mundo virtual. Recebi as reclamações dos eqüinos e dos humanos que costumam passar por aqui e, por conta disso tudo, estou aqui.

Tenho três assuntos a tratar com vocês, são eles: Negro da Gaita, Skip Away e Jujuy.

Primeiro vou contar a vocês a entrevista exclusiva que o Negro da Gaita me proporcionou ainda em San Isidro, ao voltar da raia, após formar a dupla no internacional GP Carlos Pellegrini (G1-2400mG), no sábado, dia 13 de dezembro. Muito aplaudido pela torcida da Coudelaria Jéssica, observei com clareza lágrimas nos olhos do filho de Know Heights e Graciosa Bailarina (First American), criado pelo Stud Mega.

“É impossível conter a emoção. Queria muito vencer por eles, que me aplaudem mesmo eu chegando na 2ª posição. Sendo que meus proprietários e equipe sabem o quanto me esforcei nas últimas semanas. Em apenas 20 dias, viajei entre Rio de Janeiro, São Paulo e agora Argentina. Esta corrida serviu para comprovar que a minha conquista no GP Derby Paulista (G1-2400mG) em novembro último era mais do que merecida.

Demorei um pouco a engrenar, pois pela quantidade enorme de pessoas no prado, quando comecei a assobiar para que meus rivais diminuissem o ritmo, os mesmos não conseguiram ouvir. Então, esqueci dos meus assobios e tratei apenas de correr.

Queria que tivesse alguns metros a mais, pois conseguiria, junto com o Marcelo Cardoso, cruzar o disco na frente”,
lamentava Negro da Gaita voltando ao padoque, após perder por pescoço a prova internacional para Life of Victory.

Sendo que depois voltei a encontrar o potro e avisei que ele não tinha do que se chatear, pois os seus responsáveis comemoraram e muito sua 2ª posição, pois ele demonstrou as esperanças contidas nele.

“Por conta disso que fico lisonjeado em defender as cores da Coudelaria Jéssica. Eles me apoiam seja nas vitórias ou nos fracassos. Não vejo a hora de voltar a correr novamente”, se despediu Negro da Gaita, voltando a assobiar e a sorrir.

Não pude deixar de conversar com o Taludo, que ocupou a 5ª poisção no internacional GP Felix de Alzaga Unzué (G1-1000mG).

“Corri diferente das minhas características. Queria estar perto da cerca externa, mas não tive como chegar lá, pois os argentinos não permitiram. Enfim, ter chegado colocado aqui na Argentina considero uma ótima atuação”, disse Taludo, após ter corrido sob o comando de Ivaldo Santana.

Skip Away explica fracasso

Recebi telefonema de Skip Away, potro do Haras Europa, que quis falar sobre sua atuação no Grande Prêmio Natal (G3-1900mA), no último domingo, no Hipódromo de Cidade Jardim.

“Venho, por meio do CERCA MÓVEL, explicar aos turfistas que me escolheram favorito do páreo o motivo do meu fracasso. Na curva, senti meu joelho e por isso precisei diminuir o ritmo. No esforço, ainda consegui obter a 5ª posição. Devo passar por cirurgia em breve, pois desde a corrida que passei a mancar um pouco”, disse Skip Away, filho de Wild Event e Saphirine (Roi Normand), criado pelo Haras Santa Maria de Araras.

Quem venceu o GP Natal foi Al Arab.

Jujuy embarca para Uruguai

Feliz da vida e sorrindo à toa, o potro Jujuy falou rápido comigo na última semana, pois já arrumava a mala para encarar o GP José Pedro Ramirez (G1-2400mA) dia 6 de janeiro, no Hipódromo de Maroñas.

“Até que enfim, minhas súplicas foram ouvidas pelos meus proprietários: vou viajar! Estou ansioso por passar a virada do ano em Montevideu, no Uruguai. Estou ensaiando um pouco o portunhol para dialogar com os corredores de lá. Espero te encontrar por lá, ok?”, me convidou o defensor do Stud São José dos Bastiões.

Com certeza estarei no Uruguai, mas não para a virada do ano e sim para o festival do Ramirez, torcendo por ele e por todos os brasileiros que encararem o desafio internacional.

Até lá pessoal e um ano de 2009 perfeito para todos, sejam humanos ou eqüinos.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Em meio a discussões, Tango Uno ganha o Paraná 2008

Estamos aqui novamente, plena quinta-feira, contando as horas para viajar para a Argentina, onde farei, por mais um ano, a cobertura de mais um festival internacional do Gran Premio Carlos Pellegrini (G1-2400mG). Infelizmente, não estive no Hipódromo do Tarumã no último domingo por ter perdido o vôo. Escutei muitas reclamações dos cavalos paranaenses, mas garanto que não foi por querer.

Acompanhei a festa do Jockey Club do Paraná pela televisão, mas não pude deixar de observar o pega que aconteceu durante a realização da prova central da reunião. Os cavalos passaram no cânter reclamando muito dos potros.

“Assim é mole! Carregar apenas 52kg sobre o dorso, por isso é o favorito. Devia correr logo sem ninguém conduzindo”, disse Starman, o primeiro a reclamar por ter de carregar 59kg do número 1 do mundo, Jorge Ricardo.

Uno Campione comprou a briga de Starman e emendou. “Pode crer. Vamos atuar no mesmo percurso e eles têm 7kg a menos sobre o corpo. Eu acabei de completar 4 anos. Merecia ao menos um diferencial”, sugeriu.

Ama-Tiri, um dos quatro potros anotados no Grande Prêmio Paraná (G1-2400mA) e escolhido favorito da carreira, mesmo estreando no Tarumã com João Moreira, fez pouco caso. “Vocês querem comparar a experiência de vocês com a nossa? Nós potros estamos encarando um desafio difícil, por correr contra vocês. Starman, por exemplo, você já venceu duas vezes o GP Bento Gonçalves (G1-2400mA) e ainda será conduzido por Jorge Ricardo. Vocês reclamam demais”, resumiu, recebendo o apoio de Hiper Pet e Madrileño. Tango Uno, também potro, preferiu nada falar.

Nesse clima, pouco amigável, os competidores foram alinhados na seta dos 2.400 metros.

Tango Uno, que não gastou nenhuma energia na discussão, mostrando total concentração na prova que estava para acontecer, foi buscar a ponta logo nos metros iniciais, cruzando o disco em primeiro na primeira passagem, posição que antes pertencia ao potro Ama-Tiri.

O potro do Haras Tango seguia na frente, sem grande problema, mas escutava os ataques dos cavalos Ocho El Negro e Uruguayo di Punta. “Sai da frente moleque. Fica fácil correr levinho né? Mas estamos aqui, na sua cola. Você vai cansar”, provocava Uruguayo di Punta.

Ocho El Negro percebeu que Tango Uno diminuiu o ritmo com a provocação e resolveu entrar no clima. “Ô menino, pense que você já fez a sua parte. Pode ir parando, não ficará feio para você, afinal de contas, ainda lhe falta experiência.”

Ama-Tiri, que estava próximo do grupo, se chateou profundamente com as palavras dos cavalos e tratou de dar a volta por cima. Começou a progredir durante a curva e entrou na reta final ocupando a primeira posição. Sem esquecer de provocar. “Quem diminuirá o ritmo serão vocês. Seus velhos!”

Starman falou para Ocho El Negro. “Vamos juntos amigos, não vamos permitir esse moleque falar o que quer. Pegaremos você Ama-Tiri”, ameaçou.

Ao ouvir a ameaça, Ama-Tiri tentou disparar na reta, mas faltou patas, talvez pelo nervosismo da provocação de Starman. Foi quanto Tango Uno entrou de vez, no ritmo da prova.

“Vamos parar com isso agora. Não queria desmerecer ninguém na prova. Mas agora chega. Vocês, cavalos, são todos uns bobos. Estamos no mesmo barco. Logo eu também serei cavalo, mas não pretendo ser infantil como vocês”, e pela linha 4, com os 52kg de Waldomiro Blandi nas costas, Tango Uno passou todos sem dificuldades, cruzando o disco com fáceis 2 corpos.

Ama-Tiri ainda conseguiu manter a dupla, para formar a dobradinha dos potros. Amigo Gaúcho, único cavalo que não se meteu na discussão em momento algum, atropelou e garantiu a 3ª posição, com Uno Campione e Starman no complemento do marcador. Ocho El Negro foi o 6º colocado.

Tango Uno, um filho de Redattore e Tina Lark (Tumble Lark), de criação e propriedade do Haras Tango, provou ser potro de muita categoria e presença. Falou comigo, após o páreo, por telefone.

“Uma pena você não ter vindo, mas o ocorrido na raia hoje serviu para mostrar que o mais importante nas corridas de cavalo é se preocuparmos em correr. Esse negócio de querer desestabilizar os rivais com palavras pode funcionar às vezes. Mas a concentração é tudo. Jamais esquecerei esta corrida, pois mesmo me desconcentrando com os ataques, consegui dar a volta por cima e levar o páreo. Ganhar é bom demais!”, concluiu.

Não pude deixar de conversar com meu amigo Starman, que fez algumas das provocações e se deu mal. Porém, chegou colocado.

“Eu sabia que a prova era mais dura do que o Bento Gonçalves (G1-2400mA). Estava bem fisicamente, mas um pouco pertubado. Tive um lance muito legal com Onadine, no período que fiquei no Rio Grande do Sul. Eu ganhei a prova máxima gaúcha e no mesmo dia ela venceu o clássico das fêmeas. Comemoramos juntos no dia, mas nossa relação era para ser algo escondido, pois estávamos nos conhecendo. Sendo que um cavalo saiu espalhando vários boatos pela vila hípica.

Enfim, o resultado foi que viajei para o Paraná sem ao menos ter a chance de me explicar e sei muito bem que os comentários desse indivíduo chegaram ao Rio de Janeiro. Com certeza, minhas chances com Ranger Girl foram por água abaixo. Mas ainda espero rever Onadine. Tudo isso na minha cabeça e no meu coração atrapalharam meu desempenho aqui, por isso fui grosso com os potros e os provoquei durante a carreira. Peço desculpas aos mesmos. A dobradinha de Tango Uno e Ama-Tiri foi mais que merecida”,
encerrou meu amigo Starman, mais apaixonado do que nunca.

RANGER GIRL DÁ VOLTA POR CIMA

As expectativas de Starman de quê os boatos tinham ultrapassado os muros da Vila Hípica gaúcha se concretizaram no dia seguinte ao GP Paraná, quando na segunda-feira Ranger Girl entrou na raia do Hipódromo da Gávea.

Enfrentando um campo misto, com 10 competidores, onde apenas ela e La Nacha representavam a equipe feminina, a defensora do Stud Amigos da Barra não quis saber de brincadeira e venceu, sob o comando preciso de Marcelo Almeida.

“Starman é uma criança ainda. Não tivemos nada sério, até porquê me interesso por cavalos mais experientes. Correr em páreo misto é ótimo para mim, não sei porquê, mas meus adversários se preocupam mais em me ver correndo na frente do que em me ultrapassar”, falou inocentemente a ‘traseiruda da Gávea’. Aliás, corre boato solto que Ranger Girl e o colega de cocheira, Light of Loose, estão sendo vistos juntos mais que o normal.

Seria ele o cavalo experiente que anda deixando a cobiçada filha de Midnight Tiger e Barbiera (Pleasant Variety) interessada? Assim que obtiver a resposta, os leitores do CERCA MÓVEL saberão em primeira mão, afinal de contas, ultrapassamos os 6 mil acessos graças a todos vocês.

Obrigada, fui!

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Cavalos entram no ritmo do forró nordestino

Olha eu aqui leitores, atrasada por um motivo para lá de compreensivo. Ontem, quarta-feira, dia 3, foi aniversário do meu amigo Matungo (o que é multi-funcional e humano, lembram?), então caímos na esbórnia e estou, aos poucos, recuperando a forma. Me animei bastante com o papo que tive, por telefone, com os cavalos que estarão participando, no domingo próximo, de uma grande festa no Nordeste.

Hoje não vou falar sobre a festa paranaense, mas sim do Grande Prêmio Bento Magalhães (2400mA), que assim como o GP Paraná (G1-2400mA), também ocorrerá no domingo, dia 7 de dezembro, sendo que no Hipódromo da Madalena, no Recife.

A prova máxima do turfe pernambucano está marcada para o 7º páreo da programação de domingo, às 17h. Os dez competidores anotados só pensam numa coisa: onde curtir após cruzar o disco?

“Estou adorando o calor do Nordeste. Quem disser que cavalo puro-sangue inglês só gosta do frio é porquê não nos escuta. Quero dar o máximo no domingo, ainda mais tendo sobre o dorso a beldade Josiane Gulart. Seremos atrações assim que entrarmos na raia”, falou Caro King.

Com campanha para lá de favorável, Always Mars quase levou a Prova Especial Dark Brown (2400mA), no mês de novembro, em Cidade Jardim. Estreando no calor pernambucano, o filho de Reve Dore e Tontura (Ken Graf) está confiante numa boa exibição.

“Vacilei em São Paulo. Diminui o ritmo e fui ultrapassado por Blessed Mustang nos metros finais. Ele (Blessed Mustang) foi encarar o GP Paraná (G1-2400mA) e torço para que faça uma boa corrida. Também poderia ter ido para Curitiba, mas preferi, e muito, vim para o Recife, curtir essa cidade maravilhosa próximo dos meus donos, do São José dos Bastiões. Sinto que posso colocar meu nome na lista dos vencedores da carreira”, falou confiante Always Mars.

Kicoração não quis falar muito sobre sua estréia, ele que corre em parelha com Always Mars. Mas deixou um recado. “Tenho sete vitórias na campanha. Mereço um ponto nobre.”

Guerigueri­­­, Hi Society, Recompensado e Mandado já estão fazendo campanha no Recife e recebem os estreantes com muita animação.

“Muitos já são conhecidos nossos, em atuações em Cidade Jardim, principalmente. Mas correr na Madalena tem um quê a mais. O hipódromo é pequeno, comparado à Gávea e a São Paulo, porém muito aconchegante.

Assim como fomos recebidos de braços abertos, procuramos fazer o mesmo com eles. Sendo que teremos de dar uma aula para os estreantes, pois já sabemos dançar o frevo e o forró nordestino”,
discursou Hi Society, o mais animado da turma e vencedor do Bentão 2007.

Impiedoso e Adeus Amigo adoraram a idéia do forró, mas foram contra o frevo. “Forró tudo bem, pois tem de ficar juntinho da égua, podendo inclusive pintar um clima depois. Mas frevo, sem chance! Meus boletos doem só de pensar em ficar pulando, descendo e subindo. Não sou cavalo de hípica e sim de prado”, falou, impiedosamente, Impiedoso, contando com a aprovação de Adeus Amigo.

No meio de relinchos e muita descontração, atentei que Istambul ainda não tinha se manisfetado. O cavalo do Stud Silver Blue Star anda preocupado, com a possibilidade de não participar da carreira.

“Tive uma baixa nas minhas hemácias e ando desanimado. Mas sei do que sou capaz e espero poder melhorar para correr no domingo. Não tenho muita vontade de comer a ração que me dão, estou achando um pouco ruim. Prefiro me alimentar no pasto apenas. Estava engordando muito e sendo vítima de grosserias dos meus rivais.

Devo passar por mais um exame para atestar a minha possibilidade de atuar no GP Bento Magalhães. Sei que meus adversários direto, Recompensado e Hi Society, preferem que eu corra do que fique de fora”
, jogou a dúvida no ar Istambul.

Prontamente, Recompensado respondeu. “Estou sem correr desde outubro, sonhando em fazer o tira-teima com você na raia da Madalena. Não me decepcione e vá para a raia, ok?”, encarou.

Hi Society, sempre mais animado e descontraído, acalmou os ânimos dos conhecidos rivais. “Pessoal, é festa! Tomara que ambos estejam na raia, pois enquanto vocês se pegam, me esquecem e eu posso buscar o bi e ser, por mais um ano, o centro das atenções. Sim, pois já sou a maior atração na hora que o forró corre solto, após as carreiras. Resta a vocês tentarem algo na raia”, encerra relinchando à toa e só pensando em festa o filho de Dark Brown e Sociedad (Restless Jet), criado pelo Haras Rosa do Sul.

É leitores, dia 7, às 17h, o bicho vai pegar na raia pernambucana e o forró correrá solto após cruzarem o disco. Não poderei participar da animação nordestina, mesmo sendo de lá (João Pessoa, capital da Paraíba, cerca de 110km de distância de Recife), pois estarei de volta ao Paraná, para observar de perto o que vai acontecer no último Grupo 1 realizado no Brasil, neste ano de 2008.

Até lá!