Suaposta

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Tanta Honra aprova novo endereço




A novela do caso “La Vendetta” ainda se estende e, apesar da Comissão de Corridas do Jockey Club Brasileiro ter desclassificado a égua do Haras Tributo à Ópera para a última posição, o clube hípico carioca ainda não pagou aos responsáveis por Tanta Honra o prêmio pela vitória no GP Roberto e Nelson Grimaldi Seabra – Taça Osaf (G1-2000mG).

A corrida foi realizada no dia 1º de agosto, o CERCA MÓVEL desta semana entra no ar no dia 27. Ou seja, lá se vão 26 dias e nada fica resolvido. Isso é maldade com as duas competidoras. La Vendetta, que vive seu caso de amor com Jeune-Turc, e Tanta Honra, que depois de sofrer prejuízos dias antes da carreira, atuou de forma lícita, chegou na 2ª posição, mas faz jus ao seu êxito, após desclassificação.

Estive com a égua do Stud São Francisco da Serra no Centro de Treinamento Verde e Preto há exatos 8 dias. A mesma estava uma pintura e tinha poucos dias que havia sido declarada vencedora pela Comissão de Corridas do JCB.

No nosso encontro, Tanta Honra não quis criar muita polêmica sobre La Vendetta.

“Corridas são sempre corridas! Atuei com 80% das minhas condições, pois dias antes havia sofrido um acidente que quase me deixou de fora da Taça Osaf. Não pude ser medicada justamente para poder participar da corrida de Grupo 1 no dia 1º de agosto.

Corri de forma correta com Bruno Reis. Senti um pouco de dor. Cheguei a dominar a corrida na reta final, mas fui suplantada pela La Vendetta nos últimos 200 metros, cruzando o disco na 2ª posição, mas fiquei feliz com meu desempenho, pois ainda sentia um pouco de dor no local onde pisei em falso.

Quem apareceu dopada após a corrida não fui eu e também não sei de quem foi a culpa. Eu só quero o que é meu por direito. Ou seja, minha taça e meu prêmio.”


Recebendo o carinho de Luis Antonio Ribeiro Pinto, seu criador e proprietário, Tanta Honra comentou sobre os seus dias no CT Verde e Preto, sob os cuidados de Roberto Solanes.

“Não posso desmerecer o treinador Julio Cesar Sampaio, quem me domou e cuidou de mim nas primeiras atuações. Sendo que estou sendo muito bem tratada pelo Beto e sua equipe aqui no Verde e Preto. A raia é maior, tornando-se melhor para galopar. O carinho que tenho recebido aqui, faz com que eu esqueça meu antigo lar”, revela Tanta Honra.

A filha de Crimson Tide e Tana-Am (Nashwan), defensora do Stud São Francisco da Serra, se chateia toda vez que entra no Stud Book Brasileiro.

“Não sei aonde parará o nosso turfe. Mas é vergonhoso entrar no site do Stud Book Brasileiro, 26 dias após uma corrida, e não ver meu nome figurando como vencedora do GP Roberto e Nelson Grimaldi Seabra – Taça Osaf (G1-2000mG)”, desabafa.

Para não criar mal-estar nem com o JCB, nem muito menos com o Stud Book Brasileiro, decidi tomar um novo rumo para a nossa entrevista exclusiva. Quis saber de Tanta Honra o que ela pensa do seu criador: Luiz Antonio Ribeiro Pinto.

“Sinto um orgulho enorme de correr para ele. Sempre que vem aqui no Centro de Treinamento traz cenouras e outros agrados. Enfim, é um ‘paizão’.

Vou confessar a vocês que um dia ouvi na cocheira boatos de que a farda do Stud São Francisco da Serra foi baseada em indicações de uma mãe de santo. Se isso é verídico ou não, eu não sei. Só sei que é muito bom correr defendendo essas cores e essa estrela”
, declara-se.

Tanta Honra recebeu a presença do seu proprietário e criador numa tarde de sol, nas últimas semanas, e aproveitou bem o encontro.

“Adoro meu ‘papai’. Trouxe meu pai (Crimson Tide) e minha mãe (Tana-Am) da Europa. Logo que nasci, mesmo estando no Rio Grande do Sul, foi lá me ver. Quando eu corro, uma parte do meu desempenho é por essa minha descendência e pretendo continuar obtendo bons resultados na raia, seja no Brasil, na Argentina ou no mundo todo.”

Aproveitei a empolgação de Tanta Honra e quis saber se a mesma planeja correr na Argentina, no que fui prontamente atendida.

“É lógico! Quero mostrar para as ‘hermanas’ que nós brasileiras não somos fácil de bater. Elas terão trabalho comigo.”

No próximo domingo, Tanta Honra estará participando do GP Duque de Caxias (G2-2000mG), a primeira etapa da Taça de Prata para fêmeas, e quis saber das suas expectativas para a corrida.

“O Hipódromo da Gávea é meu segundo lar. Soube que o campo da corrida saiu reduzido e isso acabará deixando o páreo mais aberto. Estou me sentindo em excelentes condições físicas e quero voltar a ganhar, agora sem deixar sombra de dúvida, por isso, cruzando na frente.

A diretoria do Jockey Club Brasileiro que terá de abrir o bolso, pois a conta deles comigo será maior. E quero tudo, com juros, de preferência”
, encerrou, aos relinchos, Tanta Honra, provando também conhecer de economia, fato esse que eu desconhecia.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Hora de voltar ao batente

O bom filho à casa torna! Esse ditado pode ser aplicado perfeitamente ao cavalo Estrela do Oriente, que há dois meses está de volta ao Brasil, após morar quase 10 meses na França. O defensor do Stud Estrela Energia topou conversar com o CERCA MÓVEL para comentar sobre sua experiência no exterior e os planos no seu país de origem.

“Estou extremamente feliz em voltar ao Brasil. Não nego que estava meio preguiçoso para trabalhar, mas o clima mais quente aqui do Rio de Janeiro me deixou mais animado. Certo que fico na serra fluminense, que é mais fria que a capital, mas com certeza, qualquer lugar no Rio é mais quente que na Europa”, dá aula de temperatura Estrela do Oriente.

Para quem não lembra do entrevistado da semana, Estrela do Oriente foi o primeiro filho do garanhão Redattore a estrear em pista brasileira. Isso em janeiro de 2008, no Hipódromo da Gávea, e obteve a 2ª posição. Depois, o primeiro produto da égua Academia Real (Banker’s Gold), criado pelo Haras São José da Serra, tratou de fazer uma excelente campanha no Rio de Janeiro.

Correu um páreo de turma e venceu, tendo seu nome anotado no Clássico José Calmon (L.-1300mG) e confirmando ao obter outra vitória. Perdeu uma prova de Grupo 3, mas nas duas corridas seguintes, provou ter nascido para o ofício das carreiras, pois garantiu dois êxitos consecutivos, em provas de Grupo 2 e em Grupo 1, quando se despediu da raia carioca e seguiu para a Europa. Quis que ele me falasse um pouco da sua vida em 2008.

“Tive um excelente início de campanha. Em 2008, eu ainda era potro. Tinha apenas 2 anos, mas muita disposição na hora de correr. Quando viajei para a Europa em julho, acabara de completar 3 anos de idade. Ainda era potro, eu sei, mas o ritmo de trabalho me incomodava e, o pior, o local onde treinava não era igual ao Centro de Treinamento do Estrela Energia aqui no Brasil.

Sabia que estava no velho mundo, mas o meu conforto de primeiro mundo estava mesmo no Rio de Janeiro. Então isso começou a incomodar”, assume.

Busquei saber o motivo dele não ter, ao menos, estreado na França.

“De boa, eu meio que não me acostumei mesmo com o clima europeu. Tudo era muito frio, sabe. Não tava gostando nem um pouco. Tinha muita saudade da piscina com hidromassagem do CT Estrela Energia. Também comecei com alguns vícios que atrapalharam”, conta.

Lógico que solicitei a Estrela do Oriente que nos confidenciasse os tais vícios.

“A princípio não queria tocar nesse assunto, mas por outro lado é importante contar tudo, para justamente ajudar aos cavalos mais novos a não cometerem os mesmos erros que eu. Cheguei na França me sentindo o ‘cavalo’. Querendo ou não, tinha 3 anos de idade e 4 vitórias, 2 colocações em 6 saídas, ou seja, nunca havia saido do marcador.

Então conheci uma turma de cavalos franceses que aparentava ser bem legal. Eles tinham vinhos maravilhosos na cocheira. Vinho francês de excelente qualidade. Passei a degustar com eles, pois no começo servia para diminuir o frio. Sendo que no dia seguinte me dava uma preguiça daquelas de trabalhar.

Acabei ficando preguiçoso, não conseguia trabalhar direito e sempre buscava vinho à noite. Estava quase um cavalo alcoolico. Engordei muito, só queria vida boa, nada de trabalho. Mas se tivesse alguma festinha de cocheira, eu era o primeiro a chegar. Então acabei pegando um resfriado forte e senti minha imunidade começou a ficar baixa.

Foi quando meus proprietários decidiram que era hora de eu ser curado. Esta minha volta para o Brasil é na verdade uma nova chance à minha campanha e pretendo fazer tudo diferente”, alerta o cavalo, que agora tem 4 anos.

Quis saber da viagem de volta ao Brasil.

“Foi tranquila. Estava muito ansioso em chegar logo. Vim no mesmo vôo com os dois garanhões que atuarão no Paraná. Eles me perguntaram se eu não queria ir com eles e virar logo um reprodutor, só viver de ‘namoro’ com as éguas. Mas eu respondi que minha vontade maior era me recuperar e voltar logo às vitórias”, falou animado.

Há cerca de dois meses no Rio de Janeiro, pedi para Estrela do Oriente contar o que sentiu ao voltar para casa.

“Uma felicidade enorme. Revigora estar de volta à casa onde tivemos sempre boas lembranças e cuidados. Fiquei feliz em saber que Givanildo Duarte, que já conhecia como 2º gerente, seria o meu treinador. Ele é um cara legal, paciente e que ama muito o que faz. Sinceridade, às vezes sinto que ele entende o que falo, assim como você!

Sendo que não posso ser hipócrita em não afirmar que o que eu mais gostei de rever foi a piscina com hidromassagem. Como eu gosto daquilo”, suspira.

Sobre o futuro, Estrela do Oriente sabe bem o que quer.

“Estou galopando firme e voltando ao meu melhor peso. Quero retornar à raia em excelente forma, pois irei encarar de primeira o GP João José e José Carlos de Figueiredo (G3), dia 5 de setembro, no Hipódromo da Gávea. Portanto, não posso fazer feio na minha reestreia. Sendo que tenho de afirmar outra coisa, eu pretendo voltar ao exterior, mas para correr.

Andei conversando com outros cavalos do Estrela Energia, que souberam mostrar meu valor. Ou seja, ainda sou novo e tenho muito o que mostrar. Quero voltar à França e vencer as provas importantes, me dedicar ao trabalho lá, tanto (ou mais) do que me dedico aqui no Brasil. Esse será, daqui para a frente, o meu objetivo”, encerra o cavalo.

Com a vontade que anda galopando, não duvido de Estrela Oriente retornar à pista, mesmo sendo em Grupo 3, e figurar como favorito absoluto. É esperar para ver no dia 5 de setembro.


La Vendetta se defende


Com a suspeita de voltar a estar medicada e perder sua conquista no GP Roberto e Nelson Grimaldi Seabra - Taça Osaf (G1-2000mG), a égua La Vendetta, que foi uma das personagens da edição anterior do CERCA MÓVEL, aproveita para fazer sua defesa.


"Se eu estava dopada de alguma coisa, só poderia ser de amor", declarou.


Vamos aguardar o fim das provas e contraprovas para descobrir onde mora a verdade.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Casal vitorioso assume namoro

Nada como uma semana internacional para confirmarmos ao nosso íntimo, que o turfe é a nossa verdadeira paixão. As vitórias sempre ficam com os homens e cavalos que melhor se entendem na raia. Ou seja, é sincronia pura, aliada à explosão de felicidade após cruzar o disco! Mas, além das conquistas e emoções que transbordaram das pistas do Hipódromo da Gávea, dois competidores venceram de forma espetacular e, enfim, assumiram ao CERCA MÓVEL que o namoro é sério.

Em 2008, Jeune-Turc e La Vendetta participaram da semana máxima paulista e garantiram as vitórias nos respectivos GP’s São Paulo (G1-2400mG) e Organização Sulamericana de Fomento ao Puro Sangue de Corrida – Osaf (G1-2000mG). Ao entrevistar na época o cavalo do Stud CED, o mesmo acabou suspirando ao falar sobre La Vendetta, mas ninguém assumiu namoro algum.

Na época, os dois voltaram para o Centro de Treinamento Vale do Itajara, mas o cavalo Jeune-Turc acreditava, conforme entrevista publicada no CERCA MÓVEL de 29 de maio de 2008, que seria levado para os Estados Unidos, mas mesmo assim soltou que rolava uma paquera entre ele e a égua do Haras Tributo à Ópera.

“Olá leitores do blog mais acessado entre os equinos nacionais! É sempre uma honra participar dessa coluna. Fui muito bem tratado por vocês na minha conquista do GP São Paulo 2008 e agora volto para falar da minha alegria em ser campeão também do GP Brasil”, iniciou o cavalo do Stud CED, passeando pelo Vale do Itajara, com La Vendetta ao lado e continuou.

“Sou apaixonado por essa égua não é de hoje. Ela corre muito, tem ancas lindas e assim que encerrarmos a campanha na raia, pretendemos ter filhos”, já foi logo falando. Sendo que o interrompi e quis saber porquê só agora eles assumiram o namoro, quando a égua pediu a palavra.

“Jeune-Turc sempre me tratou com muito carinho. Em maio de 2008, quando viajamos para São Paulo e ganhamos nossas provas, voltamos para os nossos boxes aqui no Vale do Itajara e ele me pediu em namoro. Sendo que naquela época, ele ainda era potro (tinha 3 anos e não havia virado o ano hípico), ainda tinha a séria possibilidade de ir para os Estados Unidos, eu estava com 4 anos e também não sabia ao certo meu destino, sem falar que acreditava seriamente que era empolgação dele pela idade. Sabe como é, muitos cavalos novos querem namorar éguas mais velhas, mas depois de um tempo, largam e vão atrás das potrancas. Então, por tudo exposto, achei melhor não levar adiante o cortejo dele.”


Quis saber então porquê agora que a filha de Clackson e Stratas (Youth), de criação e propriedade do Haras Tributo à Ópera, decidiu por aceitar as investidas dele. Completamente envergonhada e com olhar apaixonado, La Vendetta falou.


“Tudo começou mesmo na sexta-feira, um dia antes de eu entrar na raia para competir no GP Roberto e Nelson Grimaldi Seabra (G1-2000mG), o Osaf carioca, que no ano anterior não atuei por ter sido inscrita no GP Brasil 2008 (G1-2400mG). Estava nervosa, pois era uma das poucas éguas mais velhas do páreo. Tinha muita garota nova e cheguei a ficar em dúvida se conseguiria ganhar a corrida. Jeune-Turc percebeu a minha agonia e veio conversar comigo.


‘Não fique assim. Suas adversárias até podem ser mais novas, mas qualidade como você elas não têm. Até porquê, você já venceu há tempos o páreo do meu coração e amanhã (sábado) na raia voltará a ganhar com certeza’. Na hora, minhas pernas bambearam, pois o olhar dele era muito bonito e sincero.

Quando alinhei para a prova, sequer olhei para as minhas adversárias, fiz a minha corrida, ganhei e quando voltei para o Itajara, ele me recebeu falando.
‘Você estava linda cheia de lama’, então permiti a aproximação dele e nos beijamos. Jeune-Turc, antes de ir para o box dele dormir, virou para mim e disse que ganharia o Brasil em minha homenagem. E não é que ele cumpriu!”, derrete-se La Vendetta ao falar sobre o seu amado.

Jeune-Turc não deixa por menos e diz porquê dedicou a égua sua vitória na prova máxima do turfe carioca.


“O beijo que trocamos na véspera do Grande Prêmio Brasil me deixou nas nuvens. Eu não corri, flutuei na pista de grama carioca. Enquanto Marcos Mazini, sobre o meu dorso, explodia de alegria por ter vencido a prova, eu explodia também de felicidade por ter, enfim, conquistado a corrida e o amor de La Vendetta. Ela é a melhor sinfonia que já ouvi”
, suspira o filho de Know Heights e Creature Du Ciel (Machiavellian), criado pelo Haras Fronteira e defensor das cores do Stud CED.

Sobre o futuro da relação, os dois davam sinais claros de que duraria por muito tempo.

“Agora que tenho 5 anos e La Vendetta 6, acredito que os nossos proprietários não pensem em nos levar para fora do Brasil. Vamos curtir cada dia aqui no Vale do Itajara, um torcendo pelo outro, para obtermos outras conquistas”, encerra Jeune-Turc recebendo a aprovação da égua.

“Ele faz com que eu me sinta uma potranca. Por mim, corro até os 12 anos de idade, desde que Jeune-Turc esteja sempre do meu lado”, falou La Vendetta, olhando fixamente para Jeune-Turc, então ali percebi que era hora de deixar o casal de apaixonados sozinho e tirar meu time de campo.

10 mil acessos

Gente como o tempo passa! Graças ao carinho de vocês leitores, a coluna CERCA MÓVEL ultrapassa a excelente marca de 10 mil acessos. E olha que só estamos no mundo virtual. Muitos dizem que se fosse no impresso, ai sim chegariamos ainda mais longe, mas não pretendo mudar a forma da nossa criação e conto com vocês para continuarmos entrevistando e conversando com os cavalos.

Em tempo, hoje falei pelo rádio, com exclusividade, com o cavalo Glória de Campeão, que correrá no sábado o Arlington Million (G1-2000mG), com bolsa de US$ 1 milhão.


“Meu jóquei Tiago Josué Pereira chegou ontem (quarta-feira) e veio ao meu encontro. Relembrei da nossa vitória em Cingapura e percebi que tanto eu, quanto ele, estamos extremamente confiantes num bom desempenho sábado. Hoje galopei e gostei da pista de polytrack aqui de Chicago. Fico feliz em ter a companhia do também brasileiro Einstein no campo. Irei dar o meu melhor para garantir mais esta vitória na campanha”
, garante o defensor do Estrela Energia Stables, braço internacional do Stud Estrela Energia, que irá encarar ainda Presious Passion, Just As Well, Stotsfold, Mr.Sidney, Gio Ponti, Cima de Triomphe e Recapturetheglory.