quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Trabalho em equipe resulta em vitória

Os corredores da Coudelaria Jéssica, sob a responsabilidade do treinador Leandro Guignoni desde que se transferiram para São Paulo, estão apreciando o novo ambiente paulista. Também estão se entendendo muito bem e trabalhando em equipe, como pudemos observar no último sábado, durante a realização do GP Presidente Silvio Álvares Penteado – Copa dos Criadores (G3-2000mG), quando Hold Me Tight e Hilaris atuaram na prova.


Não estive em São Paulo no dia, mas assisti tudo pela televisão, e vi o quanto elas atuaram em parceria.


“Calminha ai Queen Shu, vamos respeitar as mais velhas. Esse train de corrida quem faz sou eu”, saiu gritando Hilaris, ao abrir os boxes e assumindo a primeira posição poucos metros depois. Queen Shu, do Haras São Pedro do Alto, nem reclamou, ficou na dela, atuando junto aos paus e mantendo seu próprio ritmo.


Hold Me Tight corria mais atrás, tendo o cuidado de não sofrer nenhum grande percalço. “Desculpe; calma; licença”, eram as palavras proferidas pela potranca enquanto atuava misturada com as demais competidoras, mais atrás, revezando entre as 5ª e 7ª posições.


Hilaris continuava ponteando com José Aparecido sobre o dorso, mas não descuidava do ritmo, pois sabia que tinha Queen Shu sempre por perto.


Quando abordaram a reta final, Hilaris deu um primeiro relincho, que não consegui entender, e continuou ponteando. Mas olhando atentamente para a televisão, pude conferir que quase automaticamente Hold Me Tight saia de junto dos paus e buscava uma linha mais aberta e com espaço vazio pela frente. Ali entendi que o relincho de Hilaris nada mais era que um sinal para a companheira de cocheira começar a avançar.


Hilaris ainda se manteve na frente até os últimos 200 metros. Quando começou a esmorecer, Hold me Tight emparelhou e falou. “Agora é comigo minha amiga, obrigada pela ajuda”, e como uma flecha, foi logo buscar a vitória.


Queen Shu não entendeu muita coisa, mas nem teve tempo de procurar entender, pois Donna Greta, que nada tinha a ver com a situação, surgiu do nada e ameaçava a sua 2ª posição.


Voltando a se concentrar, Queen Shu conseguiu formar a dupla. Donna Greta foi a 3ª e Hilaris a 4ª colocada.


Hold Me Tight ganhou a corrida e aguardou a chegada de Hilaris para sairem juntas da raia. Nesse momento a televisão cortou a cena para o Rio de Janeiro e precisei apelar para o velho e bom telefone, pois precisava falar com as ‘meninas do Jéssica’.


Após algumas tentativas, enfim Hilaris me atendeu, com a voz ofegante, mas eufórica. “Olá, é sempre um prazer falar com o CERCA MÓVEL.Dessa vez não fui a vencedora, mas sei que tive papel fundamental em mais uma conquista da Coudelaria Jéssica. Saiba que tanto eu quanto Hold Me Tight apenas seguimos o exemplo de nossas donas (Jéssica e Victória), provando que a união faz a força”, falou, mas eu não entendi nada sobre a comparação, foi quando Hold Me Tight me explicou.


“Você tem se preocupado tanto com o universo dos cavalos que tem esquecido dos humanos! Jéssica e Victoria Dannemann estão juntas num projeto teatral de sucesso, ai no Rio de Janeiro. A mais velha (Jéssica) atua na peça, enquanto a mais nova (Victoria), tem a responsabilidade de fazer com que tudo dê certo.


Foi mais ou menos o que eu e a Hilaris fizemos. A mais velha (Hilaris), atuou na frente durante a corrida, chamando a atenção para ela e no momento crucial, deu a deixa (o relincho) para que eu pudesse concluir a nossa estratégia de corrida. No final, tudo deu certo”, encerrou Hold Me Tight, que é uma filha de Roi Normand e Indian Blossom (Fred Astaire), criada pelo Haras Santa Ana do Rio Grande.


Após as declarações de Hilaris e Hold Me Tight tratei de descobrir o que rolava nos teatros cariocas, então me dei conta do musical “Por uma Noite – Um sonho nos bastidores das Broadway”, onde Jéssica Dannemann é uma das atrizes e Victória Dannemann assina a produção geral. Assisti no Teatro das Artes, no Shopping da Gávea, na noite de quarta-feira (ontem) e recomendo aos leitores do CERCA MÓVEL, que estiverem pelo Rio de Janeiro e gostem de musicais, que dêem uma passadinha por lá. Vale a pena!


Sim, não posso encerrar esse blog sem lembrar que sábado temos um compromisso importante: Derby Paulista 2010 (G1-2400mG). O campo promete muitas emoções e eu não fico fora dessa.



sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Potros querem chamar atenção de treinadora carioca

Era o que faltava no universo equino, dois potros estão disputando a atenção da treinadora Claudia Cury e estão fazendo isso muito bem: na raia. Trata-se de To Flight e Don Chemyr, com quem conversei durante os últimos dias.

To Flight, vencedor do Clássico Ernani de Freitas (L.-1600mG), mostrou superioridade por já contar com provas nobres na campanha.

“Sou um filho de Our Emblem e Namoradinha (Royal Academy), criado pelo Haras Santa Maria de Araras, ou seja, já vim de berço nobre. Acabo de colecionar a primeira de muitas vitórias clássicas que pretendo obter. Por tudo isso, com certeza, sou o queridinho da 'Claudinha'”, fala To Flight, que defende as cores do Stud Brincadeira.

Escutando seu vizinho de boxe falar, Don Chemyr não deixou por menos e mostrou que também tem muita qualidade para conquistar o carinho da treinadora.

“Parabéns ao To Flight pela vitória nobre, ele fez excelente papel e mereceu a conquista. Mas, quero lembra-lo, que a nossa treinadora nutre um carinho especial por mim, pois sou filho de Mastro Lorenzo e meu pai proporcionou a Claudia Cury não só vitória, mas importante colocações nobres. Sim, também vale frisar que só atuei três vezes e o aumento da distância me fez dividir a raia de areia do Hipódromo da Gávea. Portanto, na grama, ainda posso melhorar ainda mais”, provocou o filho de Mastro Lorenzo e Numidia (New Colonny), criado pelo Haras Di Cellius e defensor das sedas do Stud Maggiore.

To Flight ficou apreensivo com as palavras de Don Chemyr, mas preferiu não aumentar a discussão.

“Ok, tudo bem, parabéns também pela sua vitória. Acredito que seu próximo compromisso poderá ser clássico e podemos trabalhar juntos para, quem sabe, conseguir uma dobradinha nobre para a 'Claudinha'”, propõe.

Na mesma hora, Don Chemyr relinchou de alegria e concordou com o colega de cocheira.

“Com certeza! Isso seria maravilhoso e com certeza nós dois dividiriamos o coração da nossa querida treinadora. Conte comigo, pois irei me dedicar bastante.”

Quando imaginei que a discussão enfim tinha terminado, To Flight fez um comentário pouco proveitoso.

“Então estamos combinado. Será bom ganhar outra prova nobre, principalmente para a minha campanha e...”, quando iria continuar a falar, foi cortado por Don Chemyr, que já foi falando.

“Que estória é essa de sua segunda prova nobre. Saiba que o vencedor será eu, principalmente se for nos 1.600 metros.”

Quando os ânimos ficaram a flor da pele, eu tentei acalmar os dois bonitos PSI.

“Peraê meninos, vocês e todos os outros pensionistas da Claudia Cury são muito queridos por ela. Todos a deixam felizes com os resultados dentro e fora da raia. Posso adiantar para vocês que ela tem planos distintos para ambos e conto aos dois se prometerem se acalmarem”, eu disse.

Os dois se entreolharam e concordaram com a cabeça, desde que eu contasse a verdade. Então cumpri com o prometido.

“Depois da treinadora ter curtido o seu aniversário de 50 anos na Inglaterra, conhecendo os principais hipódromos daquele país e vendo de perto o sheik Mohammedd, ela voltou empolgada para o Brasil e disposta a voltar a vencer importantes provas.
Vocês dois são os queridinhos dela, com certeza, e os planos para ambos são distintos. Você, Don Chemyr, ela pretende que siga os passos do seu pai, correndo na milha e, quem sabe, vencendo o GP Presidente da República (G1-1600mG) em agosto de 2010.
Já você To Flight, poderá ser preparado para distâncias mais longas e se tornar a primeira inscrição da treinadora no Grande Prêmio Brasil (G1-2400mG). Portanto, vocês não precisam brigar e sim, treinarem com vontade para dar essa alegria dupla a sua treinadora”
, encerrei.

Os dois ficaram boquiabertos, olhando um para a cara do outro, e combinaram de se ajudarem mutuamente em busca de realizar os sonhos da treinadora e deles também. E eu, por sorte, sai da cocheira sem precisar tomar nenhum coice.

Fico por aqui e vejo vocês na semana que vem!

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Blue Elf quer mesmo é descansar

Como vão leitores, saudades? Pois saibam que eu tive muita por não ter atualizado na semana anterior. Aliás, acredito que descobri o quanto é ruim para uma jornalista ficar sem internet e, pior, sem computador. Na semana anterior, o meu computador central decidiu parar de funcionar e, apesar de tentar de todas as formas que ele voltasse a dar sinais vitais, o mesmo não correspondeu.

Resultado, não tive escapatória, precisei falar com a minha família de escorpiões (que crio nos bolsos) e comprar uma nova máquina. Por conta disso, aqui estamos de volta com o nosso CERCA MÓVEL semanal.

Tinha até conversado na semana anterior com o potro Timeo, ganhador de duas provas de Grupo 1 com apenas 3 anos, mas como a matéria ficou tardia, apelei para o experiente Blue Elf, que a cada ano, mostra que corre ainda mais.

O defensor do Stud Azul e Branco ganhou o Grande Prêmio Salgado Filho (G2-1600mA) no último domingo, no Hipódromo da Gávea, e comemorou bastante o feito.

“Até que enfim, consegui vencer esta prova. Já estava ficando cismado, pois foi a terceira vez que competi nesse importante Grande Prêmio e não nego que almejava bastante essa conquista”, inicia o filho de Choctaw Ridge e British Reef (Main Reef), criado pelo Haras San Francesco.

É verdade que em 2007, aos 4 anos, ele encarou pela primeira vez o clássico carioca.

“Fui 4º colocado e no ano seguinte cheguei em 3º. Esse ano eu não queria ser 2º, só me valia ser 1º”, brandou o castanho.

Morando no Centro de Treinamento Vale do Itajara desde os 2 anos, Blue Elf sabe que deverá ter no máximo mais 1 ano de campanha para depois se aposentar, mas não quer pensar muito sobre isso.

“Estou com 6 anos e me sinto em grande forma, basta qualquer um observar a forma fácil que ganhei no domingo. Encerrar a campanha é natural para qualquer corredor, mas não quero ficar pensando nisso. Quero é continuar correndo e ganhando”, resume.

Pedi para Blue Elf comentar sobre os principais momentos de sua 12ª vitória, sendo a 7ª na esfera nobre.

“Quem pegou o resultado e viu que ganhei por 10 ¾ corpos deve ter achado que foi hiper-fácil a conquista. Mas devo informar que foi uma das vitórias mais difíceis que obtive. Quando comecei a avançar, na reta final, na altura dos 300 metros finais, no mesmo instante Ptzinho também surgiu com excelente ação e fazia uma diagonal, fechando a linha que eu pretendia utilizar.

Tive sorte por ter o Marcelo Cardoso sobre o meu dorso, pois é um jóquei experiente. Ele sabia que eu tinha muitas reservas e não desistiu da corrida. Me tirou com calma para o externo da pista e ai sim, tratei de correr. Quando emparelhei com Ptzinho, faltavam apenas 100 metros para o disco, mas ou ele parou ou eu voei, porque realmente a diferença de corpos foi uma surpresa para mim”
, assume Blue Elf.

O defensor do Stud Azul e Branco não pensa mais em corridas nesse ano de 2009, porém ainda prevê boas atuações na atual temporada.

“O Hipódromo da Gávea não é igual o Paraná, onde as principais corridas são na areia. Aqui (no Rio), a grama ‘fala’ mais alto. Sei também que tenho qualidades para correr na relva, mas gosto mesmo de atuar na areia, então é preferível aguardar o Clássico Verão (L.-1600mA), em janeiro de 2010, para voltar a mostrar minhas qualidades.

Lógico que não irei parar com os trabalhos, até porquê, Dulcino Guignoni, mesmo suspenso, não dá folga a cavalhada. Sem falar que ele adora provas nobres, então temos de estar sempre em forma”
, encerra Blue Elf.


Foto: Davi de Oliveira

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Vupt Vapt repete o nome em Grupo 1



Muita gente deve se lembrar da famosa frase do saudoso personagem do Chico Anysio, Professor Raimundo, quando parava a “aula” na Escolinha para ter o comercial televisivo. “É vapt e vupt!” era o jargão utilizado para avisar que logo o programa voltaria. Uma forma das pessoas não ficarem longe da tv por muito tempo.

Pois bem, acertadamente, o Haras Pirassununga escolheu um filho de Romarin e Ela Manda (Stuka) e o ‘batizou’ de Vupt Vapt, o contrário do que falava o professor Raimundo. Sendo que assim como era rápida a propaganda para a volta do programa humoristico, mais rápido ainda é o potro que pertence ao Stud São José dos Bastiões.

Estive em São Paulo no último sábado e acompanhei de perto o desenrolar do GP Jockey Club de São Paulo (G1-2000mG), a segunda etapa da Quádrupla Coroa de produtos. Aliás, antes dos potros entrarem na raia, vi o Vupt Vapt olhar de forma carinhosa para o seu proprietário, o pernambucano Serginho Paiva. Quando passou ao meu lado, Vupt Vapt me olhou e disse. “Esse páreo é nosso!”

Bem, não nego que fiquei meio cabreira, pois o favorito da corrida era Olympic Danz, que tinha atuado muito bem na primeira etapa da Coroa masculina, diferente de Vupt Vapt, que chegou descolocado naquela ocasião. Mas, corridas são sempre corridas.

Dada a largada, o potro do São José dos Bastiões, que tem até um pouco de sotaque nordestino tamanha a comunicação com os seus responsáveis, saiu gritando do partidor. “Sai da frente, senão eu sento a peixeira!”, mas relinchou em seguida, provando que estava brincando.

Fez todo o train de percurso, mandando na carreira, sempre correndo junto aos paus. Eu observava ele agoniado, reclamando com o José Aparecido, seu jóquei, durante o final da reta oposta. “Oh ‘hômi’, tu vai ou não deixa eu correr mais solto?”, indagava o potro, mas o Aparecido nada respondia. Acredito que ele não tinha o dom de ouvir o cavalo.

Enfim, seguindo a corrida, os competidores entraram na reta final e quando os atropeladores se preparavam para tentar surpreender o ponteiro, Aparecido deu as rédeas necessárias a Vupt Vapt. “Ainda bem que você me ouviu né!”, falou o potro para em seguida livrar boa vantagem e cruzar o disco de chegada na frente, com ½ corpo sobre o atropelador Vasuveda.

Depois da corrida, quando ele voltava para o padoque, recebeu abraços e beijos do proprietário Serginho Paiva e do treinador Milton Singnoretti ainda na raia.

“Pera pessoal, vocês estão estragando o meu penteado! Ok, brincadeirinha, podem beijar a vontade, porque o Grupo 1 é nosso!”, vibrava Vupt Vapt.

Após as tradicionais fotos, com diversos amigos e torcedores do Stud São José dos Bastiões, o potro se encaminhou para a sua cocheira em Cidade Jardim e quis saber dele qual a sensação da vitória.

“Ganhar é sempre maravilhoso, mas vencer uma prova de Grupo 1 é um sonho. Mas não posso negar que Vasuveda me deu um baita susto. Até agora eu nem sei de onde ele surgiu, mas ainda bem que já estava com a vitória assegurada. No Derby Paulista, tenho de cuidar dele, até porque, sei de suas qualidades. Ele é 7 dias mais velho que eu e nascemos nos mesmos campos do Haras Pirassununga, mas temos características diferentes. Eu prefiro correr na frente e dizer logo a que vim. Vasuveda gosta de atuar no fundo do lote e atropelar com pouco espaço. Enfim, é um rival perigoso. Mas até o próximo encontro, eu quero é comer muita cenoura e aproveitar esse meu momento de rei. Esse tempo não quero que seja vapt vupt e sim, mais demorado”, relincha e dá por encerrado o bate papo.

Enfim, o próximo encontro sem dúvida promete e eu não quero perder de forma alguma. Fui num Vupt Vapt!

AGRADECIMENTO

Venho aqui agradecer a colaboração da amiga Faby Mattos no CERCA MÓVEL da semana anterior, ela, assim como eu e alguns outros apaixonados pelos cavalos de corrida, conseguimos escutar o que eles dizem e fico feliz por ela ter nos contado sobre o romance da First Julia.