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sexta-feira, 27 de abril de 2012

Glória de todas as cores


Marcelle Martins comemora no dorso de Glória Azul
(foto Gerson Martins)

Como vão leitores. Seguimos com notícias e estórias da semana de corridas dos dias 13 a 16 de abril, quando Desejado Thunder (personagem da semana anterior) encerrou campanha; Old Tune e Plenty of Kicks (ficam para edições futuras) conseguiram o título de tríplice coroados na mesma data; e Glória Azul (personagem desta edição) tornou-se a 100ª conquista da aprendiz sensação Marcelle Martins.

Tenho de afirmar aos leitores que nem precisei me apresentar para Glória Azul quando a encontrei caminhando na Vila Hípica do Jockey Club Brasileiro na última quarta-feira.

A filha de Pardallo Fighter e My Blue Heaven (Fast Gold), criada no Haras Áustria, já veio conversando cheia de prosa.

“Tudo bem Karol Loureiro. Quer dizer que eu serei personagem do blog CERCA MÓVEL? Até que enfim descobriram o meu valor. Tenho 4 anos e muita estória para contar”, disse Glória Azul.

Sendo que tentei ao máximo fixar a conversa na vitória de número 100 da aprendiz de joqueta Marcelle Martins em seu dorso.

“Fui responsável pela vitória 100 da Marcellinha (cheia de intimidade) e sinto-me honrada por isso. A garota trabalha sério e terá muito sucesso na profissão. Utiliza bem o chicote e antes da vitória 100, já havíamos vencido juntas em dezembro passado.

Isso sem falar que costumamos trabalhar nos matinais. Dou o maior valor para as mulheres joquetas e acredito que deveriam ter mais aqui no Hipódromo da Gávea. Em São Paulo tem um bocado e elas fazem sucesso. Isso sem falar no exterior, onde as mulheres são muito respeitadas nessa difícil e perigosa profissão”, comprovou estar bem informada a pensionista do treinador Marcos Ferreira.

Sendo que quando eu pensei que Glória Azul já tinha falado tudo, eis que a alazã continuou.

“Fiquei mais feliz ainda não apenas pela 100ª conquista da Marcellinha, mas principalmente por ainda defender as cores do eterno astro Chico Anysio. Sou das poucas que tenho o prazer de envergar a farda do Stud Chico City II e como estava perto de completar 30 dias da morte dele, dediquei-me ainda mais para ficar com a vitória.

Sei que onde ele estiver, estará sempre torcendo por seus cavalos e tenho a honra de fazer parte deste plantel”, emociona-se Glória Azul.

Antes de encerrar o bate-papo, ainda levei uma bronca e logo após um elogio da égua de 4 anos e com sete vitórias na campanha.

“Ainda bem que você veio conversar comigo. Onde já se viu. Tinha tanto para falar e não ser lembrada. Quem confiou em mim e na Marcelle, ainda conseguiu ganhar R$ 4,50 para cada real apostado, ou seja, fiz a semana de muita gente ser tranquila.

Mas estou muito feliz por ter vindo ao meu encontro, até porque sempre corro de lingua amarrada, então nem dá para conversar antes e durante o páreo, só depois mesmo (relincha alegre antes de voltar a falar sério). Numa semana que teve de tudo, inclusive dois jovens craques tornando-se tríplice coroados. Plenty of Kicks e Old Tune merecem sim todos os holofotes disponíveis, pois comprovaram serem cavalos de exceção. Estou muito feliz por ter encerrado uma semana de corridas histórica no Jockey Club Brasileiro. Obrigada!”, encerrou emocionada Glória Azul, que venceu o 9° páreo da reunião do dia 16 de abril, segunda-feira, no Hipódromo da Gávea.

Não percam leitores, nas próximas edições, os tríplice coroados serão os entrevistados do CERCA MÓVEL.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Desejado Thunder merece descansar

Desejado Thunder e Jorge Ricardo desfilaram felizes antes da corrida

Assunto é o que não faltou no último final de semana no Hipódromo da Gávea: dois tríplices coroados, égua presenteando aprendiz com vitória número 100, entre outros. Sendo que estes assuntos serão tratados pelo CERCA MÓVEL nas próximas semanas, pois a edição desta semana será destinada a entrevista com o grande velocista Desejado Thunder.
 
Entrando na pista de grama pela 21ª vez, todas na esfera nobre, no 4° páreo do inesquecível e histórico programa de domingo no Jockey Club Brasileiro, o cavalo de 4 anos Desejado Thunder estava pronto para enfrentar mais um desafio: o GP Jockey Club de São Paulo (G3-1000mG).

Antes de começar o canter, o filho de Durban Thunder e Glorious Magee (Spend A Buck), de criação e propriedade do Stud Alvarenga, mostrou confiança ao passar por mim.

“Já viu quem está no meu dorso? É ele mesmo, Jorge Ricardo. Capricha na foto que eu vou querer este momento registrado!”, falou.

Tratei de prestar atenção em tudo o que ocorreria desde aquele momento e acertei na escolha, pois muita coisa foi falada.

Abriu o partidor e Desejado Thunder foi logo falando.

“Estou indo para a ponta e respeitem meu espaço, pois levo no dorso o melhor do mundo”, brincava o castanho, de bem com a vida e assumindo o train de corrida.

Quando os adversários tentaram diminuir a diferença, o nosso craque sabia o que fazer.

“Pode dar rédeas Ricardinho, que estou querendo correr ainda mais. Ninguém me alcança, te garanto!”.

Sempre desconfiei que o nosso grande jóquei Jorge Ricardo escutava os cavalos, pois assim que Desejado Thunder soltou a frase acima, o bridão deu rédeas para o cavalo, que disparou e abriu grande vantagem.

Tudo seguia bem, até os últimos 100 metros, quando o nosso herói sentiu.

“Ai! Tem algo de errado na minha mão direita. Sendo que iremos vencer, não vou decepcionar nossos torcedores”, falava com os olhos lacrimejados Desejado Thunder, que mesmo diminuindo o ritmo cruzou o disco final com 2 corpos de diferença para Atlante.

Ao voltar da raia para tirar a fotografia por sua 15ª conquista, Desejado Thunder conversou comigo.

“Está doendo muito a minha mão direita. Não chegou a quebrar, mas a dor é insuportável. Sendo que eu não podia decepcionar todo este público que está aqui hoje (domingo), na Gávea. Isso sem falar que não é todo dia que se tem a honra de ser conduzido por Jorge Ricardo.”

Quando questionei se ele iria parar com sua campanha, o nosso campeão foi direto.

“Sei o quanto represento para o Stud Alvarenga. Faço parte da segunda geração criada pela farda azul marinho e branco. Obtive a primeira vitória clássica do Stud Alvarenga em São Paulo no GP ABCPCC 2011 (G1-1000mG). Esta prova de hoje (domingo) visava justamente o meu retorno a Cidade Jardim para tentar o bi em maio.

Desejado Thunder vence recebendo carinho de Jorge Ricardo
Sendo que esta dor não é normal. Pelo carinho que tenho por toda a minha equipe e que sei que a recíproca é verdadeira, vou tentar melhorar, mas a minha veterinária Dra. Cristina Vieira quem saberá se tenho ou não condições de voltar.

Só tenho uma coisa a afirmar, que eu pare ou não, o importante é que muitas emoções eu vivi!”, encerrou praticamente cantando um grande sucesso do rei Roberto Carlos.

Após a corrida, foi constatado que Desejado Thunder teve claudicação grau 2 no anterior direito. Por causa disso, o cavalo nem chegou a subir para o Centro de Treinamento Dedo de Deus e ficou na Gávea, visando melhorar, sendo que a ideia do staff do Alvarenga é encerrar sua campanha, para que o mesmo siga para o haras nos próximos meses.

Desejado Thunder arrecadou quase R$ 500 mil em prêmios nas 21 apresentações, sendo 15 vitórias e seis colocações, sendo a ‘pior’ exibição um 4° lugar no GP Mário Azevedo Ribeiro (G3-1400mG) aos 2 anos. Ele nunca saiu do marcador.

Fotos: Karol Loureiro

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Grapette Repete aprova a Coca-Cola pra não ficar nem aí


Leitores, nesta edição precisei voltar a origem deste blog e dar voz apenas aos cavalos puro-sangue inglês. Aliás, o objetivo deste espaço sempre foi ser o local deles (PSI) soltarem a voz e falarem tudo o que pensam. Por conta disso, ao invés de ouvirmos/lermos os depoimentos do vencedor Tônemaí, iremos entender o que ocorreu com a atuação do Grapette Repete no último domingo, no Hipódromo da Gávea, quando da realização do GP João Borges Filho (G2-2400mG).

“Ainda bem que nos últimos anos existe o CERCA MÓVEL. Aqui me sinto seguro em falar a verdade, sem sofrer represálias de um ou outro cavalo”, começou Grapette Repete.

“Não me sinto nem um pouco culpado por tudo o que ocorreu no desenrolar do Grande Prêmio João Borges Filho. Tinha noção que os seis adversários estavam buscando o melhor preparo para o Grande Prêmio São Paulo 2012 (G1-2400mG), que assim como o Grande Prêmio Brasil (G1-2400mG) representa uma das principais provas do turfe brasileiro.

Sendo que além de competir na preparatória para a prova máxima paulista, vale lembrar que eu estava voltando aos 2.400 metros da pista de grama carioca, terreno que eu não pisava desde setembro de 2011.

Apesar do meu bom desempenho na areia paulista, de onde trazia uma vitória em prova de Grupo 2, me senti muito humilhado perante os meus adversários. Na verdade, perante um inimigo. O cavalo Tônemaí!.

Sabia que ele poderia pintar como um dos favoritos da carreira, como assim ocorreu. Ele foi o 2° mais apostado, ficando atrás apenas de Anakin. Sendo que antes mesmo de alinhar, ele já demonstrou quem era.

Tanto eu (Grapette Repete) quanto Tônemaí moramos no mesmo Centro de Treinamento do Vale do Itajara, em Pedro do Rio, Itaipava. Sendo que sempre respeitei meus adversários e, principalmente os cavalos mais novos.

Sendo que Tônemaí está completamente modificado. Talvez o fato de defender as cores do presidente do Jockey Club Brasileiro (Stud Lecca), tenha feito com que tenha modificado suas origens. Ou, pior de tudo, esteja se achando mais do que realmente é.

Quando voltei de São Paulo, trazendo a vitória no GP Piratininga (G2-2200mA), recebi o abraço e o apoio de todos da cocheira do Venâncio Nahid (meu treinador) e também dos vizinhos das cocheiras de Cosme Morgado Neto e Leonardo Ferreira dos Reis.

Tônemaí não gostou nem um pouco de eu ter me tornado o centro das atenções desde março. E olha que tinha vencido na areia paulista.

Quando comecei a trabalhar para correr na milha e meia carioca da grama, comecei a sofrer perseguição dele. Piadinha já fazia parte do meu amanhecer. Sendo que sou filho de Know Heights e Buy Me Love (Jules). Nasci e defendo o Haras Doce Vale. Tenho filiação para a raia de grama, portanto não podia admitir tamanha falta de respeito de Tônemaí.

Por isso que agi daquela forma no último domingo.

Como não queria ferir ninguém, decidi derrubar o jóquei Henderson Fernandes logo na largada da carreira e passei a correr em parelha com meu companheiro de cocheira Godsmustbecrazy.

Ele (Godsmustbecrazy) durante vários pedaços do percurso falou comigo. Dizia ‘Pára Grapette Repete. Esquece suas desavenças. Você é superior a isso. Descansa, larga esta corrida e guarde reservas para o próximo encontro com Tônemaí’.

Sendo que eu respondia. ‘Nunca!’.

Ao entrar na reta final, assim que Godsmustbecrazy começou a diminuir o ritmo, passei a cuidar exclusivamente de Tônemaí. Quando vi que ele vinha mais aberto, não tive dúvidas e passei a abrir também.

Sendo que ele tinha um trunfo que eu não calculei: o jóquei Ilson Correa!

Chegamos a discutir, eu e Tônemaí no começo da reta final. Ele falava que ‘eu nunca seria páreo para ele. Que meu negócio era a pista de areia e que iria passar por cima de mim’.

Fala sério. Ter de ouvir isto de um cavalo de mesma idade que eu, assim, descaradamente, na frente de todos os outros corredores? Não merecia, e por isso  respondi que ele teria a chance de me passar, desde que tivesse qualidade para isso.

Por isso que eu abri para prejudicá-lo. Sendo que Ilson Correa foi esperto ao conseguir parar Tônemaí e re-acelerá-lo nos metros decisivos. Tônemaí pode até ter batido o potro Avattore, mas podem conferir que no disco final eu ainda cruzei o disco na frente.

A verdade é que isso ele teve de engolir e espero, profundamente, que nosso próximo encontro seja em maio, no GP São Paulo, para que eu possa deixá-lo comendo poeira. Bebi inclusive uma coca-cola no final da carreira de domingo, na Gávea, para me acalmar. Portanto, se eu puder beber coca-cola, mesmo sendo Grapette Repete, Tônemaí que me aguarde em maio.”

Encerrou Grapette Repete, de criação e propriedade do Haras Doce Vale. 

O próximo reencontro destes cavalos de 5 anos estarei aguardando e pronta para decifrar para vocês, fiéis leitores do CERCA MÓVEL.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Addict garante o sucesso da Gávea

   Os proprietários que têm um pouco mais a investir no turfe, não tardam a levar seus corredores para o clima perfeito da serra fluminense. Sendo que os mais saudosistas, como o Stud Alvarenga, como sempre mantém alguns cavalos no Hipódromo da Gávea e não tem se arrependido.

   Por isso que o nosso entrevistado da semana é o potro Addict, que venceu no último domingo o GP Mário de Azevedo Ribeiro no Hipódromo da Gávea e tornou-se o líder da geração 2009 entre os potros que atuam no Rio de Janeiro. O vencedor me recebeu em seu box.

   “Para mim foi mais fácil a carreira, pois estou bem acostumado ao ar da Gávea. Não precisei viajar. Acordei no meu horário normal e fui sem estresse para o padoque”, informou Addict.

   Sobre o percurso de 1.400 metros, pista de grama, o campeão também mostrou que tinha confiança antes mesmo de entrar na raia.

   “Depois de estrear com um 4° lugar em 1.100 metros na areia, minha primeira vitória ocorreu em seguida, no dia 12 de fevereiro na distância dos 1.300 metros, pista de grama. Ou seja, gostei de cara da grama. Este aumento de 100 metros não seria muito problema para mim. Tudo deu certo no final”.

   Quis saber do filho de Public Purse e Lizzy Girl (Lode), criado no Haras Santa Maria de Araras, como foi o preparo para o desafio em Grupo 3.

   “Ora, muito tranquilo! Sou treinado pelo experiente Alcides Morales. O ‘velhinho’ é um gênio. Sabe quando precisa ou não exigir um puro-sangue inglês, principalmente quando somos novos, que é o meu caso. Fui preparado para manter reservas e utilizá-las nos metros decisivos”, explicou Addict, que fica alojado na Vila Hípica, na cocheira do Stud Alvarenga, recebendo os cuidados precisos de Alcides Morales.

   Perguntei ao novo campeão, quando sentiu que a vitória não escaparia e fui prontamente atendida.

   “Só correram três potros, pois o argentino e provável favorito Tap is Back não foi apresentado. Larguei tranquilo e logo vi o duelo pela vitória entre Vontade de Matar e Age Beautiful. Fiquei em 3°, mas não deixei eles se escaparem muito. Assim que entramos na reta final, comecei a ser exigido pelo Jean Pierre e logo emparelhei com os dois ponteiros. Apenas nos últimos 200 metros consegui disparar e escapar para o disco. Acredito que foi uma bonita vitória”, comemora.

   Perguntei se os adversários tinham feito alguma gracinha por Addict ser treinado na Gávea.

   “Realmente ainda existe um pouco de preconceito entre os que moram na serra e os que moram nas vilas da Gávea, infelizmente! Sendo que não troco a minha vida por nada. Durante a semana, posso dar uma volta na Lagoa, ver os artistas caminhando. Isso sem falar de esticar e dar um ‘tchibum’ na praia de Ipanema. Por isso, pouco me importa quando os da ‘serra’ soltam alguma piadinha. Entra no meu ouvido por um lado e sai pelo outro. Meu interesse é apenas a corrida e não permito que ninguém tire o meu foco do meu objetivo”, ensinou o campeão.

   Sobre o futuro, Addict ainda não tem nada definido.

   “Quero curtir esta minha segunda conquista e este momento de liderança. A responsabilidade é grande, mas espero que os outros corredores que moram na Gávea me tomem como exemplo e se dediquem ainda mais nos treinos, pois somos tão bons quanto os que moram na serra”, encerra Addict.
Foto: Gerson Martins