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sexta-feira, 17 de junho de 2011

Revolução na cocheira em prol da Estatística

Muita mídia pela cidade do Rio de Janeiro e na TV aberta para divulgar o “Arraiá da Providência”, evento que será realizado neste final de semana no Hipódromo da Gávea. Porém, enquanto muita gente vai se deliciar com as delícias das festas juninas (saudades da terrinha!!!), as emoções com os cavalos de corrida estão garantidas.

Faltam apenas quatro conjuntos de reunião, ou seja, oito dias de corrida e cerca de 80 páreos para a temporada 2010/2011 chegar ao fim, exatamente no dia 27 de junho. A disputa pela estatística de treinadores do Hipódromo da Gávea colocou em alerta os pensionistas de Venâncio Nahid e de Júlio César Sampaio.

Venâncio lidera, mas a cada semana Sampaio vem encurtando a distância. Hoje, sexta-feira, antes de iniciar as corridas do Jockey Club Brasileiro e a festa do Arraiá, a diferença é de apenas três vitórias.

Se depender dos cavalos que são treinados pelos dois profissionais, a disputa será acirrada até o fim do certame, assim como foi na semana anterior.

A égua Catirina que o diga. Ela tratou de ajudar J. S. Sampaio no 5° páreo da reunião da última sexta-feira.

“Pisei na raia de areia disposta a dar o meu melhor para ajudar o meu treinador a alcançar o objetivo não só dele, mas de toda cocheira: vê-lo vencer a estatística”, ponderou Catirina.

Black Dragon também melhorou a situação de Sampaio no 8° páreo do mesmo programa.

“Estava bem preparado e só precisei colocar em prática. O ‘Alemão’ vai levar a estatística”, garantiu o cavalo de 4 anos.

No sábado, a situação de Júlio César Sampaio parecia que ficaria ainda mais fácil depois que a potranca de 2 anos Tana’s Kiss ganhou o 3° páreo.

“Sampaio tinha me dito que eu não chegaria a quinta atuação sem vencer. Só correspondi com suas expectativas. Ele conhece bem a minha genética”, revelou a irmã materna da excelente Tanta Honra, que quando em campanha também recebia os cuidados do Alemão.

Quando J. C. Sampaio encostou no líder, Venâncio mostrou o porquê ocupa a primeira posição. O final da reunião de sábado e a tarde de domingo pertenceu apenas ao famoso ‘Nenem’.

“Assim como Tana’s Kiss tem irmã famosa, eu também sou de boa linhagem. Tínhamos que dar o troco em favor do Venâncio”, falou com propriedade Une Autre Etoile, uma potranca de 2 anos, vencedora do 7° páreo e irmã materna do campeão Sal Grosso.

Domingo, no 4° páreo, Fera do Neném tratou de colaborar com Venâncio.

“Foi duro obter a vitória, pois tanto eu quanto Tsuguharu Foujita queríamos a vitória para o nosso treinador V. Nahid. Fizemos uma dobradinha para provar que ele está vivo e nós, seus pensionistas, iremos defendê-lo com todas as nossas forças”, discursou o potro de 3 anos.

Para facilitar ainda mais a situação de Venâncio, Urso Polar confirmou o favoritismo e ficou com o 6° páreo carioca.

“Não fiz mais que a minha obrigação. Estava pronto para ficar com a vitória, justamente pelo treinamento recebido”, elogiou o potro de 2 anos.

Sem dúvida alguma, o dia mais emocionante de corridas foi a segunda-feira. Dos 10 páreos disputados, cinco foram divididos entre os corredores de Sampaio e Nahid.

“A minha vitória na abertura da reunião serviu para mostrar que o Alemão ainda estava na disputa e que não iria desistir. Acredito que foi importante o meu desempenho”, fez auto-análise o cavalo Bizonte.

Na 5ª prova, a americana Baby Candy iniciou a fase de provocações. “Admiro a insistência dos meus adversários, mas nossa cocheira é muito unida e iremos dar ao Venâncio esta vitória na temporada.”

Vital Class, no 8° páreo, não deixou por menos. “Estas americanas falam muita M*. Só não falo mais porque seria perdido. Sampaio, estamos contigo!”, disse o cavalo.

Em seguida, a potranca Toujour Paris não deixou por menos. “Tem alguns cavalos muito machistas. Não importa o que se fala depois da corrida, tem é de mostrar é na raia”, discursou a pensionista de Venâncio, que mantinha a mesma diferença de 4 pontos de quando começaram a semana.

O potro Uppity, em final emocionante, no encerramento da reunião, conseguiu ajudar Sampaio.

“Conseguimos diminuir para 3 pontos a diferença do Sampaio para o atual líder. Todos nós que trabalhamos com o Alemão estamos concentrados para ajudá-lo a alcançar a ponta da estatística. Tem muita coisa para acontecer ainda. O importante é manter o foco!”, encerrou o filho de Put it Back e Nuit Docile (Bright Again).

Como vocês podem observar leitores, tirando como base a reunião de segunda-feira passada, a luta pela estatística de treinadores será imperdível, mas pelas inscrições desta semana, Júlio Cesar Sampaio vai com tudo para passar o Venâncio Nahid.

Sampaio inscreveu 34 cavalos, em 21 páreos distintos. Nahid anotou 12 corredores, em 8 páreos, deste número, cinco páreos os corredores de ambos os treinadores se encontram e os leitores merecem observar a disputa.

Eis a agenda da disputa:

6° páreo de sexta-feira: Sonho de Verão (Sampaio) e Princess Famous (Nahid)

4° páreo de sábado: Morcote (Sampaio) e Chuchu Beleza (Nahid)

8° páreo de sábado: Our Halo (Sampaio), Bel’s Phone e Fleurs Day (Nahid)

10° páreo de domingo: Northern Ireland, Black Dragon e Tailandês (Sampaio) e Limbo Tree (Nahid)

4° páreo de segunda-feira: Jelousy (Sampaio) e Dutch Harbor (Nahid)

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Drogas, um vício que chega aos cavalos

Devido ao grande número de treinadores suspensos nos últimos dias entre a Gávea e Cidade Jardim por conta de doping, esta semana o tema do nosso CERCA MÓVEL será sobre as drogas e os cavalos que acabam se viciando. Na foto ao lado, os leitores podem observar o olho arregalado e vermelho de um cavalo que está dopado, bem como a narina como está vermelha. É de assustar!

Entrevistamos quatro personagens, que deixaram relatos surpreendentes e pediram para suas identidades serem preservadas.

“Eu tinha uma alimentação balanceada e nunca me interessei por drogas, até o dia que peguei um forte resfriado. Foi preciso tomar alguns analgésicos e me senti muito bem. Fiquei curado do resfriado, mas não consigo ficar sem tomar um broncodilatador desde então. Fico inseguro em entrar na raia e não estar sob o efeito do remédio. Corro e sinto que estou ficando sem ar. Não sei o que fazer para me curar”, disse o potro de 2 anos.

“Estava me sentindo muito gorda, pesando entre 490kg e 540kg. Sou vaidosa e não queria seguir uma balofa. Conversando com algumas éguas das cocheiras vizinhas, descobri que o Clenbuterol, além de ajudar na respiração, também emagrecia. Até atrizes de Hollywood estavam tomando para ficarem magras. Não tive dúvidas e consegui descolar uma cartela. Desde então, não consigo mais largar o vício. Peso apenas 340kg e não posso mais competir nas carreiras. A droga acabou comigo”, relatou a égua de apenas 4 anos.

“Meu cavalariço fumava muita maconha nas proximidades da minha cocheira. O cheiro geralmente me enjoava até o dia que uma trouxinha da maconha dele caiu no meu box quando ele fazia a minha cama. Escondi com a pata e esperei ele sair para experimentar. Primeiro não senti nada, mas depois fui me sentindo mais alegre e de repente estava comendo feito um louco. Sempre que posso, ‘roubo’ mesmo dos bolsos dele ou de outro que dê mole. Não levanto mais para os treinos, tenho apanhado para ver se faço algo durante os trabalhos, mas não consigo. Virei um viciado em maconha e assaltante”, contou o cavalo de 5 anos.

“Estou em plena forma física e correndo feito louco desde que passei a misturar na minha ração a cocaína. Basta tomar duas semanas antes da corrida que passo a correr feito um desesperado. Ninguém me alcança. Sinto-me como um super-cavalo! É bem verdade que os 15 dias até a corrida sofro dentro do box, pois tenho muita vontade de fazer muita coisa, ao mesmo tempo. Fico com taquicardia, mas se eu correr antes do tempo, perco toda a ‘viagem’. Sei que é errado o que faço e que quando for pego no antidoping minha carreira estará encerrada. Sendo que não consigo ficar sem a cocaína. Nem sei se ainda sei correr sem ser sobre o efeito do pó”, pergunta-se o potro de 3 anos.

Pois bem meus amigos leitores, está um perigo a situação dos nossos corredores. Todos os nossos entrevistados sabem dos riscos que correm, mas não conseguem largar. É necessário um trabalho mais vigoroso não apenas dos veterinários, mas também dos treinadores, para inibir que tais drogas cheguem até as cocheiras.